TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

sexta-feira, 7 de agosto de 2015

O LÍRICO E O ERÓTICO SÃO UM SÓ



O sol se deita sobre a pele nua  
sussurros dançam na brisa leve  
são amoras e rosas em flor,  
a leveza de um olhar promete.  

No espaço onde a noite se avizinha,  
corações se entrelaçam em segredo,  
murmúrios tornados palavras  
na língua da carícia e do desejo.  

E a poesia se compõe corpo,  
em cada toque um verso  
nascendo da urgência do querer,  
com suavidade entramos, juntos,  
no labirinto do sentir.  

O tempo se dissolve em rimas,  
cada suspiro é uma estrofe,  
a carne lê a alma,  
enquanto os dedos traçam histórias.  

Cada sussurro é uma sonata,  
a paixão rima com o instante,  
e no sutil deslizar dos corpos  
encontramos a essência do amor.  

Assim, em direções entrelaçadas,  
os poetas se tornam amantes,  
navegamos o abismo e o céu,  
onde o lírico e o erótico são um só.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

O PERFUME DO DESEJO



Na luz do amor, onde os corpos dançam,  
as sombras sussurram segredos,  
e a luz da lua embriaga os sentidos.  

Teus lábios são a flor que desponta  
na manhã serena,  
cada toque uma promessa  
de primaveras ocultas.  

O perfume do desejo flutua,  
revelando verdades em murmúrios,  
palavras que se entrelaçam  
como dedos,  
tecendo uma tapeçaria de emoções.  

Olhares que se encontram,  
como ondas do mar  
que acariciam suavemente a areia,  
a sinfonia do próximo instante  
tão claro,  
tão próximo.  

No silêncio do crepúsculo,  
a paixão se revela,  
a música que embala o coração,  
a essência do ser na entrega.  

E assim, em cada verso que aflora,  
celebro o amor em sua inteireza,  
na beleza do instante,  
na alma do universo.




  Cléia Fialho

terça-feira, 4 de agosto de 2015

ENTRE O CREPÚSCULO E O DESEJO



Nos braços do crepúsculo, um suspiro,
a pele entrelaçada em silêncios.
Teus olhos, labaredas em noite calma,
desenham promessas que o dia não viu.

Sussurros dançam como folhas ao vento,
num passo suave, entre sonhos e risos.
Tua boca, fruta doce, palavras,
encantos que flutuam, eternamente.

No compasso lento do desejo contido,
teu perfume veste o ar de primavera.
Cada gesto desperta um universo,
onde o tempo se rende à espera.

Entre o toque e a distância de um instante,
o coração aprende a respirar mais fundo.
E no abrigo morno do teu abraço,
descubro em ti o meu mais belo mundo.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

A LUZ DA LUA BEIJA O TEU SEMBLANTE



A luz da lua beija o teu semblante
enquanto a alma em chamas se demora
na doce espera de um olhar constante
que a noite em doce calma namora.

Teu gesto é brisa que o desejo instiga
ritmo lento em pele de veludo
a mão que busca a mão que se abriga
num elo eterno onde se faz o mudo.

Beijo que segue o curso do rio
nesta entrega que a vida ilumina
fugindo aos dias de um tempo vazio
na doce essência que o amor domina.

Repousa o peito em doce arquitetura
entre suspiros que a boca confessa
toda a harmonia de uma criatura
que na ternura seu sonho atravessa.




  Cléia Fialho

domingo, 2 de agosto de 2015

LUAR DE DESEJOS



Caminhamos juntos na sombra do luar,
o toque de tua mão, poesia viva,
com versos sutilmente entrelaçados,
onde o tempo se dissolve como névoa.

A luz dos astros cobre nossos corpos
como uma manta suave de desejos.
Nossos lábios encontram mistérios,
a sinfonia do amor a nos guiar.

Teu olhar acende a chama do silêncio,
e minha pele desperta ao teu calor.
No compasso lento de cada abraço,
floresce o doce incêndio do amor.

