Ajoelho-me no silêncio que arde,
o corredor se torna altar de carne,
meus lábios buscam o sal da tua ausência,
e o gosto da saudade se abre como ferida doce.
Teu gemido rasga o ar,
áspero, selvagem,
um trovão que vibra na garganta,
fazendo tua pele estremecer como relâmpago preso.
Arranco o tecido que te cobre,
cada botão é uma batalha vencida,
meus dentes roçam tua pele em brasas,
meu sopro é incêndio que desce pelo pescoço,
até encontrar o território firme do teu ventre.
Minha mão explora,
mapa de músculos tensos,
terra úmida que pulsa sob o toque,
ergue-se tua saia como bandeira molhada,
escamas de desejo que se abrem em ondas.
O chão já não existe,
somos apenas corpo contra corpo,
selvageria que não pede licença,
um rito cru, intenso,
onde cada gesto é faca,
cada beijo é ferida,
cada respiração é guerra.
Teus olhos queimam,
meu suor se mistura ao teu,
a língua percorre caminhos proibidos,
e o mundo se dissolve em gemidos roucos,
em tremores que não conhecem fronteira.
Sou animal em tua pele,
sou tempestade em tua boca,
sou vertigem que te arrasta,
sou o grito que te invade,
sou o fogo que não se apaga.
E quando o último véu cai,
não há mais nada além da carne exposta,
do desejo cru,
da entrega visceral,
do abismo que nos engole,
selvagem, arrebatador,
sem retorno.
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