TOCA DA LEOA
Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia





sábado, 13 de fevereiro de 2021

CADA SEGUNDO ROUBADO



O teu fôlego muda de ritmo.
O silêncio deixa de existir.
Há apenas o som grave
das vontades escapando do peito,
o tremor involuntário
que denuncia aquilo
que nenhuma palavra conseguiria esconder.

É desejo.
É vertigem.
É a sede antiga
que regressa sempre mais feroz.

Meus lábios percorrem teu caminho
na lentidão de quem saboreia
cada segundo roubado ao mundo.
A distância desaba entre nós
feito muralha vencida,
e tudo o que restou da espera
escorre na pele,
quente,
vivo,
inevitável.

Meus dedos avançam sem pressa,
descobrindo relevos,
temperaturas,
o desenho secreto
que teu corpo guardava
para o instante exato
em que o meu chegasse.

Cada gesto desperta outro.
Cada arrepio chama o seguinte.
Somos dois incêndios
alimentando a mesma chama,
sem medo da fumaça,
sem receio das cinzas.

Desfaço as barreiras
uma após outra,
como quem abre portas
de uma casa abandonada pelo juízo.
O tecido desliza.
O ar encontra tua pele.
Meus olhos bebem
o espetáculo inteiro
antes mesmo que minhas mãos
o reclamem para si.

Aproximo-me outra vez,
encurtando o espaço
até não existir fronteira
entre teu calor
e o meu.

Minha boca desenha caminhos
sobre teu pescoço,
demora-se onde teu pulso acelera,
onde o sangue parece cantar
sob a superfície da pele.
Ali deposito promessas mudas,
beijos que queimam devagar
e permanecem
muito depois do toque.

Minhas unhas deixam rastros discretos,
assinaturas de um instante
que não aceita ser esquecido.
Te abraço com a força
de quem deseja interromper o tempo,
fazendo da noite
um lugar sem relógios.

Teu corpo responde
num idioma primitivo,
feito tempestade rompendo o horizonte.
E o meu acompanha,
sem resistência,
sem defesa,
inteiramente entregue
ao magnetismo da tua presença.

Há algo selvagem
na maneira como nos encontramos.
Não existe medida.
Não existe cálculo.
Existe apenas essa corrente elétrica
atravessando músculos,
respiração,
pensamentos,
até transformar lucidez
em puro delírio.

A madrugada se curva diante da nossa febre.
As sombras observam caladas
enquanto nossos corpos escrevem,
um no outro,
uma história impossível de apagar.

Quando enfim repouso a fronte
contra ti,
percebo que ainda existe
uma fome intacta,
uma vontade insaciável
que não termina com o toque,
nem com o beijo,
nem com o silêncio.

Porque certos desejos
não procuram descanso.

Apenas outra oportunidade
de incendiar a noite
e renascer,
mais intensos,
nas brasas
que insistem em permanecer acesas.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2021

ROTEIRO DE NARRAÇÃO SENSUAL



CENA 1 — A INVESTIDA

Voz baixa, arrastada, quase um rosnado.
"Entro-te de uma só vez. 
Sem aviso. Sem delicadeza. 
Como se o mundo acabasse 
dentro deste segundo. 
Sinto a tua carne a ceder, 
a resistir, a ceder outra vez. 
E fico ali. Parado. No fundo. 
Onde o ar não chega e o calor é absoluto."


CENA 2 — A FOME HÚMIDA

Respiração mais acelerada, 
sons de fundo implícitos.
"Afundo-me no teu desejo, 
no teu vício húmido.
Horas que não são horas. 
És o poço onde eu me atiro sem corda. 
O suor une-nos, a pele escorrega, 
e eu não saio. 
Não quero sair. 
Quero ficar para sempre neste calor, neste aperto, 
neste silêncio que só nós dois entendemos."


CENA 3 — O CLIMAX

Voz a falhar, a rouquejar, 
o som a aproximar-se do microfone.
"E então... rompes. 
Sinto cada músculo teu 
a cerrar-se em volta de mim. 
Apertas. Grites. 
O corpo estala. 
Gelo. Fogo. Nada. 
Ficamos suspensos, presos no ápice, 
derretidos um no outro. 
Ofegantes. 
Desfeitos. 
E completos."


CENA 4 — O DESFECHO

Voz suave, pós-coital, mas ainda carregada de tensão.
"Depois... o silêncio. 
O quarto a girar. 
Tu dormes no meu peito, e eu ainda estou em ti.
 Derrotados. 
Inteiros. 
E famintos. 
Sempre famintos."




  Cléia Fialho

quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

SOBRE O AMOR



E sobre amor...
São os beijos e abraços
Deflagrando no corpo calor.

É o tempo que perde o compasso,
quando o instante se veste de flor.
É silêncio que fala em murmúrio,
no encontro de alma e tremor.

É o olhar que diz tudo sem voz,
um segredo escrito no ar.
É o mundo ficando tão longe,
quando só resta o amar.

E assim, no entrelaço dos dias,
o simples vira esplendor...
porque amar é chama que vive,
renascendo em cada fervor.





  Cléia Fialho

quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

MELODIA SECRETA



No calor da noite, onde os corpos se encontram em um dançar sedutor,  a pele se torna tela para os desejos mais profundos.
O toque suave dos dedos desperta arrepios que percorrem cada centímetro, como ondas de prazer.

Os lábios se procuram famintos, em um beijo que é fogo e paixão.
As línguas se entrelaçam, dançando uma melodia secreta que só eles conhecem.
Os suspiros se misturam, ecoando o desejo que os consome.

