Desces pela curva
do meu pescoço tenso
mordendo cada centímetro
que pulsa e chama
com a boca de quem devora
e deixa marcas
para lembrar depois.
Tuas mãos traçam fronteiras
que se perdem na minha pele,
não são fronteiras,
são aberturas,
são dedos que deslizam
pelo meu peito abaixo
e encontram o centro
onde a minha respiração falha
e teu membro se ergue
implorando ser tocado.
Enquanto o lençol enrola
e sufoca nossos gritos roucos,
eu sufoco de outro jeito,
sentando devagar,
sentando depressa,
fazendo o colchão gemer
mais alto que a minha boca.
O meu pescoço arqueia,
tuas unhas cravam,
o lençol se torce
e nós dois,
enrolados na escuridão,
só existimos na fricção,
na entrada,
no bater de pele
que não quer ser brando,
que quer ser ferimento
de prazer,
que quer ser o instante
em que tu me enches
e eu me esvazio
e me encho de novo.
A tua língua que desceu do meu pescoço
agora lambe o suor
entre os meus seios,
agora circunda
o meu umbigo,
agora não para,
agora me toma pela cintura
e me puxa mais para dentro,
até que não haja mais onde ir,
só o ir repetido,
só o fogo.
❦
Cléia Fialho

.png)
Nenhum comentário:
Postar um comentário
🐾 OBRIGADA PELA SUA PRESENÇA
🐾 É SEMPRE MUITO BOM TER VOCÊ AQUI
🐾 FIQUE À VONTADE PARA COMENTAR OU FAZER UMA INTERAÇÃO NAS POESIAS
🐾 SERÁ UM IMENSO PRAZER COLOCÁ-LA JUNTO À MINHA
🐾 VOLTE SEMPRE!
AFAGOS POÉTICOS EM SEU 💗
🐾