TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

sexta-feira, 19 de maio de 2023

quinta-feira, 18 de maio de 2023

EU COLETO COM A LÍNGUA



O sol se despede, a noite se derrama
Um céu de estrelas, a lua aclama
Em sonhos e repouso, o mundo se aquieta
No decorrer dos dias, a vida se reinterpreta.

O sol morre no horizonte, a escuridão derrama-se em nós,
O céu de estrelas é testemunha muda, a lua espia pelo vitral,
Enquanto o mundo adormece em sonhos castos e repouso fingido,
Nós reescrevemos a vida em cada noite que a carne reinterpreta.

O teu suor é constelação no meu peito,
Cada gota um ponto luminoso que eu coleto com a língua,
A escuridão não esconde — revela,
E sob aquele olhar prateado da lua,
Tu penetra-me mais fundo,
Como se o universo inteiro dependesse deste embate.

O mundo lá fora aquieta-se em silêncio,
Mas aqui dentro é terremoto,
É coluna a estalar, é lençol a rasgar,
É o teu nome a ressoar nas paredes
Enquanto eu te monto com a fúria de quem sabe
Que o amanhecer trará outro corpo,
Outro desejo,
Outra tomada.

E quando o sol renascer,
Não seremos os mesmos,
Seremos cinzas e fogo,
Seremos o poema que a noite escreveu
Com o suor dos nossos ventres entrelaçados,
A vida reinventada no cheiro da tua pele marcada,
Pronta para arder outra vez,
Assim que a luz se extinguir.




  Cléia Fialho

terça-feira, 16 de maio de 2023

SOMOS DUAS METADES



A noite desce lenta, um veludo escuro, 
cobrindo o mundo com seu manto de silêncio. 
Mas aqui, sob o lençol que se amontoa, 
acende-se o fogo que não se apaga.

Teus olhos são poços de mel derretido, 
onde me perco, onde me afundo, 
e a gravidade perde o sentido, 
suspensos num instante profundo.

Minha mão desliza pela curva do teu quadril, 
encontrando o mapa de cada cicatriz, 
cada sinal que o tempo não apagou, 
cada desejo que eu preciso realizar.

Sinto o cheiro da tua pele, sal e chuva, 
uma mistura antiga que me enlouquece, 
o ar fica denso, quente, pesado, 
e a respiração se torna a única prece.

Teu lábio busca o meu como quem tem sede, 
não há pressa, só a certeza do agora, 
o toque é suave, mas a chama arde, 
consumindo a lógica, a razão, a hora.

Os dedos entrelaçam-se, apertam, 
marcam a carne, gravam a alma, 
somos duas metades que se reconhecem 
na escuridão que a paixão nos chama.

O mundo lá fora pode esperar, 
as estrelas podem cair em desuso, 
neste quarto, o universo cabe inteiro no espaço 
minúsculo de um suspiro teu.

Sinto o calor subir pela espinha, 
uma onda que me leva ao abismo, 
onde só existes tu e eu, 
unidos num laço sem fim.

Não há palavras que possam traduzir 
essa língua antiga de corpos falando,
 apenas o gesto, o arrepio, a entrega, 
o amor que nos consome e nos salvando.

Deixa-me ler cada detalhe do teu rosto, 
como quem lê um livro proibido e sagrado, 
cada suspiro é uma página virada, 
cada toque, um verso apaixonado.

Que a noite não acabe, que o tempo congele, 
que este instante de pura doçura dure,
 enquanto a lua vigia nossa sombra, 
e o amor, finalmente, nos consuma.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 15 de maio de 2023

ENTRE LENÇÕES





Teus dedos desenham mapas
na pele que arde em silêncio.
Cada curva é um convite,
cada suspiro, uma promessa.

Lábios que se buscam
como marés que se encontram.
O calor sobe lento,
invadindo espaços secretos
onde o tempo se dissolve.

Teu corpo é poesia viva:
suave, quente, exigente.
E eu leio cada verso
com a boca, com as mãos,
com a alma inteira.

Quando a noite se curva
sobre nós,
não há palavras que bastem…
só o gemido doce
do prazer compartilhado.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 12 de maio de 2023

FOLHAS AO VENTO



Em cada verso  
que a ventania entoa,  
há uma verdade antiga  
despertando nas folhas.  
Na melodia suave  
do mundo em movimento,  
a natureza se revela  
como espelho do pensamento.
  
Vou descobrindo,  
para além da aparência,  
o axioma que ressoa  
no centro da consciência.  
O silêncio não é vazio:  
é presença, é fundamento,  
é a voz do infinito  
respirando no momento.
  
É ali que a alma  
desata seus próprios nós,  
quando reconhece na paisagem  
a extensão da sua voz.  
Onde o tempo repousa  
sem pressa, sem porquê,  
o ser abandona o ruído  
e começa a compreender.
  
O coração aprende,  
entre sussurros e pós,  
que a verdade não se alcança  
apenas pela razão de nós.  
Ela nasce do íntimo,  
da comunhão com o chão,  
da árvore, da luz, do vento,  
da secreta intuição.
  
Porque sentir,  
quando o espírito se abre,  
é atravessar o visível  
e tocar o que não cabe.  
É saber que cada instante,  
mesmo breve ao desaparecer,  
carrega em sua essência  
a forma mais pura de viver.




  Cléia Fialho

Linda Interação do Amigo POETA OLAVO

O vento é meu companheiro
Quando me leva até você
Ao me trazer o seu cheiro
Relembro noites de prazer.

 GRATIDÃO

quinta-feira, 11 de maio de 2023