Despem-se as barreiras da timidez, revelando a nudez de corpos que anseiam pelo enlace.
Cada curva é explorada com mãos ávidas, descobrindo segredos ocultos e desvendando o prazer adormecido.

E assim, na fusão de peles e almas, entregam-se ao êxtase do momento.
O tempo se dilui em gemidos e sussurros, enquanto o amor se manifesta em movimentos intensos e ritmados.

Na penumbra do quarto, corpos entrelaçados dançam a dança do prazer, escrevendo uma história de entrega e luxúria.
E quando o clímax chega, é como uma explosão de estrelas no céu noturno, iluminando os corações apaixonados.

A sensualidade permeia cada palavra desse encontro íntimo, onde o corpo e a alma se encontram em uma sinfonia de prazer.
É um convite para explorar os limites da paixãoe se render aos instintos mais profundos.




  Cléia Fialho

terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

SEDUTOR



Sedutor...
suas mãos deslizam
sobre o meu corpo quente...
meus poros se dilatam...
minha respiração
torna-se ofegante...
por seu toque...
sua sede do meu amor.

No arrepio lento
que percorre minha pele,
teu desejo me envolve
numa chama suave e febril.
Teus olhos me despem
em silêncio ardente,
e meu corpo se entrega
ao fascínio do instante.

Entre suspiros e promessas,
o tempo perde o compasso,
e na dança dos sentidos
nos perdemos sem temor.
Sou verso em tua boca,
sou sonho em teu abraço,
enquanto tua paixão
desperta flores de amor.





  Cléia Fialho

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2021

O TEU GOSTO É O MAPA



Inclino a face sobre o teu caule quente,
e rasgo o fruto com os dentes como um animal.
Desço devorando cada curva, cada fonte,
e o suor escorre onde a boca faz sinal.

Tu és tronco, és fogo, és veia aberta,
e eu lambo a seiva que escorre sem dó.
Não há alívio na entrega — há oferta,
e o meu sorriso molhado é o teu troféu.

A garganta engole o que a língua provoca,
e os dedos apertam o que os lábios buscam.
Cada movimento meu é uma roca
que fia o desejo até que os corpos se ofuscam.

Beber-te é perder a sede e a razão,
é sentir o sal onde a pele arde mais.
Eu não te provo — eu sou a devoração,
e o teu gosto é o mapa que me faz imortal.




  Cléia Fialho

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domingo, 7 de fevereiro de 2021

PRAZER ROTINEIRO



No prazer rotineiro
Cotidianamente
Tudo é corriqueiro.

Mas no toque da pele,
Um arrepio desperta,
Labios que se entrelaçam
Como fios de seda em brasa.

O corpo se curva,
Suspiro vira chama,
No ritmo do dia a dia,
O desejo se alastra,
Molhado, urgente, eterno.




  Cléia Fialho

sábado, 6 de fevereiro de 2021

PRONTA PARA CONSUMO



Quando eu te encontrar
farei você perder-se em meu corpo
te lambuzarei com meus beijos
molharei tua pele com meu suor
até sentir que você não tem
mais para onde ir...

Vindo fazer morada dentro de mim
ardente e latejante te espero
madura no ponto pronta
para consumo quente e úmida.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

NA NOITE DE SEDUÇÃO



Em meio à penumbra da noite, o luar derrama seu prateado sobre a pele, revelando segredos ocultos nas curvas que dançam na suavidade dos lençóis de cetim.
O silêncio é apenas quebrado  pelo sussurro do vento, que acaricia os contornos com sua brisa morna.

As mãos, como artistas, traçam caminhos inexplorados, desenhando arrepios na pele macia e perfumada.
Lábios se encontram, famintos por um beijo roubado, explorando cada centímetro, como exploradores em uma terra desconhecida.

Os sentidos se entrelaçam, formando uma sinfonia de suspiros e gemidos.
O aroma do jasmim paira no ar, misturando-se ao desejo que queima como fogo.
Cada toque é uma promessa de prazer, uma entrega completa à paixão que arde.

Corpos se movem em um ritmo próprio, uma dança íntima e selvagem, guiada pelo compasso do coração que bate acelerado.
Os olhares se perdem no abismo um do outro, onde segredos são revelados, e almas se encontram no auge do êxtase.

Na noite de sedução, a paixão é escrita com suor e suspiros, e o amor é declamado em gemidos, transformando o quarto em um santuário de êxtase, onde dois corações se tornam um, entrelaçados no doce pecado da paixão.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

NA DANÇA DO TEU CORPO



Rodamos,
nus de pudor,
vestidos apenas de desejo.

Teu corpo roça o meu —
e o mundo se apaga.

As curvas que me chamam
são promessas molhadas
de prazer sem fronteira.
Cada movimento teu
é um feitiço
que acende minha pele
em labaredas silenciosas.

Nossos olhos,
incendiados,
se devoram sem pressa,
mas famintos.

Minhas mãos exploram
o mapa do teu delírio,
e cada toque
é um sussurro
que treme entre gemidos.

A carne, insana,
pede mais —
clama, suplica,
e se rende
à loucura da tua presença.

Te beijo fundo,
onde tua alma estremece,
e nesse gozo mútuo
nós queimamos juntos,
sem medo do incêndio.

Mas é preciso saber:
há um perigo doce nessa dança —
pois quem gira em torno da luxúria
não sai ileso.

E ainda assim,
me jogo.

Pois teu corpo é labirinto,
e eu, sem querer saída,
me perco
na tua vertigem.





  Cléia Fialho