TOCA DA LEOA
Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia





segunda-feira, 13 de julho de 2020

O GOZO É CHAMA



No fogo oculto arde a chama acesa,
Que não descansa, exige mais calor,
É sede antiga, é fome, é correnteza,
Que rompe as margens, transborda em furor.

O corpo é templo, altar de fortaleza,
Onde o desejo canta seu amor,
E cada gesto é rito, é natureza,
Que se consome o êxtase em calor.

Na pele grava marcas de ternura,
Na alma deixa rastros de paixão,
E o instante eterno em si perdura.

Assim se cumpre a febre da emoção:
Na entrega plena, intensa e tão pura,
O gozo é chama, e o amor — vulcão.




  Cléia Fialho

domingo, 12 de julho de 2020

SINTONIA DE PRAZER


Sinfonia de prazer,
êxtase de sentimento,
ápice nesse momento
em que o silêncio floresce
na linguagem dos corpos
e no tremor dos olhos.

Teu toque desliza lento
como brisa morna de verão,
acendendo estrelas secretas
na imensidão da pele.

Há um incêndio doce
entre suspiros e promessas,
um desejo que dança
sem pressa de terminar.

E eu, inteira em emoção,
me perco na melodia
dos teus gestos,
como quem encontra abrigo
no instante exato
em que o amor e o desejo
se tornam um só poema.





  Cléia Fialho

sábado, 11 de julho de 2020

MANHÃ QUE ROMPE



Ainda o sol que surge, corpo em brasa,
Teu corpo quente onde o meu se aninha,
Perguntas vão se esvaem, sem ênfase,
Onde jaz o tempo que a alma adivinha.

Não busques os dias que se foram, perdidos,
Em gestos que a carne em fogo desfaz,
No emaranhado de corpos unidos,
Na entrega sem pudor que o instinto traz.

São pó agora, em leitos construídos,
Entre o tremor que a pele bem sente,
E o delírio que almas têm contido,

A voracidade que nos faz ardente.
E a essência que brota em nosso centro,
Em cada toque, em cada arrepio lento.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 10 de julho de 2020

SOU A SOLUÇÃO



Se você tiver malícia
 Te darei minhas primícias.
Se quiser só tentação
 Te fartarei com meu tesão.

 Se pensar em fantasia
 A realizarei com alegria.
Se o seu caso for prazer
 Farei você gemer.

 Se estiver em devaneio
 Te domino sem rodeio.
Seja qual for o seu dilema
 Saiba que não haverá problema.

 Só há uma explicação
Pois eu sou a sua solução.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 9 de julho de 2020

FOGOSA E SEDENTA



Beija-me o corpo inteiro
 comece por onde quiser
 só não pare de sorver
 o meu corpo de mulher...

 Sou fogosa e sedenta
 meu clitóris...
 fecunda seu nome
 qual felina que intenta

 Aplacar a sua fome
 minha vulva
 úmida pretenda
 sua haste que me come!




  Cléia Fialho

Linda interação do amigo poeta MJ 

Entre beijos e abraços,
 Sentiremos nossos corpos,
 E não vai haver um espaço,
 Onde agente não se toque.
 Nossas pernas se entrelaçam,
 Meu sexo toco no teu,
 E rapidamente se encaixam
 É seu engolindo ao meu,
 Em seguida vem o gozo,
 Que um ao outro ofereceu,
 E os corpos satisfeitos,
 Ambos agradecem a Deus.

 GRATIDÃO 

quarta-feira, 8 de julho de 2020

BOCA NO MEU PESCOÇO



Eu abro a porta e tu estás ali
— saia branca, olhar de felina, sorriso de faca
Eu engulo seco, tu não dizes nada
entras como quem já sabe onde vai sentar.

Tu me empurras contra a parede
e eu nem finjo que resisto
Tu apertas a saia contra a minha barriga
e eu sinto o teu calor antes dos teus dedos.

— "fica quieto", tu dizes
e eu fico — ereto, mudo, teu.

Tu desabotoas a saia devagar
— renda, linho, quase nada
e eu vejo a pele que eu sonhei
brilhando na luz que tu mesma acendeste.

Tu passas os dedos no meu peito
e eu arqueio como se tivesses me tocado com língua
Tu ris baixo — e esse riso é minha algema.

— "deita", tu dizes
e eu deito — aberto, nu, pronto.

Tu sobes por cima de mim
e a saia branca agora é uma cortina
que esconde o que eu mais quero ver
mas tu abres devagar
— como quem abre um presente que é dela
porque eu sou.

Tu seguras meus pulsos contra a cama
e eu não preciso de algemas
— teus dedos são o aço
teu olhar é a chave
e eu não quero fugir.

