TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

UM CÂNTICO À VIDA




Sob o luar que banha a noite serena
Desperta em mim a inspiração divina
Versos surgem como chamas na pena
Revelando emoções d'alma genuína.

Com métrica e rima, a poesia floresce
Palavras dançam em harmonia perfeita
No soneto, a alma se expõe e se aquece
Perdida em verso, uma história se enfeita.

Expresso amores, dores e esperanças
Descrevo paisagens e sonhos profundos
O soneto é um refúgio nas lembranças.

Um cântico à vida em seus segundos
Que a poesia siga eterna em seu encanto
Encantando corações, eternizando o canto.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

SUOR MISTURADO




Quando a luz nascer, corpos cansados,
Não busques o rastro dos dias perdidos,
Eles se dissolveram nos nossos espaços,
No suor misturado, nos desejos partidos.

Entre as pernas, a sede e a fome antiga,
Entre o toque ardente e a pele rendida,
Essência que pulsa, chama que abriga,

No êxtase feroz da entrega vivida,
Nos minutos que queimam e nunca cessam,
Moram as horas que o tempo esquiva,

Nos corpos que se buscam e se entrelaçam,
Na febre que arde, no desejo que cresce,
No amor que devora e jamais desaparece.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

O CALOR ABAFADO DO QUARTO



Estava de quatro sobre o colchão, os joelhos afundados no lençol encharcado de suor, a testa pressionada contra a nuca exposta dele. O calor abafado do quarto colava-lhe a pele às costas largas à sua frente, cada respiração dos dois sincronizada no mesmo ritmo pesado. 

Sentiu o caralho engrossar dentro da ruca, o anel a esticar-se devagar, a ceder à pressão lenta e funda que o enchia por dentro. O corpo dele tremia ligeiramente a cada investida, os músculos das costas a contraírem-se sob a luz pálida da rua que atravessava a persiana.

As unhas cravaram-se nos ombros dele. Primeiro a ponta, depois a pressão inteira, a afundar-se na pele quente e suada até deixar rastos vermelhos que brilhavam com o suor. Precisava de se aguentar a alguma coisa — aquele caralho a crescer dentro dele ameaçava desmontá-lo por dentro, e as unhas eram a única âncora que tinha.

Ele murmurou qualquer coisa inaudível, um som grave que vibrou contra a testa ainda colada à sua nuca, e empurrou mais fundo. O ritmo era lento, profundo, os testículos a baterem contra o períneo num compasso constante que fazia o corpo inteiro estremecer. O suor escorria pelas costas dele, misturava-se com o do seu peito, e o som molhado da pele contra pele enchia o quarto escuro.

Mordeu o lábio com força para não gritar. O gemido escapou na mesma — um som áspero, cortado, que se perdeu contra a nuca exposta. Abriu a boca contra a pele salgada e o primeiro grito subiu na garganta.

O primeiro grito saiu-lhe da garganta como uma golfada — áspero, rouco, directo contra a nuca exposta. A boca aberta colada à pele salgada, o som a vibrar nos músculos tensos do pescoço dele, a afogar-se no suor que escorria. Não o conteve. Deixou-o rasgar o ar abafado do quarto, a voz a embater nas costas largas e a voltar para trás, para dentro de si.

As unhas cravaram-se nos ombros e rasgaram para baixo. Do trapézio até à lombar, dez rastos vermelhos que se abriam na pele suada como sulcos na terra seca. O suor escorreu para dentro das marcas, ardeu, e ele gemeu — um som grave que tremeu no peito e se perdeu contra o lençol. O caralho dentro da ruca pulsou mais forte, mais grosso, e o ritmo mudou.

Agora era duro. Rápido. As estocadas entravam até ao fundo, as bolas a baterem no períneo com um estalo molhado que se repetia cada vez mais depressa. O corpo dele batia contra o seu, o som da pele suada a encher o quarto, e o segundo grito já não foi só voz — foi um gemido alto e ininterrupto que saiu com cada investida, a encher-lhe a nuca, os ombros, as costas inteiras.

A ruca apertou o caralho num espasmo. Primeiro um, depois outro, depois uma sucessão de contrações que o agarraram por dentro e não largaram. Líquido pré-seminal escorreu pelo períneo, quente e viscoso, a misturar-se com o suor que já cobria tudo. As unhas cravaram-se outra vez, agora na carne viva das costas marcadas, e o corpo dele estremeceu.

O sémen jorrou dentro da ruca — um jorro quente que encheu o canal e escorreu para fora quando o caralho continuou a bombear. O gemido dele tornou-se um urro abafado contra o colchão, e o seu próprio sémen jorrou contra o lençol em espasmos, um atrás do outro, o grito a sair-lhe da garganta sem parar, a voz a vibrar na nuca exposta, a tempestade a rebentar por dentro e por fora.

O corpo convulsionou contra as costas dele. Um tremor incontrolável que lhe sacudiu os músculos todos, o suor a pingar da nuca dele para a sua boca aberta, o gosto salgado a encher-lhe a língua. Os dois colapsaram juntos, o caralho dele ainda dentro da ruca, tremendo.

