TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

sexta-feira, 9 de outubro de 2015

TEU OLHAR ME DESNUDA



Na penumbra em que o tempo se desfaz, 
teu olhar me desnuda sem tocar-me; 
basta um sopro teu para incendiar-me, 
basta um gesto e o desejo se refaz. 

Tua boca é o segredo que me traz 
o sabor proibido de entregar-me; 
teu quadril é maré que sabe amar-me 
em ondas que não cessam nunca mais. 

Mordes-me o pescoço em brasa lenta, 
e a pele, arrepiada, se apresenta 
qual mapa aberto à tua exploração. 

Somos dois corpos que a noite alimenta, 
dois versos que uma sílaba ausenta, 
unidos no compasso da paixão. 




  Cléia Fialho

quinta-feira, 8 de outubro de 2015

NOS LAÇOS DO AMOR



No silêncio da noite que se avizinha,  
Um desejo suave percorre a pele,  
Como brisa que ao luar se revele,  
Sussurros de paixão que a alma adivinha.  

Teus olhos, estrelas em minha linha,  
Encantam-me com um brilho que repele  
Toda a escuridão que em volta se vele,  
E em teu abraço, meu corpo se aninha.  

Nos lábios teus, encontro o doce mel,  
A ânsia do beijo que nunca se solta,  
Sabor de sonhos, promessa fiel.  

E na dança dos corpos, a volta  
Do tempo desaparece, e ao bel-prazer,  
Nos laços do amor, a vida se exalta.  




  Cléia Fialho

quarta-feira, 7 de outubro de 2015

terça-feira, 6 de outubro de 2015

TEU CORPO É CHAMA



O brilho do teu olhar me traz abrigo,
Teu corpo é chama que me faz sonhar,
No compasso do peito ao te abraçar,
Eu sinto a paz que encontro em ti comigo.

Teus lábios doces me trazem a luz,
Que faz a alma inteira despertar,
No movimento lento do luar,
Teu toque abranda o fogo que seduz.

Na seda dos teus braços me perdi,
Deixando o tempo enfim se dissipar,
Pois só no teu abraço me senti.

O mundo todo para ao te encontrar,
E neste instante tudo o que eu vivi,
Se faz silêncio apenas para te amar.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 5 de outubro de 2015

FAZ O CORPO TODO VIBRAR



O desejo nasce em nota alongada,
Um grito de prazer e de surpresa,
A luz revela a forma desenhada,
Trazendo aos olhos toda sua beleza.

Agradeço o carinho e o cuidado,
Nesse momento raro de esplendor,
O delírio enfim se vê recompensado,
Pelo brilho contido nesse amor.

É tão lindo, não tem como negar,
A alma se aquece com esse presente,
Que faz o corpo todo então vibrar.

A vida segue em paz e finalmente,
Tudo se alinha para celebrar,
O coração que toca tão contente.




  Cléia Fialho

domingo, 4 de outubro de 2015

SE MINHA BOCA SE APROXIMASSE DA TUA — [ VERSÃO — IV ]



Se em segredo, minha mão encontrasse a tua,  
teu corpo inteiro perceberia antes da mente.  
Haveria um calor lento se espalhando pela pele,  
um desejo manso, quase urgente,  
fazendo a respiração mudar de ritmo.  

Meu toque chegaria como convite,  
deslizando devagar, com intimidade,  
como quem conhece o caminho  
até os lugares onde o corpo guarda silêncio.  
E teu peito aprenderia a linguagem do meu gesto,  
cedendo à maciez desse instante.  

Se minha boca se aproximasse da tua,  
o ar ficaria mais quente, mais denso, mais vivo.  
Um beijo roubado acenderia o que estava adormecido,  
e tudo ao redor perderia importância.  
Restariam apenas a tensão, a entrega  
e esse desejo bonito que cresce sem pressa,  
tomando espaço entre nós.  

No contato, nasceriam tremores discretos,  
na espera, uma fome delicada,  
e no encontro dos corpos,  
a promessa de um êxtase contido  
que se prolonga justamente 
por não se revelar por inteiro.




  Cléia Fialho

sábado, 3 de outubro de 2015

SE MINHA BOCA ENCONTRASSE A TUA — [ VERSÃO — III ]



Algo em mim se abriria como manhã antiga 
se em segredo, minha mão encostasse na tua. 
Haveria ternura no gesto,  
e um silêncio inteiro aprenderia a falar.  

Teu pensamento descansaria no meu toque,  
como quem encontra abrigo sem procurar.  
Dentro das palavras, nasceria um jardim,  
e no peito, um abraço feito de permanência.  

Se num instante leve, 
minha boca encontrasse a tua,  
o ar mudaria de forma.  
Tudo ao redor se tornaria delicado e suspenso,  
como se a noite acendesse asas invisíveis.  

Nos olhos, um calor novo despertaria,  
lento, profundo, incontido.  
E entre nós cresceria uma presença intensa,  
dessas que transformam o instante  
em memória viva.




  Cléia Fialho