Tu desces a boca no meu pescoço
e eu sinto o teu hálito morder minha pele
Tu és fera de saia branca
e eu sou tua presa de pele quente
que lateja e espera
cada mordida, cada arranhão
cada palavra que tu sopras no meu ouvido:

— "agora sou eu que te como"

E tu comes
— com a boca, com os dedos, com o quadril
eu não sei se estou preso ou solto
só sei que estou teu
e que essa saia branca
nunca mais vai ser a mesma
porque tu a manchaste com o meu desejo
e com o teu gozo
que escorre pelos meus dedos
enquanto tu te mexes em mim
e eu te chamo
— fera
— fêmea
— minha.




  Cléia Fialho

terça-feira, 7 de julho de 2020

INTENSO MOMENTO



É simplesmente fantástico  
viver com alguém tão especial  
a ponto de ser capaz de fazer  
de um mero instante  
um intenso momento  
valorosamente  
inesquecível e perpétuo.

Quando teus olhos me encontram,  
o tempo se curva e se rende.  
Tua mão desliza pela minha cintura  
como quem conhece cada segredo  
da minha pele.  

O teu beijo não pede licença:  
ele invade, demora,  
saboreia o meu suspiro  
e transforma o ar entre nós  
em algo quente, quase líquido.  

Deito-me em ti  
e o mundo desaparece.  
Só resta o ritmo do teu peito  
contra o meu,  
o calor das tuas coxas  
entrelaçadas nas minhas,  
e essa certeza doce e selvagem  
de que cada segundo contigo  
é eterno.  

É simplesmente fantástico  
viver assim…  
sentindo que o amor,  
quando é verdadeiro,  
não precisa de grandeza.  
Basta um instante.  
E ele já é infinito.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 6 de julho de 2020

QUANDO A NOITE SE DESFAZ





Quando a aurora em ouro beija o fim da festa
E a cama guarda o rastro de nosso ardor,
Não indagues onde foi o tempo que resta,
Que se perdeu em nós, num doce fervor.

Estão guardados ali, em nosso abraço,
Nos murmúrios que rasgaram o véu da pele,
Nas mãos que traçaram cada novo traço,
No desejo que em nós ferozmente ardeu.

Os dias que escorreram, ausentes, distantes,
Hoje se fundem em pura comunhão,
Em corpos entrelaçados, palpitantes,
Em cada suspiro, em cada pulsação.

Não te perguntes pelas horas que voaram,
Nem pelas noites longas sem te encontrar,
Em cada toque que as almas desvelaram,
Em cada beijo que nos fez delirar.

Estão aqui, no leito que nos acolhe,
Na febre que nos une, no doce esgotar,
Na entrega que em nós tudo recolhe,
Na força bruta que nos fez amar.

Não me perguntes sobre o que foi vivido,
Sobre a saudade que cedeu ao prazer,
Em cada gemido que foi ouvido,
Em cada espasmo que nos fez renascer.

Os meses sumiram, dissolvidos na bruma,
Desfeitos agora entre os nossos corpos nus,
Na ânsia que consome, na doce espuma,
No suor que molha, nos nossos fluxos.

Não me perguntes onde se foram os dias,
Eles floresceram em nosso encontro, sim,
Em beijos que afogaram as agonias,
Em cada abraço, um infinito em mim.

Estão aqui, entre os nossos quadris,
No que se perdeu e no que se ganhou,
Na entrega febril, nos gemidos febris,
Na fome que extasiou e saciou.

Quando a manhã raiar, exaustos e plenos,
Não me perguntes por onde andaram os dias,
Estão em nós, em instantes serenos,
Entre o gozo e a calma, em mil fantasias.




  Cléia Fialho

domingo, 5 de julho de 2020

sábado, 4 de julho de 2020

VOCÊ É O MEU AMOR...



Nego-me a esquecer-te...
pois verdadeiramente seria como
olvidar de vez quem eu sou
remover minha originalidade
extinguir os mais supremos momentos
felizes de todo meu viver
pois acredito que você é o amor
que meu coração
jamais deixará de amar.

Nego-me a esquecer-te,
pois seria como apagar o que sou,
como perder o fio da própria memória
e desfazer a história que o tempo bordou.

Seria calar minha essência mais viva,
desbotar a cor da emoção,
e renunciar aos instantes de luz
que ainda habitam meu coração.

Pois acredito que em ti se revela
um amor que não sabe morrer,
uma presença que em mim permanece
mesmo quando o mundo deixar de dizer.

E assim te guardo, sereno e constante,
no lugar mais fundo do meu viver,
onde o amor não se perde no tempo,
mas insiste em permanecer…



  Cléia Fialho