O caralho dele escorregou devagar, ainda duro, ainda quente. A glande passou pelo esfíncter com um estalido húmido, e o sémen veio atrás — uma golfada morna que escorreu pela fenda, pelo períneo, a pingar no lençol já encharcado. O corpo dele ainda tremia, os músculos das costas a contraírem-se em espasmos pequenos, e o ar cheirava a suor e a sémen e a sal.

Os dedos tocaram-lhe as costas. As marcas estavam lá — oito linhas vermelhas, quatro de cada lado, da base das omoplatas até às costelas. Traçou-as com a ponta dos dedos, devagar, a seguir cada rasto que as unhas tinham deixado. A pele estava quente, inchada nos sulcos mais fundos, e ele sentiu o corpo dele estremecer ao toque. Não disse nada. Deixou os dedos pousados sobre as marcas, a palma da mão aberta contra a pele suada, e fechou os olhos.

Ele virou-se. O movimento foi lento, pesado, o peito a rodar sobre o colchão até ficarem frente a frente. Passou o braço por trás das costas dele e puxou-o contra o peito — um puxão firme, sem pressa, a palma da mão a assentar na nuca exposta. O suor dos dois misturou-se. O peito dele subia e descia, a respiração ainda pesada mas a abrandar, e o coração batia-lhe contra as costelas com uma força que se ouvia no silêncio do quarto.

A respiração foi abrandando. O calor abafado do verão continuava ali, a luz da rua a riscar a persiana, mas a tempestade já tinha passado. O corpo dele deixou de tremer. Os músculos descontraíram-se, o peso do braço dele sobre as costas era uma âncora, e o silêncio entre eles já não pedia nada.

Encostou a testa contra a nuca dele e respirou fundo, a tempestade já passada.




  Cléia Fialho

domingo, 22 de fevereiro de 2026

BROTA LÁ DO FUNDO


No galpão da madrugada,
cantei pro tempo calar,
numa trova bem sentida
que nasceu sem me avisar.

Veio mansa feito brisa,
veio forte feito trovão,
e esparramou-se no mundo
feito voz do coração.

Não sou de calar verdades
quando o peito quer falar,
nem deixo verso guardado
se ele insiste em galopar.


Nas rédeas da inspiração
laço a palavra campeira,
que me brota lá do fundo
como água de sanga inteira.

Tem raiz no meu tropeço,
tem memória de saudade,
mas também canta esperança
numa estrofa de verdade.


Pois quem ouve o tom da alma
sabe o peso do que digo —
não é verso de enfeite,
é o que trago como abrigo!





  Cléia Fialho

sábado, 21 de fevereiro de 2026

UM LADO ROMÂNTICO



Você fez eu expor
 minhas fraquezas
 e fragilidades
 viu além da minha alma
 desnudou a ingenuidade
 com sedução e calma
 leu além das poesias
 de uma mulher erótica
 parecendo ser exótica
 encontrou raiz
 em meu coração
 plantou e germinou
 uma emoção..

 Derrubastes as barreiras
 que tinham ao meu redor
 tirou-me da cegueira
 não sei se é bom ou é pior...

 Só sei que na hora amor
 que bateu um enorme pavor
 que você me foi receptivo
 despertei o seu lado lascivo
 despertaste em mim
 mais do que erotismo
 um lado romântico
 que parece não ter fim...




  Cléia Fialho

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

FONTE SERENA



Nas manhãs brancas do dia,
sinto o perfume que irradia,
mesmo longe, teu passo vem
no vento leve que me tem.

À tarde, outono me chama,
na pele um fogo se inflama.
Entre as coxas, fonte serena,
espera tua água plena.

Do poço onde o desejo mora,
brotam gotas — tua alma aflora.
E se unem ao rio do tempo,
numa dança, sem contratempo.

À noite, tua voz me acende,
no toque, o prazer se estende.
Teus dedos buscam ternura,
despindo a última censura.

Sob a luz do céu tão vasto,
o silêncio se faz contraste.
Nosso amor brilha em segredo,
sol que arde sem ter medo.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

O DOCE SUSSURRO DA SUBMISSÃO - 2


Ato - 2 

Ele não a tocou de imediato.
E foi justamente isso que a fez arder.

A distância entre os dois tornou-se um espaço carregado, elétrico.

Ele a observava como quem contempla algo que já lhe pertence, mas que escolhe saborear com calma. Cada segundo prolongado era um comando silencioso, e ela sentia o corpo responder antes mesmo da mente.

— Tire as luvas — disse ele, num tom baixo, quase íntimo demais para ser ordem… e ainda assim impossível de ignorar.

Ela obedeceu.
O som da seda deslizando pelos dedos pareceu alto demais naquele recinto fechado. Quando suas mãos ficaram nuas, sentiu-se também despida de defesas invisíveis.

Ele aproximou-se apenas o suficiente para que ela sentisse o calor do corpo dele, sem o conforto do contato. Inclinou-se, e sua respiração roçou-lhe o pescoço, lenta, consciente.

— A submissão — murmurou — começa quando você aceita ser vista por inteiro.

Ela estremeceu. Não por medo.

