TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

sábado, 16 de maio de 2015

PERFUME DO TROVÃO



Tua presença é um perfume que me guia
pelas sombras que a noite desenhou
não com traços leves,
mas com mãos que puxam cabelos,
com unhas que arranham o tempo
até ele parar.

A noite nos engoliu,
Fomos nós que a desenhamos
com pernas entrelaçadas,
com bocas que inventam
línguas novas.

Cada gesto teu é a luz que me encontrou
nua no próprio desejo,
aberta como a noite é aberta
para o que arde e não pede licença.
Tu achas-me em cada curva,
em cada dobra onde a respiração falha,
onde o ventre se ergue implorando.

Teu cheiro impregna os lençóis
e eu enrolo-me no que resta de nós,
no suor, no rastro,
na marca que a tua língua deixou
onde eu mais me arqueio.

Aqui não há guia.
Aqui há só a voragem
do corpo que me busca
e me acha
e não solta.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 15 de maio de 2015

ABISMO DE CARNE E FOGO



Meus poros exalam o suor de uma entrega sem freios,
Sacrifício profano aos deuses do prazer febril.
Quando teus lábios tocam a minha pele em chamas,
O ar se torna denso, consumindo toda a razão.

Não há astros na penumbra que nos abriga,
Apenas a gravidade do teu corpo contra o meu.
Um compasso frenético de arquejos e atrito,
Onde a carne dita o ritmo da nossa rendição.

Cada toque é uma escrita profunda e visceral,
Cicatriz de volúpia que marca a alma nua.
O universo se encolhe no espaço das respirações,
Entre o contato insaciável e o desejo sem fim.

Sou maré alta, desastre iminente e desejo,
Entregue à tua posse enquanto a noite implora,
Por mais um gole de insanidade, pele e brasas,
Neste delírio ardente onde nos fazemos um.





  Cléia Fialho

quinta-feira, 14 de maio de 2015

CORPOS EM CHAMAS


Sinto-me tomada pelo fogo,  
teu calor invade minha pele,  
um rio de desejo escorre lento,  
ardendo em cada curva, em cada dobra.  

Teus coxas nuas são relâmpagos,  
rasgam o silêncio da noite,  
deslizam como lâminas quentes,  
abrindo caminhos de vertigem.  

O suor se mistura ao prazer,  
um perfume selvagem nos envolve,  
a carne pulsa em ritmo feroz,  
explodindo em ondas de delírio.  

Não há fronteiras, não há limites,  
apenas o choque dos corpos,  
a dança crua da luxúria,  
um universo inteiro em combustão.  

E quando o ápice nos consome,  
resta apenas o eco da chama,  
um brilho eterno gravado na pele,  
um segredo ardente que nunca se apaga.  




  Cléia Fialho

quarta-feira, 13 de maio de 2015

FOGO EM SILÊNCIO



Sinto-me acesa, 
quando te aproximas sem defesa  
e teu corpo entra no meu espaço  
como uma maré que sabe o caminho.  

Teus gestos deslizam com suavidade cruel,  
e cada toque faz meu sangue cantar mais alto.  
Teu calor me percorre inteiro,  
como se a pele aprendesse de novo  
a língua funda do desejo.  

Quando entrelaças tuas pernas em abrigo,  
meu corpo se curva ao teu ritmo,  
se perde na força lenta da tua presença,  
e encontra nesse encontro  
uma verdade que arde sem se explicar.  

Tu desces por mim como promessa viva,  
e minhas coxas nuas respondem,  
entregues à vertigem do instante,  
à fome doce da tua aproximação,  
ao incêndio secreto que só nós conhecemos.




  Cléia Fialho

terça-feira, 12 de maio de 2015

CORPO ENTRELAÇADO



Sinto-me tomada por um fogo voraz, 
Quando entrelaças tuas pernas, forte abrigo,
Desces pelo meu corpo como onda de desejo,
Teus coxas nuas revelam a mais pura verdade.

Cada toque teu é um terremoto que me consome,
Pele contra pele, um convite sem retorno,
Os suspiros se fazem gritos abafados,
No labirinto dos nossos corpos entrelaçados.

