Seus olhos são o reflexo do fogo
que queima dentro de mim, incandescente.
Mas o fogo não fica só no olhar,
desce, espalha-se, concentra-se
onde eu pulso e abro
sem pedir, só exigindo
que tu venhas,
que tu entres,
que tu me comas com a mesma fome
que arde no teu olhar.
Seu toque é como uma corrente elétrica
que percorre cada fibra do meu ser, incessante.
Não é fibra que sinto,
é o dedo que entra,
é o membro que me rasga em plenitude,
é o estalido da pele
quando tu me possuis
de costas, de frente, de lado,
e eu deixo de ser eu
para ser o teu gemido,
a tua incessância,
o teu vazio e o teu encher.
Não queima só dentro,
queima por fora,
queima em nós,
em dobro,
em triplo,
até que o lençol fume
e o quarto se torne
cinza do nosso arder
e nós dois, cinza e fogo,
renascidos no suor,
voltemos a começar.
❦
Cléia Fialho
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