TOCA DA LEOA
Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

quarta-feira, 20 de outubro de 2021

CELEBREMOS O "DIA DO POETA"



No Dia do Poeta, celebramos a magia das palavras
Elevando versos, rimas e sentimentos às alturas
Nas asas da imaginação, voamos por universos
Onde a poesia é a luz que guia nossas aventuras.
 
O poeta é um alquimista, transformando dor em beleza
Na forja das emoções, forjando versos com destreza
Com metáforas e trocadilhos, cria seu próprio mundo
Onde a melodia das palavras é o som mais profundo.
 
No coração do poeta, habita o pulsar da paixão
E a tinta de suas palavras colore a escuridão
Ele encontra a poesia na simplicidade do dia a dia
E com versos, expressa o que de outro modo fugiria.
 
No Dia do Poeta, celebremos essa arte divina
Que nos faz enxergar o mundo de forma mais genuína
Que nos conecta com a alma de maneira profunda
O poeta é mais que um ser, é um presente que abunda.
 
Assim, erguemos nossas canetas e aplaudimos de pé
Aqueles que têm a poesia como sua maior fé
No Dia do Poeta, celebremos o poder das palavras
Que nos inspiram, são tantas emoções emaranhadas.




  Cléia Fialho

terça-feira, 19 de outubro de 2021

ÊXTASE PROIBIDO



Dedos deslizam, entrando sem pressa,
Tocam a virilha com fome e insistência,
Gemidos se tornam gritos, a pele aquece,
O corpo se entrega ao gozo, pura essência.

Na boca, o sabor do desejo intenso,
Orgasmo explode em ondas sem controle,
Gozar é rito, é fogo imenso,
No embalo do prazer que invade o solfejo.

Cada suspiro é convite e loucura,
O gozo lateja, escapa em sussurros,
No calor da noite, a entrega é pura,

O corpo vibra, os sentidos são puros,
Entrelaçados, no ápice da paixão,
Somos fogo, somos pura explosão.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 18 de outubro de 2021

PRAZER QUE NOS ARRASTA



Chegas enfim, depois de uma eternidade sem pele,  
a porta mal respira e já te lanço contra o muro,  
minha boca faminta rasga o espaço,  
procura tua língua como fera solta,  
um beijo que não conhece pudor,  
um mergulho sem retorno.  

Teu pescoço é território de gritos,  
minha voz explode contra tua nuca,  
meus dedos deixam marcas de unhas,  
meu suor se mistura ao teu,  
somos tempestade que não pede permissão.  

Arranco o tecido que te veste,  
cada botão é uma queda,  
cada rasgo é um rito,  
minha boca percorre tua pele em brasas,  
meu sopro é incêndio que se espalha,  
meu toque é faca que abre caminho.  

Teu corpo cresce dentro do meu,  
um rio que transborda,  
um trovão que se ergue,  
um animal que desperta.  
E eu me entrego inteira,  
crua, selvagem,  
como se o mundo fosse apenas este instante.  

O chão desaparece,  
somos carne contra carne,  
somos vertigem que não conhece limites,  
somos gemido que rasga o ar,  
somos tremor que não se cala.  

Teus olhos queimam,  
minha língua percorre abismos,  
meu corpo se curva em oferenda.

E quando o último véu cai,  
não há mais nada além da entrega,  
do desejo nu,  
da selvageria que nos engole,  
do fogo que nos consome,  
do prazer que nos arrasta,  
visceral, arrebatador,  
sem retorno. 




  Cléia Fialho

domingo, 17 de outubro de 2021

PELOS TEUS CONTORNOS



Quero descifrar a geografia
Dessa carne que arde em silêncio,
Onde o tempo perde a lógica
E o mundo exterior se desliga.

Teu suor é sal da minha sede,
Mapa úmido de desejo puro,
Cada gota é uma rede
Que me prende ao teu futuro.

Percorremos sem pressa os instintos,
Navegando mares de pele,
Onde a respiração se entrelaça
Numa dança de alma e carne.

Correndo não para chegar,
Mas para sentir o agora,
Onde cada toque é um lugar
De paz e de loucura nova.

Deslizo pelos teus contornos,
Lendo a história dos teus olhos,
Enquanto o fogo dos nossos corpos
Se torna um único ato de amor.

Não há mapa, não há roteiro,
Apenas a curva do teu quadril,
Onde encontro o meu refúgio
E o meu mais doce abismo.

Deixa que o suor nos unifique,
Que a pele seja o nosso livro,
E no ritmo lento e profundo,
Nos percam, para nos encontrarmos.




  Cléia Fialho

sábado, 16 de outubro de 2021

VEÍCULO D'ALMA



Poesia que me tomas
veículo d’alma
Leva-me além
das margens do real

Asas da intuição
sem pauta ou palma
Eu exploro o universo
como um coral.

