Na noite em que a carne se desvendou.
Mas nossas línguas, em febre, se uniram,
E o mapa dos teus membros, em mim, pariram.
Perdia eu os dias, em teus contornos,
Um labirinto de sensações sem retornos.
Dizia eu, com a voz embargada, um presságio,
Que nosso encontro era um divino estágio.
E tu, com teu olhar que tudo incendeia,
Respondias com um silêncio que a alma semeia.
Cruzaram nossos corpos, num tremor profundo,
Um universo novo, rompendo com o mundo.
Em cada curva tua, um poema se desdobrava,
Uma geografia de ardores que me abraçava.
Perdia eu a noção do tempo e do espaço,
Na imensidão do teu ser, encontrando meu traço.
Cada toque, um verso que a pele sussurrava,
Num diálogo ancestral que a saudade guardava.
E o teu corpo, um livro aberto, eu lia sem cessar,
Cada página um êxtase, um eterno desejar.
Os dias se dissolviam em tuas constelações,
Perdido em tua essência, em mil sensações.
E eu sabia, dizia, com a voz que transbordava,
Que em ti a minha alma para sempre se ancorava.
❦
Cléia Fialho
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