O ar aqui dentro rareia, vira fumaça densa,
um curto-circuito invisível que estanca o tempo.
Basta o teu reflexo cruzar a penumbra da sala
para que o meu mundo perca o eixo e desabe.
Tu és a tontura que recusa o remédio,
o eco de uma voz que me chama no meio do breu.
Minhas mãos buscam o vazio onde o teu calor insiste,
uma febre cega que me consome por dentro.
Não há lógica que resista a esse ímã,
a essa eletricidade estática que arrepia a pele inteira.
Olhar-te nos olhos é despencar de um penhasco,
sabendo perfeitamente que não haverá chão.
E no delírio de te querer inteira, de te buscar no escuro,
a sanidade se desmancha como papel na chuva.
Ficamos nós, suspensos no limite do abismo,
queimando na ânsia de um fogo que nunca se apaga.
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