TOCA DA LEOA
Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia





sexta-feira, 13 de janeiro de 2023

LABIRINTO DE FEBRE



O ar aqui dentro rareia, vira fumaça densa,
um curto-circuito invisível que estanca o tempo.
Basta o teu reflexo cruzar a penumbra da sala
para que o meu mundo perca o eixo e desabe.

Tu és a tontura que recusa o remédio,
o eco de uma voz que me chama no meio do breu.
Minhas mãos buscam o vazio onde o teu calor insiste,
uma febre cega que me consome por dentro.


Não há lógica que resista a esse ímã,
a essa eletricidade estática que arrepia a pele inteira.
Olhar-te nos olhos é despencar de um penhasco,
sabendo perfeitamente que não haverá chão.


E no delírio de te querer inteira, de te buscar no escuro,
a sanidade se desmancha como papel na chuva.
Ficamos nós, suspensos no limite do abismo,
queimando na ânsia de um fogo que nunca se apaga.




  Cléia Fialho

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