TOCA DA LEOA
Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia





terça-feira, 23 de junho de 2020

A FERA DESPERTA


Cada noite um deserto sem tua pele,
cada sonho um labirinto onde tua boca me perseguia,
círculos oblíquos, vertigens que me queimavam,
teu peso imaginado esmagando-me,
como se o tempo fosse apenas espera,
como se o corpo fosse apenas ausência.

Agora, não há mais distância.
Sou lenta no início,
saboreio o atraso como vinho proibido,
cada gesto é prelúdio,
cada toque é promessa.
Mas logo me torno tempestade,
rápida, funda, sem freio,
um animal que não conhece limites,
um corpo que não pede licença.

Meus seios se erguem como oferenda,
são altares de fogo,
são frutos que clamam por tua boca,
puxa-os, morde-os,
faz deles território de guerra,
aperta-me até que o prazer se torne ferida,
até que o gemido se torne grito,
até que o mundo se dissolva em suor.

Sou selvagem em tua pele,
sou vertigem em tua língua,
sou abismo que se abre e nunca se fecha.
Cada respiração é faca,
cada beijo é incêndio,
cada movimento é terremoto.

E quando o dia nascer,
seremos ainda feras enlaçadas,
nossos corpos tatuados por cicatrizes de prazer,
nossos lençóis rasgados como testemunhas,
nossas almas marcadas por este rito visceral.

Porque não somos apenas amantes,
somos tempestade,
somos selvageria,
somos poesia crua, intensa,
somos fogo que não se apaga,
somos desejo que não se cala,
somos arrebatamento que devora,
somos o abismo que nos engole,
sem retorno.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 22 de junho de 2020

ALMAS DANÇAM JUNTAS



Numa dança suave
no compasso do amor
Nossos corpos se 
entrelaçam com ardor
Na paixão, nos 
entregamos sem pudor
Nossas almas dançam juntas
num só fervor.

Numa dança suave, quase etérea,
no compasso invisível da atmosfera,
nossos passos se encontram sem direção,
guiados apenas pela emoção.

Nossos corpos se cruzam em harmonia,
como notas vivas de uma melodia,
e o tempo se curva, sem resistir,
ao jeito profundo de nos unir.

Na paixão, nos rendemos ao sentir,
sem máscaras, sem precisar fugir,
e tudo em nós se torna calor,
um só movimento, um só amor.

E as almas, enfim, sem separação,
dançam unidas na mesma canção,
como se o mundo, em seu redor,
existisse apenas nesse fervor…





  Cléia Fialho

domingo, 21 de junho de 2020

A LÍNGUA QUE NOS QUEIMA



Não sei se o verbo era meu, se o teu soou
Na noite em que a carne se desvendou.
Mas nossas línguas, em febre, se uniram,
E o mapa dos teus membros, em mim, pariram.
Perdia eu os dias, em teus contornos,
Um labirinto de sensações sem retornos.

Dizia eu, com a voz embargada, um presságio,
Que nosso encontro era um divino estágio.
E tu, com teu olhar que tudo incendeia,
Respondias com um silêncio que a alma semeia.
Cruzaram nossos corpos, num tremor profundo,
Um universo novo, rompendo com o mundo.

Em cada curva tua, um poema se desdobrava,
Uma geografia de ardores que me abraçava.
Perdia eu a noção do tempo e do espaço,
Na imensidão do teu ser, encontrando meu traço.
Cada toque, um verso que a pele sussurrava,
Num diálogo ancestral que a saudade guardava.

E o teu corpo, um livro aberto, eu lia sem cessar,
Cada página um êxtase, um eterno desejar.
Os dias se dissolviam em tuas constelações,
Perdido em tua essência, em mil sensações.
E eu sabia, dizia, com a voz que transbordava,
Que em ti a minha alma para sempre se ancorava.




  Cléia Fialho

sábado, 20 de junho de 2020

PROMISCUIDADES



Quero matar a saudades
 Do sua língua safada
 Que junto com 
seu toque atrevido
 Era mais do que 
um convite pervertido
 
Para o meu corpo 
se abrir e dar acesso
 Á suas gostosas 
promiscuidades...

era mais do que
um convite pervertido —
era chama acesa
na minha pele rendida,
um desejo sem freio,
febre doce e proibida.

Seu beijo me despia
antes mesmo das mãos,
desatando em meu corpo
as mais loucas sensações.