Voz que vibra em silêncios,
maré que me invade,
Desenhas sentidos
no sopro do sentir.
Sou verso errante,
ânsia e liberdade,
Pulso que aprende
a eternidade existir.

Entre luz e mistério
me faço inteira,
Teu ritmo me veste
de céu e vertigem.
Poesia — chama primeira —
sou tua morada,
e em ti, eternamente,
me reinvento origem.





  Cléia Fialho

sexta-feira, 15 de outubro de 2021

VALE MORNO ENTRE MEUS SEIOS



Saboreamos o fogo que nos consome.
O tempo se curva aos nossos desejos.
Olhos nos olhos,
expressamos o que sentimos.

E enquanto o mundo lá fora insiste
em seu compasso de relógios exaustos,
nós dois inventamos um relógio novo
feito de bocas colando-se e afastando-se,
de mãos que descem pela coluna
como quem lê um verso com os dedos.

Deitas-me devagar sobre o lençol quente,
abres-me as coxas com a paciência dos que sabem
que a pressa é inimiga do gozo profundo,
e a tua boca desce por mim em espiral lenta,
demora-se no vale morno entre os meus seios,
morde-me a curva sensível dos flancos,
prova-me o ventre com a língua molhada,
até chegar onde eu já te espero
desde o primeiro olhar desta noite.

Provas-me sem pressa nenhuma,
como quem tem a noite inteira nas mãos.
Cada movimento da tua língua é um verso,
cada suspiro rouco que sais é uma vírgula,
cada mordida delicada é ponto de exclamação
gravado a fogo nas dobras da minha carne.

Arqueio-me contra a tua boca faminta,
enterro os dedos no teu cabelo,
puxo-te para mim com uma exigência
que só o desejo mais visceral conhece,
e tu ris rouco contra o meu ventre,
sabendo perfeitamente onde me perder.

Vim contra a tua boca com um grito abafado,
mas tu não paras — nunca paras quando eu peço.
Sobes por mim beijando o caminho que percorreste,
provo-me em ti quando os teus lábios encontram os meus,
e entras em mim de uma só vez, fundo, obsceno,
até o meu corpo inteiro ceder ao teu peso.

Movemo-nos no compasso antigo dos amantes,
quadril contra quadril, ventre contra ventre,
suor a escorrer entre os nossos peitos colados,
gemidos que já não pertencem a nenhum dos dois
porque se misturaram no ar até virarem só um som,
uma única súplica selvagem de duas gargantas.

Ergues-me as ancas com as mãos firmes,
enterras-te ainda mais fundo, ainda mais teu,
e a minha voz rasga o silêncio do quarto
num grito que amanhã os vizinhos hão-de fingir não ter ouvido.

Não paras. Não parei eu. Não paramos.
Cavalgamos a noite até as tábuas do soalho tremerem,
até o lençol se torcer em farrapos molhados,
até a manhã espreitar tímida por trás da persiana
e o nosso primeiro raio de sol nos apanhar ainda enroscados,
tu ainda dentro de mim, exaustos, sorrindo em silêncio.

E foi aí — só aí — que percebi
que a redenção que procurávamos não era da alma:
era da carne, do ventre, da boca, da pele,
da coragem obscena de nos entregarmos inteiros
sem contrato, sem pudor, sem defesa nenhuma —
tu, dentro de mim; eu, entregue a ti —
e o mundo lá fora, pequeno, distante, esquecido,
enquanto nós dois inventamos um evangelho novo
feito de gemido, gozo e madrugada.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 14 de outubro de 2021

quarta-feira, 13 de outubro de 2021

MESMO QUE DURE POUCO


Paixão não pergunta se pode.
Ela chega.
Bagunça o cabelo,
atrasa o relógio,
e faz o coração bater
como se tivesse esquecido como era.

É olhar e esquecer o que ia dizer.
É rir de coisa boba
até a barriga doer.
É pensar na pessoa
no meio da reunião,
no trânsito,
lavando louça.

Paixão é urgência boa.
É querer contar tudo
e ao mesmo tempo
guardar segredo
pra ter motivo de conversar de novo.

É frio na barriga
quando o nome aparece na tela.
É replay mental
de cada gesto,
cada palavra torta,
cada silêncio que disse mais
que mil frases.

Paixão não mede consequência.
Ela só quer agora.
Quer pele, quer voz,
quer "vem cá"
quer "fica mais um pouco".

E também cansa.
Porque arde.
Porque não dorme.
Porque transforma café fraco
em insônia gostosa.

Mas que coisa boa é ter paixão, né?
Mesmo que dure pouco.
Mesmo que doa depois.
Ela lembra a gente
que por dentro
ainda tem fogo.
Ainda tem vontade.
Ainda tem vida.

E quando passa,
deixa saudade e deixa marca.
E a gente, com a marca,
aprende a amar
com mais coragem
na próxima vez.




  Cléia Fialho

terça-feira, 12 de outubro de 2021