Mas por verdade.

Ele ergueu-lhe o queixo com um único dedo, obrigando-a a sustentar o olhar. Não havia pressa, nem brutalidade. Apenas domínio tranquilo, aquele que não precisa provar força.

— Aqui — continuou — você não pertence ao salão, nem às máscaras, nem aos olhares curiosos. Pertence à sensação de se permitir.

Ela sentiu o peso doce dessas palavras pousarem dentro de si. Não como imposição, mas como reconhecimento de algo que sempre esteve ali, à espera de permissão para florescer.

Quando ele finalmente a tocou, foi mínimo: a mão firme na cintura, guiando-a para mais perto. O gesto não buscava o corpo — buscava a rendição. E ela veio, natural, inevitável.

Encostou a testa no peito dele, em silêncio.
Esse pequeno gesto foi seu ajoelhar invisível.

Ao longe, a música recomeçou, mais lenta, mais grave. O baile seguia. A luxúria pulsava nos salões, nos olhares escondidos, nos corpos que se roçavam sob máscaras douradas.

Mas ali, naquele espaço fechado, a verdadeira sedução não estava no excesso — estava no controle.
No prazer contido.
Na escolha consciente de se entregar.

Ele inclinou-se novamente, agora junto ao ouvido dela:

— Esta noite, você aprende que a submissão não é fraqueza…
— …é confiança elevada ao desejo.

Ela fechou os olhos.
E sorriu.

Porque, enfim, compreendia:
não estava sendo tomada.
Estava sendo acolhida pelo próprio abismo que sempre quis explorar.

Ele a envolveu num abraço lento, profundo, onde o mundo parecia suspenso. Nenhum gesto a mais era necessário. O baile, as máscaras, o luxo — tudo se dissolvia naquele instante de rendição consciente.

Do lado de fora, a música cessou por um breve momento.
Como se o próprio palácio soubesse:
ali, a verdadeira luxúria não gritava — sussurrava.





  Cléia Fialho




Gratidão pelo convite.
É sempre um prazer!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

O DOCE SUSSURRO DA SUBMISSÃO - 1


Ato - I

O convite chegou em papel espesso, perfumado de mistério. Nenhuma assinatura. Apenas a data, o local — um palácio antigo à beira de um lago negro como veludo — e uma única instrução escrita em caligrafia firme:

Venha mascarada. Confie em mim.

Ela sabia que era dele. Sempre soube.
Desde o instante em que aprendera a reconhecer, no próprio corpo, aquele arrepio manso que não pedia defesa, mas entrega.

Na noite marcada, o palácio ardia em luzes âmbar. Candelabros multiplicavam sombras nas paredes douradas, e a música — lenta, quase indecente — serpenteava entre colunas de mármore. Homens e mulheres ocultavam os rostos sob máscaras ricamente adornadas, como se ali todos pudessem ser quem realmente eram, livres do peso dos nomes.

Ela entrou vestida de seda escura, decote contido, mas perigoso. A máscara lhe cobria os olhos, e isso a tornava ainda mais vulnerável… e mais desejável.

Sentiu-o antes de vê-lo.

A presença dele não precisava de rosto. Era comando silencioso. Quando sua mão tocou a curva nua de suas costas, ela estremeceu — não por surpresa, mas por reconhecimento.

— Finalmente — murmurou ele, junto ao seu ouvido. A voz era baixa, segura, irrecusável.

Ele não perguntou se ela queria dançar. Apenas a conduziu.
E ela foi.

No centro do salão, giravam lentamente, como se o mundo tivesse diminuído o ritmo apenas para eles. Cada passo guiado por ele era um lembrete: ali, naquela noite, ela não precisava decidir. Bastava sentir. Bastava obedecer ao fluxo invisível que a puxava para dentro de si mesma.

A submissão não lhe era humilhação.
Era repouso.

Quando ele deslizou os dedos até seu pulso, apertando-o de leve, o gesto foi suficiente para que ela compreendesse: não era posse — era pacto. Um acordo silencioso entre desejo e confiança.

— Esta noite, você é minha — disse ele, não como ameaça, mas como promessa.

Ela baixou a cabeça. Um gesto mínimo. Definitivo.

O salão parecia respirar com eles. Olhares curiosos, invejosos, famintos. Mas nada os tocava. A luxúria ali não era vulgar — era densa, quase sagrada. Um excesso elegante, um pecado vestido de ouro.


Ele a levou para um salão menor, afastado, onde cortinas pesadas filtravam a luz e o silêncio era espesso. Retirou-lhe a máscara com delicadeza cerimoniosa, como quem desvela um segredo antigo.

— Confia? — perguntou.

Ela não respondeu com palavras. Apenas fechou os olhos.

E foi nesse gesto simples que se entregou inteira — não ao corpo dele, mas ao domínio que ele exercia com calma, respeito e desejo contido. Um domínio que não exigia, apenas chamava.

Lá fora, o baile continuava.
Mas para ela, o mundo já havia se rendido.

E naquela rendição suave, encontrou não a perda de si,
mas a mais intensa forma de liberdade e luxúria.


(continua...)





  Cléia Fialho