TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia





terça-feira, 29 de setembro de 2015

DEIXA O TEMPO SER APENAS O QUE É




O sol abre uma fresta na janela 
o café esfria enquanto a luz dança 
no chão da sala onde a vida se espalha 
sem pressa de chegar a lugar algum. 

segunda-feira, 28 de setembro de 2015

ECO DAS PALAVRAS QUE NÃO VOLTARAM



O sol se esconde na curva da tarde
e deixa um rastro de luz fria sobre a mesa
onde guardo apenas o silêncio que você deixou.

Olho para a cadeira vazia no canto da sala
buscando o eco das palavras que não voltaram
sentindo o peso da ausência que molda o espaço.

A memória insiste em redesenhar seu rosto
nos traços das sombras que a noite desenha
transformando a falta em uma companhia mansa.

Não busco alívio para esta estranha marca
apenas aceito que o tempo é um rio lento
que carrega a saudade como quem leva um barco.




  Cléia Fialho

domingo, 27 de setembro de 2015

A SEMENTE DA MENTE




A mão repousa sobre a folha branca 
O mundo espera o gesto da vontade 
A tinta corre como um rio que manca 
Em busca da profunda claridade.

sábado, 26 de setembro de 2015

FOME DE TI



Não é amor — é fome.
Fome antiga, animal,
que me sobe pelas coxas
quando escuto teu nome.

Quero-te assim: sem pressa,
sem promessa, sem porquê —
quero a curva da tua nuca
mordida contra a parede,
quero o gemido rouco
que só eu sei arrancar,
quero a tua sede na minha,
água em água a se derramar.

Despe-me devagar,
como quem lê um segredo,
letra por letra, botão
por botão, medo por medo.
Deixa a luz acesa —
quero ver o teu rosto
no exato instante
em que o corpo te trai
e te entregas, inteiro,
ao que a boca calou.

Depois, quando o silêncio
descer sobre nós dois
como um lençol molhado,
não digas nada. — Fica.
Fica com a mão pousada
onde o desejo ainda pulsa,
onde a pele lembra
que foi tua — e será,
todas as vezes
em que a noite pedir.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

FAÍSCAS PERDIDAS NA IMENSIDÃO




O silêncio viaja entre as luzes antigas
desenhando caminhos no tecido do escuro
onde o tempo esquece de contar as horas.