TOCA DA LEOA
Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia





sábado, 14 de janeiro de 2023

POEMA QUE SE INVENTA



O corpo busca um nome,
um calor que dissolve a tarde,
a poeira do dia esquecida
no sulco de uma linha suave.

Não a fome crua, não o grito agudo,
mas a onda mansa que chega
e molha os pés na areia
de um tempo que se desdobra.

Um abraço que não aperta,
uma fruta madura, o sumo
na ponta da língua, silêncio.

Um livro aberto na mesa
e o sol que entra sem pedir licença,
pintando o chão com ouro.

É a mão que encontra outra,
o olhar que se demora,
um poema que se inventa
na simplicidade da hora.

É a paz que pousa leve,
como pássaro em galho seguro,
o murmúrio da terra
depois da chuva.




  Cléia Fialho

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