TOCA DA LEOA
Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia





quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

CADA GOLE DESSE NÉCTAR



O tempo aqui não passa; 
— ele fermenta —
Temos paciência de alquimistas
preparando o vinho raro
que só a nossa pele conhece,
um fermento de desejo que apura o paladar
até que a boca não saiba mais
onde termina o sabor do outro.

Não beijo apenas teus lábios; eu os degusto,
buscando as notas ocultas,
a doçura que se mistura à volúpia,
numa dança onde o gosto vira vertigem.
Cada gole desse néctar me deixa mais faminto,
um banquete servido na penumbra
onde a única regra é a nossa fome insaciável.

Nossos corpos são o cálice e o vinho,
numa embriaguez que não busca o fim,
mas a repetição incessante do próximo gole.
A chama aqui é combustível e fogo,
um deleite que arde e alimenta,
deixando no ar o rastro de algo que é,
simultaneamente,
o nosso vício mais doce
e a nossa marca mais profunda.




  Cléia Fialho

terça-feira, 12 de janeiro de 2016

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

SINTO CADA MILÍMETRO



Sob o brilho da lua, que observa indiferente,
a pele descobre o seu próprio mapa.
Um toque — sutil, quase um sussurro —
desperta o mistério que habita o teu corpo
e inaugura a nossa dança.

O desejo não pede licença; ele escorre.
Gota a gota, a essência se revela,
uma umidade que é linguagem,
enquanto o coração dita o ritmo
no pulsar descompassado da intimidade.

— Sinto cada milímetro do que você é.
Sou o território que você explora
— sem mapas.

Em pleno éter da nossa entrega,
o mundo lá fora se torna silêncio.
Despidos de qualquer armadura,
nossos corpos se entrelaçam —
transformando a carne em nota,
o movimento em melodia,
e o nosso ato, finalmente, em uma canção
que só nós sabemos entoar.




  Cléia Fialho

domingo, 10 de janeiro de 2016

EM RITMO VIBRANTE



Repouso o rosto em teu peito, porto e calma,
Onde o desejo em ondas se desenrola,
O calor do teu corpo, o afeto se consola,
O pulso lento enfim beija a minha alma.

Traço com a boca a curva que se exala,
Nesta geografia de fogo que me impele,
Onde o carinho na palma da tua pele,
Dita o compasso que o prazer escala.

Desse calor que emana, nasce o abrigo,
Um universo inteiro em cada instante,
Onde o amor é o dom que trago comigo.

Corpos em brasa, em ritmo vibrante,
No eterno verso que escrevo contigo,
Somos a imensidão, puro diamante.




  Cléia Fialho

sábado, 9 de janeiro de 2016

ROÇO-ME EM TI



Roço-me em ti para sentir teu vigor,
Desperto o fogo que em teu peito acende,
O toque, em brasa, a alma logo rende,
Nesse compasso insano de esplendor.

É uma dança em que o corpo é tradutor,
De um desejo que o limite não compreende,
Na pele, o rastro do prazer se estende,
Numa entrega que não pede mais favor.

Sinto pulsar teu centro, o meu abrigo,
No emaranhado de sentidos nus,
Perdidos nesse rito, em puro vício.

Somos um só no rastro dessa luz,
Roço-me em ti, te guardo como antigo,
Nesse laço de amor que nos conduz.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

O GOZO É O NOSSO BÁLSAMO



Livre de amarras, sigo o meu desejo,
Exploro a tua forma, o gesto calmo,
O suor, o gozo é o nosso bálsamo
Da pele que devora o próprio beijo.

A mão percorre o que é carne e ensejo,
O arrepio é o mapa, o fogo o palmo,
Neste delírio que nos traz o alamo,
De tudo o que sinto e tudo que vejo.

Há uma magia antiga no contato,
Que acalma a alma e faz o peito arder,
No abraço que dispensa qualquer trato.

