TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

quarta-feira, 20 de abril de 2022

FERA NA PELE



Tuas presas rasgam minha nuca antes do beijo
Teu cheiro é urro que desaba na minha espinha
Eu não caminho até ti — eu rastejo
embalo o quadril como cachorro no cio

Tuas unhas gravam sulcos no meu dorso
e eu mordo teu ombro pra não uivar
Cada contração minha é resposta à tua pata
que aperta minha coxa e não solta

Nós não fazemos amor — nós marcamos território
tuas marcas em mim são cicatrizes vivas
meu corpo é toca onde tu entras sem bater
e eu te recebo com dentes e saliva

O chão treme embaixo das nossas quatro patas
não há palavra — há rosnado
não há beijo — há mordida gostosa
e quando tu vens, eu venho igual bicho
cego, sujo, inteiro, sem rumo.




  Cléia Fialho

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