TOCA DA LEOA
Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia





sexta-feira, 8 de julho de 2022

VIRA-ME — CARRASCO MEU



Prendes-me contra a cortina de veludo espesso,
o tecido cede sob o peso das minhas ancas trémulas,
cada arremetida tua é golpe rasgado, brutal, sucesso,
e cada gozo meu grita por mais fúria, mais súmulas.

O motel inteiro estremece com o ranger da nossa guerra,
paredes finas sabem o meu grito, 
os teus dentes na minha nuca,
és meu carrasco explícito, fera que não se encerra,
teu punho no meu cabelo, tua língua que me mastruca.

Depois viras-me contra a mesa suja de copos entornados,
o vidro cai, o vinho tinto pinta o chão de pecado,
cada estocada é trovão, cada orgasmo desabado,
o meu ventre estala, os meus dedos cravam-se na madeira.

Prendes-me contra o espelho embaciado do quarto,
o meu reflexo mostra-me despedaçada de gozo cru,
cada gemido rasgado é confissão sem farto,
cada tremor teu por dentro é veneno que só cura em nu.

Toma-me como quiseres 
— de pé, de bruços, ajoelhada,
enche-me até rebentar a costura do lençol e do desejo,
sou tua boneca obscena, tua fêmea abrasada,
tua puta, tua rainha, tua rainha do beijo.

E quando o sol romper no vidro sujo da janela,
que me encontre ainda de gatas sobre a alcatifa manchada,
com o teu gozo escorrendo, com a boca ainda em vela,
pronta para a última 
— e a próxima 
— investida esperada.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 7 de julho de 2022

CORPOS EM CHAMAS


O fogo do desejo queimando no corpo.  
A carne pedindo mais, sem pausa.  
Explosão de prazer, 
suando, se misturando.  

Antes, durante, depois 
— tudo é excesso.  
Um frenesi de corpos entrelaçados, 
febre sem nome.  
Lá fora a chuva cai gelada, indiferente.  
Aqui dentro só existe o ardor, 
o resto não importa.  

Tua nudez inteira.  
Cada gesto é palavra.  
Teu corpo fala sem voz.  
E eu escuto com a pele.  




  Cléia Fialho

quarta-feira, 6 de julho de 2022

UM MURMÚRIO TEU


Um murmúrio teu — baixo, molhado —
escapa da tua boca
antes que a minha pele o mereça,
e já me faz arquear as costas
como se me tivesses tocado o osso.

Suspiras contra o meu ombro
e o teu suspiro tem peso —
peso de mão que puxa,
peso de coxa que abre,
peso de tudo o que ainda não fizeste
mas já me anunciaste.

Partilhamos o silêncio
que só os corpos famintos entendem,
o afeto que morde
sem deixar de ser afeto,
a ternura que se aprofunda
até virar exigência.

O instante alarga-se,
lento, obsceno, teimoso —
minutos que sabem a horas,
segundos que incham como carne,
enquanto a tua boca explora
a curva onde eu me rendo.

Doce exploração, disseste tu.
Feroz mansidão, digo eu,
enquanto o teu corpo me embarga
o pensamento inteiro,
e eu adormeço acordada
debaixo da tua fome.




  Cléia Fialho

terça-feira, 5 de julho de 2022

NOSSO GRITO AFLITO



Onde ecoa o nosso grito aflito
eu omito... e nem cogito
Cuidando que o meu olhar
não venha a nos condenar

Mantenho-me em silêncio
não reflito este sentimento
Como palavras soltas ao vento
coração bate em abafamento

Que meus lábios não pronunciem
e meus desejos não evidenciem
O seu nome, meu proibido amor
as súplicas de querer-te a cada alvor.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 4 de julho de 2022

FOGO DE PAIXÃO  — UMA DANÇA DE VERSOS



 — A Chama do Amor — 

Amor, a cada segundo longe de ti, sinto a eternidade passar,
Cada noite é um sonho ardente, mas falta o toque real.
Nos meus devaneios, desenhei teus lábios em suaves curvas,
Imaginando teu corpo, pronto para me envolver por completo.


 — O Desejo em Movimento — 

Movimento-me lentamente, degustando o desejo que nos une,
Depois, em velocidade, mergulho fundo, sem limites.
Ofereço-te meu ser, como fera faminta,
Toca-me, consome-me, com ardente paixão.


 —  Intensidade do Encontro — 

Nos teus braços, sinto um calor que me devora,
Teus olhos são chamas que iluminam a escuridão.
Entre suspiros, nossos corações batem em harmonia,
Cada toque é uma explosão de pura emoção.


 — A Sublime Conexão — 

Tua presença é a melodia que embala meus dias,
Um ritmo hipnotizante que encanta a alma.
Nosso amor é um fogo que nunca se apaga,
Queima intensamente, em uma dança sem fim.