É o poder de enfim nos pertencer,
Neste encontro que faz do amor o fato,
E do toque, a razão de ser e viver.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

JOGO DOS DESEJOS



De novo, esse decote que insiste 
em revelar o que é proibido,
Meus olhos perdem o rumo, 
presos nessa curva que me atrai.
Para de provocar, mulher... 
não brinque com o fogo
Que você mesma acendeu 
e que agora em mim se espalha.
DRM


E se eu brinco é porque sei 
o calor que o meu jogo desperta,
Gosto de ver o teu desatino, 
o teu olhar que me busca e me segue.
Dizes que é ilógico, 
mas essa tua urgência me revela,
Odeio o teu jeito mandão, 
mas amo o efeito que ele tem em mim.
CF


É quase insuportável ver só isso, 
sentir apenas esse gosto de longe...
Odeio o fato de você ainda não estar aqui,
rendida sob o meu comando.
Quero você assim, 
com esse ar descuidado, 
a pele à espera do meu toque,
Esta noite você é minha, 
sem desculpas, 
sem fronteiras.
DRM


Chego até ti com esse ar que te consome, 
a pele pronta para o teu abrigo.
O caminho até você foi traiçoeiro,
mas o prêmio vale cada passo dado.
Pois aqui estou, 
com o vestido curto 
e a vontade despida,
Sem nada entre ele e a minha pele, 
esperando que me tomes...
CF


Este é o meu presente, 
um mar de toques, 
de desejo reprimido.
O tempo parou para nós dois,
o universo encolheu-se neste quarto.
DRM


Que cada segundo valha a pena, 
que a chama não se apague...
O mundo lá fora silencia; 
aqui dentro, 
só existe o nosso agora.
CF




  Cléia Fialho & Don Juan DeMarco

quarta-feira, 6 de janeiro de 2016

TURBILHÃO DE INSTINTOS DESENFREADOS



Um sussurro percorre a pele 
como promessa proibida,
enquanto a vontade, 
até aqui contida,
explode em um turbilhão 
de instintos desenfreados,
neste delírio febril que 
me impele aos teus lados,
buscando o teu corpo com 
a urgência de quem precisa,
na busca constante de quem, 
em ti, se divisa.

Sinto tua respiração quente 
roçando o meu pescoço,
acelerando o sangue, 
teu cheiro invade o espaço, 
todo o meu pensamento,
tornando o desejo o vício, 
o único sustento,
pois aqui, na entrega, 
o sentir é a única verdade,
que não admite espera 
e clama por intensidade.

O tempo se esvai, 
dissolve-se em mãos entrelaçadas,
no calor que nos consome em noites viciadas,
o cio insiste em despertar camadas lá no fundo,
fomes que a razão desconhece neste mundo,
e o corpo, 
em sua sabedoria bruta e tão honesta,
não trai a verdade que, 
em nós, agora resta.




  Cléia Fialho

terça-feira, 5 de janeiro de 2016

segunda-feira, 4 de janeiro de 2016

ONDE O DESEJO SE DERRAMA



Teu corpo em fogo, me chama,
no sussurro que faz estremecer,
onde o desejo se derrama,
e a noite vem se acender.

Nossos lençóis são o palco do abismo,
onde a carícia é lei que se escreve,
perdemos o prumo, perdemos o ritmo,
nesta entrega que a carne recebe.

A mão, exploradora de novos roteiros,
desce lenta, marcando o teu mapa,
acendendo em nós os desejos inteiros,
enquanto o juízo, num sopro, escapa.

É um mergulho sem bordas ou medo,
em oceanos de pele e suor,
guardamos no toque o nosso segredo,
aumentando, em silêncio, o ardor.

E quando o fôlego falta no peito,
e o mundo se apaga lá fora,
somos o gozo, somos o jeito,
de eternizar cada instante agora.




  Cléia Fialho

sábado, 2 de janeiro de 2016

sexta-feira, 1 de janeiro de 2016

FLUXO DE CORPOS



O movimento é um compasso que a pele dita,
um encaixe preciso onde o desejo,
enfim, se reconhece.
Já não há divisões, apenas o fluxo
de corpos que se tornam um só território.

O prazer se escreve sem a necessidade de grafia:
cada suspiro é uma nota,
cada contração, uma estrofe que se desprende
no ar denso da alcova.
É uma cartografia desenhada pelo calor,
onde as mãos esculpem, sem hesitar,
as curvas da tua entrega.

Tudo o que chamávamos de limite se desfaz,
derretido pela temperatura do que sinto por ti.
Nesta viagem noturna,
o silêncio não é ausência de som,
mas a tradução mais pura da luxúria.
O desejo, livre de contornos ou nomes,
respira no espaço que criamos
e pulsa, vivo, na pele que agora,
finalmente, se traduz em mim.




  Cléia Fialho