TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia





sábado, 5 de setembro de 2015

A MANHÃ QUE NUNCA ACABA [ 1 ]



O dia rompe devagar...
A luz entra pela persiana e cai-nos em cima dos corpos ainda sujos de ontem...
Mal abrimos os olhos... enredados no lençol amarrotado da tua cama...
O que despejaste dentro de mim há poucas horas ainda me escorre por entre as coxas... quente... teimoso... 
As minhas pernas ainda enroladas nas tuas, o cheiro a sexo pegado à pele, os fluidos misturados sem forma de saber onde acabas tu e começo eu...

E no torpor deste início de manhã, o fogo acende-se outra vez... quase sem aviso...
As bocas procuram-se com uma fome que a noite não saciou...
As línguas encontram-se sujas do sono e do gozo de ontem, e nem por isso paramos...
Levas os meus seios à tua boca... chupas com força...
Puxas-me os piercings com os dentes até eu gemer alto e arquear as costas fora do colchão...
A tua mão desce e encontra-me já encharcada — encharcada de ti, de ontem, do agora — e ris baixinho contra o meu peito porque sabes o que me fazes...

O teu sexo duro esfrega-se contra a minha coxa, exigindo entrada...
Abro-me para ti sem me pedires...
Entras de uma só vez, fundo, até ao osso, e eu grito para dentro da tua boca...
O peso do teu corpo esmaga-me contra o colchão e eu não quero outro sítio no mundo...
Começa a nossa dança suja de sempre...
Cadenciada, brutal, funda...
A cama range obscena por baixo de nós... os meus gemidos já nem se disfarçam... os teus rosnados junto ao meu pescoço fazem-me apertar-me toda à volta do teu sexo...

Sinto-me escorrer cada vez mais por ti — pela tua barriga, pelas tuas coxas, pelo lençol que amanhã não terá salvação...
Agarras-me o cabelo à raiz e puxas-me a cabeça para trás...
Minha puta — sussuras-me ao ouvido com a voz rouca. — Diz que és minha.

— Sou tua — gemo. 
— Sou toda tua. Fode-me até eu não conseguir andar.

Ris contra a minha garganta e obedeces...
Ergo-te os meus seios com as minhas mãos, ofereço-tos como se fossem coisa tua para tomares...
Chupas-me os mamilos com força enquanto me entras cada vez mais fundo...
Sinto a onda a subir — vinda das coxas, do ventre, da alma — e mordo-te o ombro para não gritar tão alto que os vizinhos batam à parede outra vez...

O ritmo acelera... o teu sexo incha dentro de mim, pulsa, avisa...

— Onde queres que venha? — arfas-me contra a boca.
— Dentro — digo. — Dentro. Marca-me outra vez.

E vens...
Vens fundo... um jorro quente que me enche por dentro pela segunda vez em poucas horas...
Deixas-me a tua marca no sítio onde ninguém vê, mas onde eu sinto o dia inteiro...
E eu venho contigo, tremendo debaixo do teu corpo, apertada à volta do teu sexo em espasmos que me tiram o ar, o nome, o juízo...
Desfaço-me em mil pedaços...
Fico assim um instante... com as pernas ainda abertas... a tua respiração no meu pescoço... o teu sexo ainda dentro de mim, ainda a pulsar os últimos avisos...

E depois — só depois — enrolo-me no calor do teu abraço.
Não me limpo.
Fico assim.
Suja de ti, marcada de ti, cheirando a ti.
E se em meia hora me quiseres outra vez — meu amor, meu homem, meu tudo — abro-me outra vez.
E outra.
E outra.
Até o dia acabar e a noite recomeçar.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 4 de setembro de 2015

UM GIRO DE EMOÇÕES




Na sombra errante da mente aflita,   
Um eco de risos que vai se perder,   
A dança das folhas, um verso que grita,   
Pintura em quadro, um sonho correndo.   

quinta-feira, 3 de setembro de 2015

SILÊNCIO DA NOITE



No silêncio da noite, sombras dançam,  
sussurros de almas perdidas,  
um lamento atravessa as pedras frias,  
nos velhos castelos, ecos do passado.  

A lua pálida como um sonho,  
desenha figuras em varandas,  
onde corações partidos se refugiam,  
murmurando segredos ao vento.  

As árvores envoltas em lamentos,  
as folhas caindo como memórias,  
cada passo na trilha escura  
é um chamado ao que já não existe.  

Caminhando por corredores esquecidos,  
facas de luz cortam o ar denso,  
os rostos em retratos observam,  
sorrisos mortos que nos vigiam.  

Em cada canto, uma história,  
um amor que se desfaz na bruma,  
um destino trancado em correntes,  
a esperança vestida de negro.  

Mas mesmo na tristeza, uma beleza,  
como flores que brotam no frio,  
as sombras abraçam o mistério  
de tudo que foi, e tudo que será.




  Cléia Fialho

terça-feira, 1 de setembro de 2015

segunda-feira, 31 de agosto de 2015

PISCINA À MEIA NOITE



O hotel dormia.

