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sábado, 22 de novembro de 2014

NO CARRO PARADO




O estacionamento está vazio, só o poste distante joga luz amarela sobre o capô, e o carro é uma caixa de metal quente onde o ar não circula, onde o suor nos gruda.
O couro quente sob minha pele, teu corpo me invade sem demora.
Tuas mãos largas fecham meus pulsos e os prendem contra o encosto do banco, o peso de ti sobre mim afunda o couro, e eu sinto cada centímetro do teu desejo duro contra minha coxa.

Me arqueio no banco, minha boca grita teu nome, meus gemidos abafam o silêncio da rua.
A janela embaciada esconde o pecado, mas o carro balança leve, um ritmo de maré, e cada solavanco é uma estocada que me arranca o ar e me destrói em pedaços.

No teu corpo eu sei as letras, a caligrafia do teu sexo, sei-lhe o gosto a um salgado único, quando o saboreio com a língua, o percorro num delírio faminta, em suave delicadeza lambo.
Me abaixo no espaço apertado entre o banco e o teu corpo, a cabeça batendo no painel e engulo-te fundo, a garganta relaxando, o sabor de ti enchendo minha boca em ondas.

Teus dedos cravam no meu cabelo, puxando, guiando, e eu chupo com fome de quem não janta há dias.
Os sexos vão-se lambusar, que vão trocar carícias entre eles, que a cada estocada tua em mim é delírio, que fazer amor é a imensidão do sexo, sei que os lábios serão soberbos ao receberem-te, sei que no vai e vêm da fome comemos-nos.

Fome de ti, quando a coreografia da tua boca me saboreia, quero-te com a luxúria na ponta da língua, podias saborear-me noite fora vendada por ti, contorço-me nesta tesão do teu sexo, toma-me, em estocadas mansas, deliro, sem pingo de vergonha... fodes-me, amas-me, reviras-me do avesso e, fazes-me tua.
Tua boca desce voraz pelo meu pescoço, mordendo o colo, lambendo o suor entre meus seios, as mãos apertam minha cintura, levantam meu quadril no espaço apertado do banco traseiro.

Abres minhas pernas com força, o joelho batendo na porta, e penetras-me de uma só vez, fundo e brutal, até a base, até eu sentir o teu peso me partindo ao meio.
A tua boca beijou a minha, a tua mão me tocou os seios, tocas-te o meu sexo, o teu dedo me fez contorcer, o meu sexo se humedeceu para ti.

O carro balança mais forte, o som de carne molhada batendo enche o espaço fechado, e eu grito contra o teu ombro, mordendo a camisa, as unhas arranhando o couro do banco.
Tuas mãos apertam meus quadris, levantando-me e arriando-me no teu colo num ritmo selvagem, e eu gozo primeiro, em espasmos violentos que apertam teu sexo em ondas profundas, fluidos quentes escorrendo pelo couro, sujando tudo, marcando o território.

Tu rosnas meu nome e aceleras, três estocadas mais profundas, e despejas dentro de mim, quente, espesso, pulsando, enquanto o carro para de balançar e só sobra o nosso hálito ofegante.
Caímos juntos no banco traseiro, escorregadios, destruídos, grudados de suor e sexo, e pela janela embaciada vemos a madrugada chegar, indiferente, enquanto eu ainda sinto teu sêmen quente escorrendo de mim, prova de que o carro parado é o nosso altar particular, onde seremos destruídos outra vez, sempre, sem fim.





Cléia Fialho

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