Prendes-me contra a cortina de veludo espesso,
o tecido cede sob o peso das minhas ancas trémulas,
cada arremetida tua é golpe rasgado, brutal, sucesso,
e cada gozo meu grita por mais fúria, mais súmulas.
O motel inteiro estremece com o ranger da nossa guerra,
paredes finas sabem o meu grito,
os teus dentes na minha nuca,
és meu carrasco explícito, fera que não se encerra,
teu punho no meu cabelo, tua língua que me mastruca.
Depois viras-me contra a mesa suja de copos entornados,
o vidro cai, o vinho tinto pinta o chão de pecado,
cada estocada é trovão, cada orgasmo desabado,
o meu ventre estala, os meus dedos cravam-se na madeira.
Prendes-me contra o espelho embaciado do quarto,
o meu reflexo mostra-me despedaçada de gozo cru,
cada gemido rasgado é confissão sem farto,
cada tremor teu por dentro é veneno que só cura em nu.
Toma-me como quiseres
— de pé, de bruços, ajoelhada,
enche-me até rebentar a costura do lençol e do desejo,
sou tua boneca obscena, tua fêmea abrasada,
tua puta, tua rainha, tua rainha do beijo.
E quando o sol romper no vidro sujo da janela,
que me encontre ainda de gatas sobre a alcatifa manchada,
com o teu gozo escorrendo, com a boca ainda em vela,
pronta para a última
— e a próxima
— investida esperada.
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