TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

VIBRA NA GARGANTA



Ajoelho-me no silêncio que arde,  
o corredor se torna altar de carne,  
meus lábios buscam o sal da tua ausência,  
e o gosto da saudade se abre como ferida doce.  

Teu gemido rasga o ar,  
áspero, selvagem,  
um trovão que vibra na garganta,  
fazendo tua pele estremecer como relâmpago preso.  

Arranco o tecido que te cobre,  
cada botão é uma batalha vencida,  
meus dentes roçam tua pele em brasas,  
meu sopro é incêndio que desce pelo pescoço,  
até encontrar o território firme do teu ventre.  

Minha mão explora,  
mapa de músculos tensos,  
terra úmida que pulsa sob o toque,  
ergue-se tua saia como bandeira molhada,  
escamas de desejo que se abrem em ondas.  

O chão já não existe,  
somos apenas corpo contra corpo,  
selvageria que não pede licença,  
um rito cru, intenso,  
onde cada gesto é faca,  
cada beijo é ferida,  
cada respiração é guerra.  

Teus olhos queimam,  
meu suor se mistura ao teu,  
a língua percorre caminhos proibidos,  
e o mundo se dissolve em gemidos roucos,  
em tremores que não conhecem fronteira.  

Sou animal em tua pele,  
sou tempestade em tua boca,  
sou vertigem que te arrasta,  
sou o grito que te invade,  
sou o fogo que não se apaga.  

E quando o último véu cai,  
não há mais nada além da carne exposta,  
do desejo cru,  
da entrega visceral,  
do abismo que nos engole,  
selvagem, arrebatador,  
sem retorno.  




  Cléia Fialho

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