O corpo pede sem pudor.
O calor cresce, invade, domina.
Cada toque é incêndio.
Cada beijo é vertigem.
Não há começo, não há fim.
Só o excesso, só o delírio.
A boca devora.
A língua percorre.
Os dedos exploram territórios secretos.
O prazer explode em ondas sem nome.
A respiração é grito contido.
A pele é território em chamas.
O tempo desaparece, só resta o agora.
Lá fora a chuva cai fria, distante.
Aqui dentro o calor é absoluto.
Nada existe além do ardor.
Nada importa além do gozo.
O mundo se dissolve, só nós dois permanecemos.
Tua nudez inteira se oferece.
Cada gesto é palavra sem voz.
Teu corpo fala em silêncio.
Eu escuto com a pele, com o sangue.
Eu respondo com o corpo inteiro.
Somos linguagem sem letras.
Somos verbo sem tradução.
O desejo não termina.
Ele se prolonga, se repete, se reinventa.
Primeiro o tesão, depois o infinito.
E no infinito, nós dois.
Perdidos, entregues, consumidos.
Corpos em vertigem, pele em fogo.
Prazer sem fronteiras, sem limites.
Delírio eterno.
❦
Cléia Fialho

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