A pressão dos teus braços me prende em êxtase,
O calor da tua pele incendia minha alma,
Movimentos lentos, intensos, quase sagrados,
Desvendamos segredos guardados no silêncio.

A respiração se quebra em ritmo acelerado,
Somos entregues a essa dança sem fim,
No toque, no beijo, na fome que nos consome,
Somos fogo e chama, desejo e pele fundidos.





  Cléia Fialho

segunda-feira, 11 de maio de 2015

EXCITAÇÃO PROFUNDA



Sinto-me viva, 
quando teus dedos dançam no meu corpo,  
um toque que percorre, 
suave,  
como um rio que encontra seu destino.  

Em teus braços, 
encontro meu refúgio,  
um santuário de desejo e paixão,  
onde tua pele se torna extensão da minha,  
e o calor nos une em um só.  

Teus lábios traçam caminhos secretos,  
desvendam segredos, 
acendem chamas,  
e a química entre nós se intensifica,  
como estrelas que brilham em um céu noturno.  

Corpos entrelaçados em ritmo perfeito,  
uma dança silenciosa e poderosa,  
onde cada toque é um verso sem palavras,  
uma sinfonia de sensações e suspiros.  

A noite se torna nossa cúmplice,  
testemunha silenciosa de nosso enlace,  
e juntos, navegamos pelo oceano do desejo,  
perdidos na profundidade de nosso amor.  




  Cléia Fialho

domingo, 10 de maio de 2015

EXPLORANDO O DESEJO



Tuas pernas se entrelaçam,  
abrigo de promessas,  
deslizando, suave como a brisa,  
teus toques despertam a essência da pele.  

Coxas nuas, revelando segredos,  
a verdade se encontra em cada suspiro,  
o calor do corpo se fundindo,  
em danças de desejo,  
onde a paixão não tem limites.  

Teus dedos, artistas de um quadro vivo,  
pintando traços de luxúria,  
cada movimento, 
um verso,  
uma sinfonia de gemidos,  
perdendo-se no êxtase do momento.  

Nosso mundo gira,  
em um universo só nosso,  
onde o tempo se dissolve,  
e a entrega é total,  
mergulhando 
nas profundezas do prazer.  





  Cléia Fialho

sábado, 9 de maio de 2015

OS LENÇÕES EM BRASA -Capítulo II



A ALMOFADA ÚMIDA

Fico imóvel. 
O corpo não me obedece, está desfeito, os músculos ainda a pulsarem em ecos do espasmo que passou. 
Sinto o líquido morno a escorrer-me pela face interna das coxas, espesso e branco, a pingar gota a gota no lençol em brasas que me queima a pele. 

A almofada úmida está colada à minha face, o tecido frio de saliva e lágrimas contra a bochecha, e eu respiro por entre os lábios entreabertos, o ar quente a embaciar o algodão molhado. 
A tua respiração pesada bate-me na nuca, um sopro quente e ritmado que me arrepia os pelinhos do pescoço. 
Não dizes nada. 
Não precisas. 

Os teus dedos largam-me os quadris e sobem-me pelas costas suadas, as pontas a deslizarem sobre a minha pele molhada com uma lentidão que me faz arquear a espinha. 
Afagas-me como quem acaricia uma brasa ainda viva, os dedos a espalharem o suor e a deixarem rastos de fogo. 
O silêncio enche-se de calor, do cheiro a sexo e a suor que impregna o ar, e eu sinto os teus dedos a descerem-me pela coluna, vértebra a vértebra, até deslizarem pela minha fenda encharcada.

Os teus dedos largam-me as costas e tu agarras-me os quadris com as duas mãos, os polegares a cavarem-me a carne suada. Empurras-me contra o colchão, o meu ventre a achatar-se no lençol em brasas, e eu sinto o peso do teu corpo a cobrir-me por inteiro. 
A cabeça do teu pénis roça-me a entrada, quente e rija, e tu não esperas, cravas-te em mim num empurrão lento e fundo que me arranca um gemido rouco. 
A almofada húmida abafa o som, os meus dentes cravados no tecido molhado de saliva. 
O meu corpo estremece sob o teu peso, as costas arqueadas, as coxas ainda pegajosas do sémen que escorreu. 
As tuas ancas suadas batem contra as minhas nádegas com um som molhado e pesado, e tu fodes-me com estocadas profundas que fazem o lençol ranger.