 — O Eterno Abraço — 

Na quietude da noite, tornamo-nos um só,
Perdidos na imensidão do nosso universo.
A paixão que nos une transcende o tempo,
E nos consome, como uma chama eterna.


 — O Êxtase Final — 

No auge do desejo, os corpos se encontram,
Uma sinfonia de suspiros e gemidos se faz ouvir.
O clímax se aproxima, inevitável e intenso,
E juntos, chegamos ao êxtase sublime.


 — Atração Irresistível — 

Nossos olhares se cruzam, imãs invisíveis nos atraem,
A energia entre nós é palpável e real.
Cada encontro é uma dança de sedução,
Uma doce batalha, onde ambos saímos vitoriosos.




  Cléia Fialho

domingo, 3 de julho de 2022

CARTOGRAFIA DA TUA PELE


Meus lábios lentos,
desenham em ti um mapa
que só a minha língua sabe ler.

Provo-te devagar,
demoro-me na curva do teu peito,
desço em espiral pelo teu ventre,
prendo-me no vale morno
onde a tua respiração se acelera.

Cada beijo é um alfinete
que crava o desejo mais fundo,
cada mordida é um sussurro
que a tua pele responde
com um arrepio inteiro.

Percorro-te sem pressa,
saboreando o sal
que teu corpo derrama,
o gosto salgado e obsceno
de quem se rende antes de pedir.

A minha boca é fome antiga,
mel espesso, seda em brasa,
e tu — cordilheira despida —
tremes por dentro
antes mesmo que eu chegue
ao teu centro faminto.

E quando enfim me demoro
no lugar onde a tua sede mora,
gemes rouco, cavalgas o instante,
e eu bebo-te inteiro
como quem descobre
o único oásis
que sabe matar a minha sede.




  Cléia Fialho

sábado, 2 de julho de 2022

UM ÚNICO GRITO


Quero cair onde a calma se desfaz
Nesse querer que escorre mel na pele
Sob o brilho que queima descendo do céu
Onde a vontade se torna grito e sussurro nos lençóis

Te encontrar no limite da respiração
Onde o toque é linguagem e o olhar é comando
Tua boca — um mapa proibido que eu desço
Minhas mãos avessando fronteiras 
de um corpo que se arqueia

Não há mais silêncio onde o suor fala
Cada músculo teso um verso que eu recito
A pressa do meu sangue em tua curva
O abismo e a vontade — um único grito

Deixa a luz cair sobre nós dois trêmulos
Enquanto a voz deixa de pedir e ordena
Aqui ninguém busca calma
Aqui o fim é só o começo de um arder que não cessa.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 1 de julho de 2022

NO CALOR DA NOITE



Nossos corpos dançam no calor da noite
Sussurros e toques, um jogo a brincar
Chamas ardentes que não podem se apagar
Cada movimento é uma promessa a açoite.

A pele arrepia, no desejo a se entrelaçar
Segredos compartilhados no olhar

Nesta dança íntima, não há como recuar
O tempo parece parar, tudo é afoite
A paixão nos consome, sem limites a guiar
Nesse momento, somos um só a vibrar.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 30 de junho de 2022

COMO LÍNGUA DE FOGO



Tuas mãos não tocam —
elas invadem como língua de fogo em carne viva.
Não há leveza 
— há garra, há dente, há sede.
Cada dedo é unha raspando o avesso do meu silêncio.

Teu toque não acaricia: ele desbrava
fundeia na curva do quadril
escava a nuca
morde a coxa por dentro
e eu tremo igual animal pressentindo o abate.

Tuas palmas escorregam suor e fúria
desenham ciclones na minha espinha.
E enquanto descem
minhas vísceras viram rio
meu peito vira grito
meu sexo vira fera pronta pra morder tua mão.

Não peço calma — peço o estrondo
que tuas unhas prometem quando roçam meu ventre.
Quero que tua mão feche como garra no meu pescoço
enquanto a outra me abre
como fruta
como ferida
como porta que não tranca mais

Teu dedo mindinho desce devagar
e cada milímetro que ele ganha
eu perco o chão
perco o medo
e fico só esse músculo quente
implorando pra ser mordido de novo.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 29 de junho de 2022

O ENCANTO DOS SENTIDO



Na penumbra dos desejos,
onde os sussurros se fazem canção,
nossos corpos dançam em um compasso
de pura sedução.

Toques suaves como brisa,
despertando a pele em chamas,
olhares que falam mais que palavras,
um convite ao desconhecido que se ama.

E no silêncio que sobra entre o gemido,
o universo cabe no vão da cama,
teu nome escapa em sopro perdido,
e meu corpo te decifra em chama.

Somos vertigem, abismo e expansão,
dois corpos que o infinito fez seu lar,
te perder em mim é minha direção,
e te encontrar é nunca mais voltar.




  Cléia Fialho