Descia as escadas para a piscina descalça, com uma toalha ao ombro e o biquíni preto por baixo do roupão. Era meia-noite e vinte, o corredor deserto, a única luz vinha dos apliques baixos que desenhavam sombras compridas no chão de pedra.

A piscina era exterior — rectangular, longa, iluminada por baixo com aquele azul-turquesa que faz a água parecer líquida demais para ser verdade. Não havia ninguém. Só o cheiro a cloro, a jasmim, e o zumbido baixo dos filtros.
Deixei o roupão cair.
Estava a entrar pela escada quando o vi.

Estava no fundo da piscina — no lado profundo, encostado à parede, apenas a cabeça de fora. O cabelo escuro colado ao rosto, os olhos a brilharem à luz azul. Não sei quanto tempo levava ali. Não sei se me estava a ver descer as escadas ou se só me viu agora.

Ficámos os dois parados. A olhar-nos.
— *Desculpa* — disse ele, com um sorriso lento. — *Pensei que estava sozinho.*
— *Eu também.*

Não saí. Ele também não. Nadei devagar até ao meio da piscina, sentindo a água fria fechar-se à volta das minhas coxas, do meu ventre, dos meus seios por cima do biquíni. Ele deslizou pela parede e veio na minha direcção, também devagar, como um animal que não quer assustar a presa.

Parou a um braço de distância.
— *Como te chamas?*
— *Não interessa.*
Sorriu. Reconheceu a regra.

A água entre nós baloiçava em círculos preguiçosos. Ele estava tão perto que eu sentia o calor do corpo dele apesar da água fria. E o olhar dele — Deus, o olhar dele a descer-me pelo pescoço, pela clavícula molhada, pelo decote do biquíni onde a água me pingava.
Deu mais um passo. A mão dele encontrou-me a cintura debaixo de água.
Não me afastei.
A boca dele desceu sobre a minha — molhada, salgada de cloro — e beijou-me devagar, provando-me sem pressa nenhuma. As minhas mãos subiram-lhe pelo peito nu. Duro. Quente apesar da água.

Empurrou-me com gentileza até que as minhas costas encontraram a parede da piscina. O rebordo de pedra fria contra os meus ombros, a água a lamber-me o pescoço, e o corpo dele contra o meu à frente, quente e sólido.
As mãos dele subiram-me pelas costas. Encontraram o fecho do biquíni. Desapertaram-no com uma facilidade que me fez rir baixinho contra a boca dele. A parte de cima flutuou-nos entre os corpos e ele afastou-a com uma mão, atirou-a para a borda da piscina — e a boca dele desceu-me imediatamente sobre o seio molhado.

Gemi. O som ecoou no pátio deserto.
Ele chupou-me devagar, mordeu-me com cuidado, e a mão dele desceu-me pela barriga por baixo da água, encontrou o elástico do fio da parte de baixo, puxou-o para o lado. Os dedos encontraram-me.

— *AFF* — murmurou contra o meu peito. — *E ainda te queixas do frio da água.*

Ri baixinho, mas o riso morreu-me na garganta quando dois dedos dele deslizaram para dentro de mim. Debaixo de água, o toque era estranho, mais lento, mais amortecido — e ao mesmo tempo mais obsceno, porque ele mexia-se dentro de mim com uma calma cruel enquanto olhava para a minha cara.

— *Alguém pode aparecer* — sussurrei.
— *Que apareça.*

Puxou-me a parte de baixo do biquíni pelas pernas. Atirou-a para junto da parte de cima. Estava nua no meio da piscina de um hotel, iluminada por baixo pela luz azul-turquesa, e ele levantou-me pelas coxas contra a parede. As minhas pernas envolveram-lhe a cintura.
Baixou o calção sem sair de mim.
E entrou.
Fundo. Debaixo de água, a sensação era diferente — a água ajudava-nos a mover, tornava tudo mais leve e mais lento e infinitamente mais erótico. Eu segurava-me à borda da piscina atrás de mim, ele segurava-me as ancas, e movia-se dentro de mim num ritmo que fazia pequenas ondas espalharem-se à nossa volta.

Beijou-me para me calar os gemidos. A minha boca engoliu-lhe os dele. Sabia a cloro, a vinho, a homem.
Movia-se mais rápido. A água agitava-se. Uma das mãos dele soltou-me a anca e desceu entre os nossos corpos, encontrou-me outra vez, esfregou-me no ritmo exacto em que se enterrava em mim.
Foi demais.
Vim contra a boca dele, tremendo debaixo de água, apertando-me à volta dele em espasmos que a água amplificava. Ele gemeu contra os meus lábios e veio logo a seguir, empurrando-se fundo uma última vez, os dedos cravados na minha pele por baixo da água.
Ficámos ali. Encostados. A respirar. A luz azul a desenhar-nos ondulações no rosto.

Beijou-me a têmpora.
— *Que quarto?* — perguntou.
Sorri.
— *408.*
— *Vou lá ter em dez minutos.*
Saí primeiro. Deixei o biquíni onde estava. Subi enrolada na toalha, com a pele a arder debaixo do algodão.
Dez minutos depois, bateram-me à porta.
E não dormi.




  Cléia Fialho