TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

segunda-feira, 11 de março de 2019

DESEJO ANCORADO



Você respirou no meu peito
E acendeu tudo.

Plantou rosas no meu silêncio,
Abriu meu corpo como se abre um caminho,
E me guardou entre os teus lábios
Como quem guarda um segredo molhado de vontade.

Você confortou meus medos
Com a boca,
Deixou que o vento da tarde levasse o resto.

Você,
Fogo na minha pele,
Semente no meu ventre,
Chuva que escorre lenta pelas minhas coxas,
Raiz que me prende,
Canção que me faz gemer baixo.

Cotovia que me acorda com suspiros,
Mão que sabe onde eu queimo.

Fica ancorado no meu mar,
Navega em mim,
Me inunda.

Eu te declaro meu porto,
Onde eu me abro,
Meu horizonte,
Onde eu me perco toda.




  Cléia Fialho

domingo, 10 de março de 2019

MARTÍRIO DE TE AMAR




Eu corro contra o tempo
 reprofundo nas ondas do mar
 drapejo nas asas do vento
 anseio seu corpo alcançar...

 Cada minuto é um inferno
 as horas parecem parar
 meu peito gélido inverno
 espero seu amplexo encontrar...

 No letargia da madrugada
 a solidão a me acompanhar
 o dilúculo como revoada
 faz o meu intelecto pirar...

 Eu acelero mas não te alcanço
 nem chego a te tocar
 açodo em um sobrelanço
 nesse martírio de te amar...




  Cléia Fialho

sábado, 9 de março de 2019

GAÚCHA APAIXONADA




Sou gaúcha apaixonada
Chimarrão e coração quente
Amor que não se acaba.

Trago o campo no olhar,
vento sul na minha voz,
a coragem de quem ama
sem deixar nada pra depois.

No mate que passa de mão,
vai afeto e vai verdade,
vai promessa de carinho
com gosto de eternidade.

Sou da prenda que se entrega
com firmeza e devoção,
que carrega na alma inteira
fogo manso de paixão.

Se amo, é como o pampa:
vasto, livre e constante —
sou gaúcha apaixonada,
amor eterno, pulsante.





  Cléia Fialho

sexta-feira, 8 de março de 2019

ÀS ALTURAS



Nas asas do prazer
alma se aventura
Teus beijos 
e teus toques...
Me alavancam 
às alturas.

Nos teus braços me perco
em febril formosura,
teu desejo me envolve
com ardente ternura.

Cada sopro da boca
faz meu corpo incendiar,
numa dança sem tempo
sobre a pele a queimar.

Teu olhar me desnuda
com lasciva tão pura,
e meu peito se entrega
à paixão que tortura.

Nos gemidos contidos
da volúpia em fervor,
vou sorvendo em teus lábios
o mais doce sabor.





  Cléia Fialho

quarta-feira, 6 de março de 2019

O BEIJO QUE NÃO DORME



Fechei os olhos pra dormir,
E você veio de novo,
Inteiro na minha memória,
Beijo impresso na pele.

Lembro quando sua boca roçou a minha,
Toque quente,
Descobrindo um amor ainda não vivido,
Meu corpo tremendo contra o seu,
Derretendo naquele abraço que a gente tanto sonhou.

Sua mão na minha nuca,
Me puxando pra perto,
Lábios entreabertos,
Aquele beijo prestes a explodir.

Você me acomodou em você,
Meu peito aceso acordou o seu desejo,
E eu fiz dele meu.

Sua boca entrou na minha,
Suave,
Doce,
Me banhando inteira,
Matando a sede que eu tinha de você.

Nossas línguas se acharam,
Calaram as palavras,
Nossas almas gritaram
O amor tanto tempo escondido.

Suas mãos me desenharam,
Me tatuaram de vontade.

Nossos lábios se acharam de novo,
E de novo,
Derretendo o mundo escuro lá fora,
Construindo carinho com água e sal.

Fica na minha boca,
Pra sempre,
Me enlouquece,
Me consome,
Bebe de mim.

Agora eu sei,
Eu amo o beijo dele.




  Cléia Fialho

terça-feira, 5 de março de 2019

FAMINTA E FEROZ




Sou mulher 
faminta e feroz
pronta para devorar em prazer
maliciosa me torno atroz
basta você me querer.

Meu olhar acende labaredas,
minha boca aprende a provocar,
há tempestades em minhas veias
quando você ousa me tocar.

Não sou calma quando desejo,
sou chama que sabe envolver,
um sussurro quente no teu peito
fazendo teu pulso correr.

Entre risos e promessas baixas,
minha entrega é pura tensão,
mordo o instante com urgência
e beijo lento a tua intenção.

Sou mulher — inteira, intensa —
na fome que sabe seduzir,
mas é no teu abraço que descanso
depois de tanto me consumir.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 4 de março de 2019

INSTANTE DE PURA INTENSIDADE



O toque suave, promessa de prazer,
Desliza pela pele como seda quente,
Queimando o ar, a respiração se prende
No abismo doce do teu olhar.

Nos teus braços, o mundo se desfaz,
Restam apenas nós, carne e desejo,
Um ciclo eterno de fogo e beijo,
Onde a razão se perde, sem paz.

Sinto a tua mão subir devagar,
Traçando mapas de loucura antiga,
Cada curva é uma porta aberta,
Para o êxtase que nos conquista.

A respiração ofega, pesada,
O calor sobe, subindo pelo corpo,
Enquanto o tempo congela, suspenso,
Neste instante de pura intensidade.

Teu sopro toca meu pescoço ardente,
E a pele treme, busca o teu toque,
Como quem tem sede e não tem voz,
Só sente o prazer que nos consome.

Não há limites, não há fronteiras,
Somos maré que bate na areia,
Ondas de carne, espuma e desejo,
Unindo almas em plena entrega.

A noite é nossa, o escuro é cumplice,
Iluminado só pela chama interna,
Que queima, queima, queima sem fim,
Até que a alma se torne poeira.

Deixa-me entrar, deixa-me possuir,
Cada fragmento do teu ser inteiro,
Que no teu colo eu encontro a paz,
O inferno doce do nosso amor.

Sê minha agora, sê toda minha,
Neste instante que não tem começo,
Onde o prazer é a única lei,
E o silêncio grita nosso nome.




  Cléia Fialho

domingo, 3 de março de 2019

AMANHECER A DOIS



E quando o sol desponta no horizonte,
Ainda sinto seu calor,
A cada dia, um novo horizonte,
Despertamos em um só amor.

Na sinfonia das manhãs,
Seu riso é a melodia,
Que embala nossas almas,
Em perfeita harmonia.

E quando o sol nos pega nus,
Sem pressa de nos levantar,
Teu corpo ainda chama o meu,
Num jeito doce de me amar.

Teus beijos descem devagar,
Pela pele ainda marcada,
Da noite que não quis passar,
E na manhã foi recomeçada.

Te abraço por trás, te puxo pra mim,
Sinto teu arrepio encostar.
Sussurra meu nome assim,
Que eu não quero nunca parar.

A luz te desenha inteira,
Suor e lençol pelo chão.
Manhã que vira brincadeira,
De dois que viram um só coração.

E que o dia espere lá fora,
Que o mundo pode esperar.
Aqui dentro ainda é agora,
E eu só quero te amar, te amar, te amar.




  Cléia Fialho