As costas dela bateram contra o vidro frio antes que pudesse reagir. O impacto roubou-lhe o ar e o reflexo devolveu-lhe os olhos arregalados, os lábios entreabertos. Ele pressionou o peito largo contra as costas dela, esmagando-lhe os seios contra a superfície gelada do espelho. O choque térmico arrancou-lhe um gemido baixo. Tentou virar o rosto, fugir da própria imagem, mas os dedos dele agarraram-lhe o queixo e mantiveram-na imóvel.
Os pulsos dela foram içados acima da cabeça, presos contra o vidro por uma só mão. Ele rodou os quadris devagar, o volume duro sob o tecido da calça esfregando-se nas nádegas dela. O corpo dela estremeceu, o abdômen contraiu-se num espasmo involuntário. No reflexo, viu a boca dele curvar-se perto do seu pescoço.
Os dedos dele desceram até à blusa e puxaram o tecido com um gesto brusco. Os botões saltaram, tilintando no chão. O espelho devolveu-lhe os seios nus.
A mão dele desceu pelo ventre dela, os dedos calejados arranhando a pele macia. Agarrou a cintura da calça e puxou para baixo num só movimento, o tecido enrolando-se nos tornozelos. A calcinha seguiu o mesmo caminho, o algodão húmido sendo arrastado pelas coxas. Ela tentou fechar as pernas, instintiva, mas o joelho dele forçou-se entre as dela, abrindo-as.
— Assim não — ele murmurou, virando-a de frente para o espelho.
O reflexo devolveu-lhe o corpo nu, os seios empinados, os mamilos escuros e duros. Ele ajoelhou-se atrás dela, as mãos subindo pelas coxas, os polegares afastando a carne macia. Os dedos encontraram a fenda molhada, deslizando entre os grandes lábios, recolhendo o líquido que já escorria. Ela mordeu o lábio inferior com força, prendendo o gemido.
Ele puxou o tecido da calcinha para o lado, expondo a vulva ao espelho. Dois dedos empurraram a entrada, afundando devagar na vagina apertada. Depois curvou-os para cima, num ritmo lento e implacável. O gemido escapou-lhe, involuntário, as paredes vaginais contraindo-se em espasmos ao redor dos dedos dele.
— Prova.
Os dedos molhados pressionaram os lábios dela, o próprio gosto salgado invadindo-lhe a boca.
Ele dobrou-a pela cintura. O tronco dela bateu na superfície fria da bancada, os seios esmagados contra o vidro. O reflexo devolveu-lhe o rosto a centímetros de si mesma — os olhos castanhos arregalados, os lábios entreabertos, o rubor que descia pelo pescoço. Sentiu a glande quente pressionar a entrada da vagina. Ele não pediu.
Empurrou o membro inteiro para dentro numa só estocada profunda, o pênis abrindo caminho pela carne apertada. Ela gritou. As paredes vaginais contraíram-se ao redor dele, um espasmo involuntário que a fez arquear as costas. Ele não esperou. Os quadris começaram a bater contra as nádegas dela num ritmo rápido e agressivo, a carne balançando a cada impacto, o som das peles a ecoar no quarto. Ela tentou fechar os olhos.
— Abre — ele rosnou, a voz grave e sem negociação. — Olha. Os dedos dele cravaram-se nos seus cabelos, puxando a cabeça para trás. A coluna dela arqueou, o pescoço curvou-se, e o pênis afundou até o fundo da vagina. Ela obedeceu. O reflexo mostrou-lhe o pau entrando e saindo, a base reluzente do líquido que escorria pelas coxas dela e lubrificava cada estocada.
Os gemidos saíram-lhe incontroláveis, altos, ecoando nas paredes. Ele agarrou-lhe os quadris com força, os dedos cravados na pele até roxear. Fixou-lhe o corpo para receber as estocadas mais fundas. O suor escorria pelas costas dela, o ânus pulsando no ritmo das investidas. Ele soltou um rosnado grave.
O pênis pulsou dentro dela, e jatos de sêmen quente explodiram no interior da vagina, enchendo-a. Ela gritou, a vagina e o ânus contraindo-se em espasmos violentos. O sêmen dele escorreu pela fenda molhada, descendo pelas coxas abaixo. O sêmen de Ele escorre pelas coxas dela, enquanto ela ofega, os olhos ainda fixos no reflexo.
O ar ainda estava denso, carregado do cheiro do sexo e do suor que grudava na pele dela. Continuava curvada sobre a bancada fria, os antebraços colados ao mármore, as pernas abertas e trêmulas. O sêmen dele escorria devagar de dentro da vagina, um fio morno e espesso que descia pela parte interna da coxa até gotejar no chão com um som abafado. Os músculos das coxas dela ainda tremiam em espasmos leves, involuntários, como se o corpo se recusasse a largar o prazer que acabara de atravessá-la.
A respiração foi-se estabilizando aos poucos. O peito subia e descia contra a superfície fria, e cada expiração saía mais longa que a anterior. Ele continuava atrás dela, as mãos grandes pousadas nos quadris dela sem apertar, apenas segurando. O calor das palmas contrastava com o arrepio que corria a pele dela.
Ela levantou a cabeça devagar e encarou o reflexo. O espelho devolveu-lhe a imagem sem piedade: os cabelos escuros colados nas têmporas pelo suor, os olhos castanhos ainda vidrados, a boca entreaberta e inchada. As marcas dos dedos dele começavam a roxear nos quadris.
O líquido leitoso continuava a escorrer pelas coxas, brilhando sob a luz âmbar. Desta vez, não desviou o olhar. Sustentou a própria imagem, os olhos fixos nos olhos refletidos, e algo dentro dela cedeu por completo — não de fraqueza, mas de aceitação.
Ele inclinou-se e beijou-lhe o ombro, os lábios quentes contra a pele salgada. A voz saiu grave, um murmúrio que vibrou contra a nuca dela.
— Agora és essa imagem. Pertences a ela.
Ela não respondeu. Continuou a fitar o reflexo, os olhos castanhos encontrando os próprios olhos, e pela primeira vez não desviou.
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Cléia Fialho

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