A sala estava vazia. Só os dois na fileira do fundo, perdidos na penumbra. Ela tentava focar na tela, mas o calor do corpo dele atravessava o encosto de veludo vermelho e subia pela sua espinha. Impossível ignorar.
Ele repousou a mão no apoio de braço entre as poltronas. Os dedos longos, imóveis, a centímetros do ombro dela. O gesto era casual, mas a imobilidade tinha peso — a pausa de quem espera.
Ela cruzou as pernas, o tecido da calça roçando na coxa. A luz da tela explodiu em branco e revelou o rosto dele virado na sua direção. Ele a observava. Ela mordeu o lábio inferior e prendeu a respiração.
Os dedos dele tocaram a parte de trás da sua mão no apoio.
Os dedos dele deslizaram do apoio até o queixo dela. Firmes. Sem pressa. Virou o rosto dela para o seu, a luz da tela pintando metade do rosto dele de azul, a outra metade afundada em sombra.
O beijo veio sem aviso. A boca dele pressionou a dela com fome contida, a língua invadindo, quente e molhada. Ela engoliu a saliva misturada, o gosto dele preenchendo sua boca. Gemeu baixo, o som abafado pelo contato.
A mão dela subiu pelo peito dele. Sentiu o coração acelerado sob a palma, o músculo duro batendo contra as costelas. Ele estava tão tenso quanto ela.
Os dedos dele desceram para a blusa dela. Botão por botão, o tecido se abriu. Ele empurrou o sutiã para baixo com um gesto seco, o elástico cedendo. O ar frio do ar-condicionado atingiu os mamilos dela, que endureceram instantaneamente.
A luz da tela explodiu em branco e inundou os seios nus dela. Expostos. Perfeitos. Ele olhou. Ela não cobriu.
A mão direita dele agarrou o seio esquerdo, o polegar esfregando o mamilo em círculos lentos. Ela arquejou. A mão esquerda dela desceu e apertou o pau duro dele por cima da calça, sentindo o volume pulsar contra a palma.
Ele sussurrou, a voz grave roçando o ouvido dela:
— Levanta.
E puxou a saia para cima.
Ela se levantou, as pernas trêmulas, a saia amassada na cintura. Ele a girou com firmeza, os dedos cravados nos ombros dela, e a colocou de frente para a tela. A luz explodiu em vermelho, banhando as poltronas vazias. Ela ouviu o som do zíper dele baixando, o farfalhar do jeans caindo até os joelhos. As mãos grandes dele agarraram os quadris dela e a puxaram para trás.
A cabeça do pau roçou a entrada molhada, quente, latejando. Ele empurrou. Uma estocada funda, única, que arrancou um grito abafado da garganta dela. A buceta apertou o pau, as paredes internas se contraindo ao redor da invasão. Ele gemeu grave, os dedos afundando na carne dos quadris dela. Começou a se mover. Estocadas rápidas, secas, o quadril batendo contra a bunda dela com estalos molhados.
O lubrificante vaginal escorreu, quente, descendo pelo saco dele e pingando no veludo da poltrona. Ela agarrou o encosto à frente, os dedos cravados no tecido vermelho. Os seios nus balançavam a cada impacto, os mamilos duros roçando o veludo áspero. A cada vaivém, um gemido escapava, mais alto, mais descontrolado. O som ecoou pela sala vazia, misturado ao barulho molhado do sexo.
A luz da tela mudou para azul e iluminou os corpos suados, os músculos das costas dele contraídos, as coxas dela tremendo. Ele enfiou a mão direita entre as pernas dela. Os dedos encontraram o clitóris inchado e começaram a esfregar em círculos rápidos, encharcados do gozo que escorria. Ela gritou.
O corpo inteiro estremeceu, a buceta apertando o pau em espasmos violentos. O líquido jorrou, quente, escorrendo pelas coxas e manchando o veludo. Ele estocou três vezes, sem ritmo, um grunhido animal escapando dos lábios. Puxou o pau para fora. A porra branca e espessa jorrou sobre a poltrona de veludo vermelho.
A respiração dela ainda vinha em arrancos quando recostou a cabeça no ombro dele. O suor esfriava devagar sobre a pele nua, um arrepio subindo pela espinha a cada lufada do ar-condicionado. Ele não disse nada. A mão grande pousou na nuca dela, os dedos enroscados nos fios escuros grudados de suor. O peito dele subia e descia num ritmo que aos poucos encontrava o dela.
A tela ainda projetava qualquer coisa — cores, sombras, vozes abafadas que nenhum dos dois ouvia. A luz azulada banhou os corpos largados na poltrona de veludo vermelho, agora manchada, úmida, marcada.
Ele se mexeu primeiro. Puxou a blusa dela sobre os seios, o tecido enrugado cobrindo os mamilos ainda duros. Não fechou os botões. Os dedos deslizaram pela gola aberta, ajeitando a lapela com uma calma que contrastava com o que tinham feito minutos antes.
Ela olhou para a poltrona. A mancha branca e espessa brilhava sob a luz da tela, absorvida aos poucos pelo veludo vermelho. Os lábios se curvaram num sorriso preguiçoso, íntimo, que ele não viu — mas sentiu no jeito como o corpo dela amoleceu contra o dele.
A mão dela repousou aberta na coxa dele, os dedos preguiçosos sobre a calça ainda úmida. Ele cobriu a mão dela com a sua. Palma sobre dorso, os dedos se entrelaçando sem pressa.
A tela cortou para os créditos. Letras brancas subindo sobre o fundo preto. A luz da sala acendeu, crua, revelando os dois enlaçados na fileira do fundo.
❦
Cléia Fialho

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