Teu perfume invade meus sentidos,
feito brisa morna sobre a madrugada.
Cada beijo prolonga o infinito,
em uma entrega calma e apaixonada.

O coração esquece toda distância,
quando teu corpo encontra o meu sem pressa.
E a noite, cúmplice de nossos sonhos,
guarda em segredo tudo o que confessa.




  Cléia Fialho

sábado, 1 de agosto de 2015

NOITE DE TEMPESTADE



O trovão chegou antes da chuva.

Estava sozinha em casa quando as luzes piscaram uma vez, duas, e apagaram-se de vez. Andei até à janela do quarto às apalpadelas. Lá fora, o mundo era uma coisa preta e violenta — árvores curvadas ao vento, faixas de chuva a atravessarem os postes de luz. Um relâmpago rasgou o céu ao meio e mostrou tudo, por uma fracção de segundo, com uma nitidez insuportável.
Foi nesse instante que a campainha tocou.
O meu coração, antes da cabeça, já sabia. Já se lembrava de que ele tinha dito, três semanas atrás, com aquela voz baixa que sempre me despia mais do que as mãos:

— *Se um dia houver uma tempestade a sério, eu apareço.*

Eu tinha rido. Ele não.
Desci as escadas com uma vela na mão e abri a porta.
Estava lá. Encharcado dos pés à cabeça, o cabelo colado à testa, os olhos escuros a brilharem como se estivessem a beber a luz da vela. A camisa colava-se-lhe ao peito, e eu vi o desenho do seu corpo por baixo — o mesmo corpo que já tinha estado sobre o meu, dentro do meu, tantas vezes que a memória do meu corpo o conhecia melhor do que a memória da minha cabeça.

Não disse nada. Só me olhou.
— *Entra* — sussurrei.

Ele entrou, fechou a porta com o pé, e antes que eu conseguisse dar mais um passo, a sua mão já tinha encontrado a minha nuca e a sua boca já tinha encontrado a minha.
Beijou-me como quem chega a casa depois de uma guerra.
O beijo tinha sabor a chuva, a frio, a fome antiga. A vela caiu-me da mão e rolou pelo chão, apagando-se. Outro relâmpago acendeu o corredor e eu vi-lhe o rosto iluminado a azul — os olhos fechados, as pestanas molhadas, a mandíbula tensa.

— *Estás gelado* — sussurrei contra os seus lábios.
— *Aquece-me.*

Puxei-o pela camisa molhada, escadas acima, aos tropeções. A casa toda respirava com a tempestade — as vidraças tremiam, o vento assobiava pelas frestas como um animal a querer entrar. E nós subíamos, boca contra boca, com aquela urgência antiga que só as noites assim conseguem convocar.
No quarto, comecei a despi-lo. Os botões resistiam — arranquei os últimos com um gesto impaciente que o fez rir contra o meu ouvido. A camisa caiu com um baque molhado. Depois o cinto. Depois as calças.
E quando ficou nu diante de mim, à luz intermitente dos relâmpagos, parei um instante. Só para o olhar.
Deu um passo em frente. Outro. Até me ter contra a parede.

— *Tive saudades* — disse.
Não perguntei do quê. Sabia.

A boca dele desceu-me pelo pescoço, mordeu-me a clavícula, encontrou-me o seio e demorou-se ali, como se estivesse a reaprender-me. Eu enterrei-lhe os dedos no cabelo molhado e arqueei as costas contra o gesso frio, gemendo baixinho — e ele engoliu o gemido com um sorriso.

