Me ergo sobre ti como bicho faminto,
sem rédeas, sem freio, rasgando o instinto.
Cavalgo teu corpo, dou vazão ao meu cio,
em cima de ti sou maremoto, sou rio.
Te arranho as costas, te prendo no leito,
sinto o teu peito bater no meu peito.
Na cama marcada por unha e saliva,
sou bicho, sou febre, sou carne viva.
Mordo teu pescoço até te ver implorar,
te uso, te sugo, te faço sangrar
de tanto desejo, de puro delírio,
neste quarto abafado que virou nosso martírio.
Sou o pecado exposto, a luxúria que queima,
a boca molhada que insiste e que teima.
Gozamos brutos, suados, no chão ou no colchão,
devastados e presos na mesma explosão.
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