TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

sábado, 1 de agosto de 2020

SUFOCAÇÃO DE UM CORPO EM CHAMAS




A carne pulsa num ardor sem freio,
Um fogo que consome a alma em seu deleite.
O pensamento, escravo do desejo,
Não encontra repouso, nem um minuto.

Cada toque, um arrepio que me inunda,
Um convite à entrega, um grito abafado.
A pele, sedenta, anseia a funda
União de corpos, num trance encantado.

A noite se estende, longa e velada,
Enquanto a insônia me rouba o sossego.
Em tua ausência, a alma torturada,
Clama por teu abraço, teu apego.

Os sonhos me trazem teu vulto sereno,
A voz que me embala em doce canção.
Mas o despertar é um golpe pequeno,
Que me devolve à cruel solidão.

Um anseio que arde, sem trégua nem fim,
Um clamor que ecoa no meu interior.
Desejo-te perto, sinto em mim
A força que move o mais puro amor.

As horas se arrastam, lentas demais,
Enquanto a saudade me rói o peito.
Quero teus lábios, teus arroubos, teus ais,
Um encontro de almas em perfeito feito.

E em cada suspiro, em cada gemido,
Encontro a promessa de um dia vir a ser.
Um amor que transborda, tão vívido,
Que me faz sonhar em contigo viver.

A mente divaga em mil fantasias,
Onde o toque é o guia, o olhar o compasso.
Em ti me perco em doces alegrias,
Em um labirinto de terno abraço.

A pele que anseia o calor da tua mão,
O corpo que anseia a tua presença.
Em ti encontro a pura redenção,
E a mais doce e intensa experiência.

Um mar de emoções, que me arrasta e me leva,
Em ondas de entrega, em um turbilhão.
É o amor que me chama, que me renova,
E me faz renascer em cada canção.

E assim sigo eu, em ti a pensar,
Com o coração em um ritmo acelerado.
Na espera constante de te encontrar,
Em um amor que me faz realizado.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 31 de julho de 2020

SONHOS E ILUSÕES



Sou a sua realidade
 Dos seus olhos a alucinação
 A doçura de cada instante
 Escorrendo...
 Pelo canto dos seus lábios.

 Eu sou a precisão
 Em seu viver intenso
 Sou seu nada e o seu tudo
 Cada partícula do seu mundo
 De sonhos e ilusões
 Presente em todas as ocasiões.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 30 de julho de 2020

AS HORAS DANÇAM NUAS




Quando o sol romper, exaustos e cheios,
Não me perguntes onde ficaram os meses de ausência,
Estão desfeitos aqui, entre os nossos joelhos,
Entre o suor e o gozo, entre a fome e a essência.

As horas dançaram nuas, sem pudor algum,
Em sinfonia de corpos, um balé sem fim,
Onde o tempo se perdeu, num êxtase comum,
E cada toque um grito, que ecoa em mim.

Teu corpo, mapa de desejo que explorei,
Cada curva um convite, um segredo a desvendar,
Na noite que se estendeu, em ti me mergulhei,
Em busca do abismo que eu sempre quis encontrar.

Nossos gemidos, hinos que a alma entoou,
No altar sagrado da carne, em união divina,
Onde o orgasmo explodiu, e a razão se apagou,
Em cada espasmo, a vida mais pura e genuína.

E agora, ao amanhecer, com a pele ainda a vibrar,
Marcada pelos beijos, pelo amor que nos consumiu,
Não há espaço para perguntas, nem tempo a lamentar,
Apenas a certeza do que em ti se descobriu.

Os meses de ausência, em teu abraço se findaram,
Na tempestade de prazer que nos levou ao céu,
E os instantes fugazes, em memória se gravaram,
Nos nossos corpos exaustos, sob um novo véu.

Não há arrependimento, nem dor que me assombre,
Apenas a plenitude do que juntos vivemos,
Nesse ritual selvagem, onde o amor transborde,
E os nossos corpos cansados, a glória do gozo temos.

Assim, quando o sol romper, exaustos e cheios,
Com a memória vívida do prazer que nos uniu,
Sabemos que os meses de ausência, agora são nossos anéis,
Presos na essência do amor, que em nossos corpos fluiu.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 29 de julho de 2020

terça-feira, 28 de julho de 2020

SENSUAL OLÊNCIA



Prendeu-me em teus braços
 sedutores e ardentes
 fez-me ocupar teus espaços
 de aspiração e expiração quentes.

 Perfumou a minha vida
 na justa e perfeita medida
 em teu corpo há essência
 uma magia hospitaleira.

 Inalando tua sensual olência
 tornaste-me tua prisioneira...




  Cléia Fialho

sábado, 25 de julho de 2020

FORÇA E PRESSÃO



Indo e vindo... 
vindo e indo...
 Em um insano prazer infindo
 Com muita força e pressão
 
Em um gozo abduzida
 Sem pena e sem perdão
 Quero assim ser possuída...

Indo e vindo…
vindo e indo…
num giro de desejo sem fim definido.

E o tempo se quebra em ondas profundas,
onde tudo em mim perde direção,
e resta apenas o impulso do instante.

Força que arrasta, silêncio que chama,
um abismo doce onde eu me lanço inteira,
sem mapa, sem freio, sem nome.

E nesse movimento que não se explica,
eu me deixo levar —
como quem descobre que cair também é forma de voo.





  Cléia Fialho

sexta-feira, 24 de julho de 2020

SOMBRAS E TOQUES



Deixemos que a noite nos envolva,  
teus lábios, uma promessa de prazer  
enquanto o luar se esgueira das nuvens,  
refletindo a chama que arde em nós.

Neste instante, o universo é pequeno,  
nada além do calor dos nossos corpos,  
cada suspiro uma ode à verdadeira essência,  
onde somos mais que sombras, somos luz.

Assim, os ritmos se entrelaçam,  
enquanto a vida flui entre nós,  
devagar, feroz, como um rio indomável  
que arrasta tudo em sua passagem.

Não sei se em nossa língua me expresso,  
ou se o calor se revela em silêncios,  
mas é nos ecos, nas batidas do peito,  
que nossas vozes dançam em união.

Os nossos corpos, numa sintonia,  
se cruzam em caminhos desenhados,  
como estrelas que atingem seu destino,  
desvendando a noite e suas promessas.

Perdia-me em ti, por dias e dias,  
em teu abraço, calor que me consome,  
cada toque, cada sussurro é um lume  
que queima na memória, ardente e vivo.

E entre as sombras, a paixão se desenha,  
como a maré que beija a areia à noite,  
despertando desejos ocultos,  
uma dança de instintos, livre, intensa.

E nesse devorar silencioso,  
nossos mundos se encontram em um só,  
onde o tempo se dobrando em nós,  
suspende o ar, transforma tudo em puro.





  Cléia Fialho