E entre suspiros quentes,
carícias e intimidades,
eu me perdia inteira
nas suas gostosas maldades…





  Cléia Fialho

sexta-feira, 19 de junho de 2020

NAVEGO EM TRANQUILIDADE




Nas águas mornas
do rio a serpentear
Teu corpo em meu corpo,
num doce provocar

No silêncio da noite,
começo a delirar
Sorvendo teus desejos,
até me embriagar.

Na corrente serena
do prazer a fluir
Teus dedos em minha pele
fazem-me estremecir
Entre suspiros lentos
deixamo-nos conduzir
E na dança dos sentidos
fazemos o amor florir.

Nas curvas mansas
do teu doce olhar
Desperta em meu corpo
um lento arrepiar
Teu toque sereno
faz meu mundo incendiar
E em ondas de encanto
me deixo naufragar.

Na brisa morna
que vem te envolver
Há perfume de desejo
florescendo em prazer
Teus braços em volta
fazem meu ser estremecer
Como um rio de ternura
transbordando em querer.





  Cléia Fialho

quinta-feira, 18 de junho de 2020

TESÃO A DESPERTAR



No leito,  
a luz da lua a brilhar  
Lábios tocam  
ardentes a se encontrar  
Dança de desejos  
a se friccionar  
Nossos corpos nus  
tesão a despertar.

Tuas mãos sobem  
pelas minhas coxas quentes  
Dedos ávidos  
abrem caminho entre as fendas  
Molhada, latejante  
eu gemo teu nome  
Enquanto tua boca  
desce e me devora inteira

A língua selvagem  
chupa, lambe, penetra  
Eu arqueio a espinha  
e aperto tua cabeça contra mim  
Goza na minha boca  
antes de me foder fundo  
Sem piedade, sem freio  
só carne batendo em carne

Teu pau grosso  
entra de uma vez só  
Até o fundo, até doer gostoso  
Eu grito, me contorço, te mordo  
Me vira, me usa, me enche  
Até o gozo escorrer quente  
Pelas coxas, pelo lençol  
Misturado ao suor e à lua.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 17 de junho de 2020

CONVITE SUSSURRANTE



Na aurora dançante,
a manhã desperta seu brilho
Tece raios de sedução
num ápice de paixão
Convite sussurrante,
eu rendo-me ao seu atilho.

E o vento, cúmplice antigo das madrugadas,
desenha caminhos invisíveis na minha pele,
como se o mundo inteiro respirasse contigo.

Há um chamamento que não se explica,
só se obedece,
um rumor quente entre o silêncio e o caos,
onde tudo em mim perde o nome
e ganha impulso.

E sigo — sem mapa, sem defesa —
nesse chamado que me arrasta inteiro,
como se a vida soubesse exatamente
onde termina o corpo
e começa o delírio.





  Cléia Fialho

terça-feira, 16 de junho de 2020

SERPENTEANDO



Minha xaninha tá 
querendo esta noite
A tua língua 
intrometida 
feito açoite

Atrevida com os meus 
lábios eu resvalo
Serpenteando 
e abocanhando 
o teu falo.

Teu gemido acende
o quarto em brasas
E minhas unhas
deslizam lentas
pela tua pele

Teu corpo invade
meu ventre aflito
Num vai e volta
febril, molhado,
ardente e belo

Mordo teu desejo
com fome insana
Enquanto o beijo
se perde quente
na madrugada

E entre carícias
suspiros fundos
nossos delírios
se entrelaçando
sem mais censura.





  Cléia Fialho

segunda-feira, 15 de junho de 2020

SEU DIAMANTE



Ah... seu diamante
 A minha língua douta e cursiva
 Torna-o mais brilhante

 Molhado por minha saliva...
 Ah... seu diamante
 Pulsando em minha garganta

 Em um vai e vem assonante
 Fragmenta-se em ledice tanta...




  Cléia Fialho

domingo, 14 de junho de 2020

DESEJO VIVER ASSIM




Bom é acordar ao seu lado
ter você é um sonho realizado
quando você os olhos abre

meu coração já sabe
o que seu doce olhar diz
completa certeza de que sou feliz

E se você me dá um sorriso
sinto que nada mais preciso
pois você é parte de mim

e eu só desejo viver assim
deste jeito amor perfeito
sem que haja um fim.




  Cléia Fialho