Um trovão rebentou tão perto que a casa toda estremeceu.
— *A tempestade está com ciúmes* — sussurrou contra a minha pele.
— *Que tenha.*

Foi aí que ele me pegou ao colo. Não foi um gesto romântico — foi um gesto de fome. Prendeu-me as pernas à volta da sua cintura e caminhou até à cama sem tirar a boca da minha.
Caímos juntos, um emaranhado de peles a procurarem-se. Ele beijou-me toda — a boca, o pescoço, os seios, o ventre — e ainda mais devagar, ainda mais fundo, encontrou-me com a boca no lugar onde eu já o esperava desde o primeiro trovão da noite.
Perdi-me no lençol, no escuro, no cheiro dele misturado com o cheiro da chuva. Um relâmpago iluminou o quarto e eu vi-o entre as minhas pernas — olhos fechados, concentrado, como quem reza. Essa imagem ficou-me presa por trás das pálpebras.

— *Vem cá* — pedi. — *Preciso de ti.*

Subiu devagar, arrastando a boca pelo meu corpo como uma assinatura. Beijou-me outra vez — beijei-me com o meu próprio gosto na boca dele — e entrou em mim com aquela lentidão que me desarma.

— *Olha para mim.*

Olhei. Os olhos dele, ali, tão perto, tão dentro. Um relâmpago iluminou-lhe o rosto e eu vi tudo — o desejo, a saudade, essa coisa antiga que nos prende há tanto tempo.

Começou a mover-se. Devagar primeiro. Depois fundo, exacto, aquele ritmo que só existe entre duas pessoas que já se conhecem de cor. As minhas mãos agarraram-lhe as costas, senti a pele dele arrepiar-se, e ele gemeu junto ao meu ouvido — um gemido rouco, contido, que me fez apertá-lo ainda mais entre as coxas.
A cadência foi crescendo com a tempestade.
A chuva batia mais forte na janela. O vento uivava. E nós, dentro do quarto, éramos outra tempestade — mais quente, mais húmida, mais desesperada.
Senti a onda a chegar. Vinha das coxas, subia pelo ventre, apertava-me a garganta.

— *Vem* — disse-me. — *Vem comigo.*
E eu vim.

Vim com um trovão a estoirar por cima do telhado, com um relâmpago a acender o quarto inteiro, com o corpo dele a tremer sobre o meu no exacto mesmo instante. Fiquei sem ar. Fiquei sem nome. Fiquei sem nada, excepto ele.
Depois foi o silêncio nosso. A respiração a acalmar. As mãos a descobrirem ternuras mais lentas.
Ele deitou a cabeça no meu peito. Eu passei-lhe os dedos pelo cabelo, que já estava a secar.

— *Ainda bem que houve tempestade* — sussurrei.
Riu baixinho e beijou-me a pele sobre o coração.

— *Ia aparecer de qualquer forma* — disse. — *A tempestade foi só a desculpa.*

Ficámos assim muito tempo. A ouvir a chuva. A sentir o cheiro molhado que entrava pela janela aberta que nenhum de nós teve coragem de ir fechar.

Adormecemos abraçados.
E quando acordei, de manhã, ele dormia ao meu lado, o braço atravessado sobre a minha cintura, a respiração calma.

Sorri no escuro do lençol.
E pensei, sem dizer em voz alta, que da próxima vez não ia esperar pela tempestade.

Da próxima vez, era eu que a fazia.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 31 de julho de 2015

SUSSURROS QUE INCENDEIAM A MADRUGADA



Despertam sussurros a sonhar,
como se o mundo ao redor parasse,
deixando apenas o nosso amor a pulsar.

O desejo delicado de um toque,
um olhar que explode em mil estrelas,
romance embriagado de manhãs sem fim.

Teus lábios passeiam em calma lenta,
acendendo o silêncio do meu peito.
Teu perfume veste a madrugada,
e cada instante encontra o seu leito.

Nossos corpos conversam sem palavras,
na linguagem secreta da paixão.
O tempo se dissolve entre carícias,
enquanto o desejo guia o coração.

A lua contempla a entrega serena,
bordando prata sobre a nossa pele.
E a noite, cúmplice dos sentimentos,
guarda em seu véu o amor que nos envolve.




  Cléia Fialho