A tua mão sobe-me pelas costas suadas e agarra-me os cabelos pela raiz, os dedos a enrolarem-se nas mechas molhadas. Puxas-me a cabeça para trás com um esticão seco, o meu pescoço a arquear-se, a garganta exposta ao ar quente do quarto. Um gemido escapa-se-me dos lábios entreabertos, agudo e partido, enquanto as tuas ancas não param, o teu pénis entra-me até aos testículos com cada estocada, a pele dos teus quadris a bater contra as minhas nádegas com um estalo molhado e repetido. O som enche o quarto, carne contra carne encharcada de suor e fluidos.

Largas-me o cabelo e as duas mãos cravam-se nos meus quadris, os dedos a afundarem-se na carne como garras. 
Fodes-me com uma fúria que me faz perder o ar, cada investida mais funda, mais rápida, o teu pénis a bombar dentro de mim e a empurrar para fora o sémen anterior, sinto-o a escorrer-me pelas coxas em fios quentes e grossos, a misturar-se com o novo prazer que me sobe pelo ventre. 
Espalmo o rosto na almofada húmida e grito, um som rouco e despedaçado que o tecido molhado abafa, os dentes cravados no algodão encharcado de saliva e suor.

O meu corpo começa a convulsionar-se sob o teu peso, as costas arqueadas, as coxas a tremerem descontroladas. 
O clímax devora-me em espasmos violentos, a minha vagina a contrair-se em apertos ritmados à volta do teu pénis, a puxá-lo mais fundo, a sugar cada centímetro. 
Geme um som gutural contra a minha nuca, as tuas ancas a baterem com força uma, duas, três vezes, e o teu sémen quente jorra-me dentro e escorre para fora, a misturar-se com o resto, a poça no colchão a crescer debaixo de nós. 
O meu corpo desaba em convulsões sobre o lençol em brasas.

Desabas sobre mim com todo o teu peso, o peito colado às minhas costas, o coração a martelar contra as minhas omoplatas num ritmo que ainda não abrandou. 
O teu pénis continua enterrado dentro de mim, amolecido mas ainda quente, pulsando de leve a cada batida do teu sangue. 
Não sais. 
Ficas. 
O teu corpo pesado esmaga-me contra o colchão encharcado e eu não quero fugir, quero ser esmagada, quero que cada centímetro da tua pele sue sobre a minha, que os teus ossos se imprimam nos meus.

A respiração vai-se acalmando aos poucos. 
O teu hálito quente na minha nuca torna-se mais lento, mais fundo, e eu sinto cada expiração como uma pequena onda de calor que me percorre a espinha. 
Os teus lábios não se descolam da minha pele, estão pousados ali, imóveis, como se o simples contacto fosse a única âncora que te mantém consciente.

Entre as minhas coxas, o sémen escorre. 
Sinto-o descer pela virilha em fios lentos e mornos, a traçar caminhos preguiçosos sobre a pele arrepiada. 
Passa pela fenda, contorna a curva da nádega, goteja no lençol que já não absorve mais nada. 
A poça debaixo de nós é morna e espessa, uma mistura de ti e de mim que o tecido encharcado já não consegue engolir. 
O cheiro sobe, salgado, ácido, nosso, e impregna-se no ar parado do quarto.

Os lençóis em brasas queimam-me a pele. 
Cada prega do tecido molhado é uma pequena labareda contra as minhas coxas, contra o ventre, contra os seios esmagados no colchão. 
A almofada úmida ainda guarda a marca dos meus dentes, o algodão frio de saliva onde afoguei os gritos. 
Viro o rosto de lado e o tecido molhado cola-se-me à bochecha, fresco por um instante antes de aquecer de novo com o calor da minha pele.

O teu peso não alivia. 
Continuas em cima de mim, o pénis a escorregar devagar para fora com a gravidade e o relaxamento dos músculos, e o sémen que estava retido sai atrás dele numa golfada morna que me escorre pela coxa até ao joelho. 
Não tens pressa. 
Eu também não. 
O fogo arde em brasas lentas sob os corpos exaustos.




  Cléia Fialho