TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

terça-feira, 21 de dezembro de 2021

ABRAÇO SUFOCANTE



Sei que a proximidade
às vezes desfoca o olhar
e o peito se avoluma
querendo o mundo inteiro
num abraço sufocante.

Mas é aqui que te quero,
sinto a necessidade profunda
de te ter em mim,
como a seiva que corre,
como o ar que respiro.

E sei que lá longe
pairam sombras esquecidas,
rostos ausentes que se perdem
na bruma do tempo,
mas o meu plano é outro.

Vejo-te em zoom,
a tua imagem nítida,
o teu contorno preciso
que se recusa a desvanecer.

E a tua falta
é um vazio que dói,
uma saudade que se agarra,
uma ausência palpável
que me impede de te soltar.

Quero-te aqui,
bem perto,
onde a tua voz
se mistura com a minha,
onde os teus passos
ecoam nos meus.

Não quero largar mais
essa mão que me guia,
esse olhar que me acalma,
essa presença que me nutre.

Mesmo que o mundo
grite lá fora,
com os seus medos e as suas dores,
eu fecho os olhos
e encontro-te em mim,
mais vivo e presente
do que qualquer sombra ausente.

O teu toque é o meu porto,
o teu silêncio, a minha canção.
E neste espaço íntimo
onde o tempo se dilui,
eu sinto a certeza
de que é aqui o meu lugar,
contigo,
sempre contigo.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

CAMPINAS VERDEJANTES




Nas capinas verdejantes do meu Rio Grande
Onde a terra se abraça com o céu distante
Um cenário de encantos, belo e grande
Desperta a alma, faz pulsar o peito amante.
 
Pelos campos que se estendem sem fim
Onde o vento dança nos trigais dourados
O coração se perde, flui sereno assim
Entre as coxilhas, pelos caminhos trilhados.
 
Sob o azul límpido do céu aberto
As correntes dos rios bailam em canções
Um manto de águas, como um verso esperto
Que ecoa na alma, aflora emoções.
 
Nas capinas verdejantes do meu chão
O chimarrão perfuma o ar suavemente
E o gaúcho, com orgulho em sua mão
Cuida do solo, com zelo, fielmente.




  Cléia Fialho

NOSSOS GEMIDOS ECOAM



Nossos gemidos ecoam 
pela escuridão,
Como uma canção proibida 
que só nós conhecemos.
Somos artistas de nossa própria 
história sensual,
Criando um clima deleitoso 
que desafia a moral.

Cada verso é uma promessa 
de prazer indescritível,
Cada estrofe é uma explosão 
de emoção e êxtase.
Somos folhas em branco 
esperando serem preenchidas,
Com a tinta quente de nossos 
desejos mais profundos.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 17 de dezembro de 2021

O AMOR É PELE


 

A noite não pede licença, apenas entra,
deslizando como seda sobre o calor.
Meus dedos traçam viagens na sua pele,
buscando o norte do seu desejo.

Sinta como a carne recorda o toque,
cada célula gritando por contato.
A respiração se entrelaça, pesada,
doce veneno que nos consome.

Não há palavras, só o suspiro,
o ar quente que nos envolve e prende.
O mundo lá fora deixa de existir,
ficamos apenas nós, carne e alma.

Africo-me em ti, lento e profundo,
descobrindo sabores de mel e sal.
Cada curva é um segredo revelado,
cada beijo, um novo ritual.

Deixa que o fogo consuma a razão,
que a pele seja o único idioma.
Neste instante, tudo é permitido,
tudo é profano e sagrado ao mesmo tempo.

Sua mão desce, lenta, devota,
acendendo faíscas na escuridão.
Eu me rendo à força bruta do prazer,
ao desejo que nasce e não tem fim.

Somos marés que se chocam e unem,
ondas que quebram na areia quente.
Não há amanhã, só este agora,
onde o amor é pele e é essência.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 15 de dezembro de 2021

VIBRA NA GARGANTA



Ajoelho-me no silêncio que arde,  
o corredor se torna altar de carne,  
meus lábios buscam o sal da tua ausência,  
e o gosto da saudade se abre como ferida doce.  

Teu gemido rasga o ar,  
áspero, selvagem,  
um trovão que vibra na garganta,  
fazendo tua pele estremecer como relâmpago preso.  

Arranco o tecido que te cobre,  
cada botão é uma batalha vencida,  
meus dentes roçam tua pele em brasas,  
meu sopro é incêndio que desce pelo pescoço,  
até encontrar o território firme do teu ventre.  

Minha mão explora,  
mapa de músculos tensos,  
terra úmida que pulsa sob o toque,  
ergue-se tua saia como bandeira molhada,  
escamas de desejo que se abrem em ondas.  

O chão já não existe,  
somos apenas corpo contra corpo,  
selvageria que não pede licença,  
um rito cru, intenso,  
onde cada gesto é faca,  
cada beijo é ferida,  
cada respiração é guerra.  

Teus olhos queimam,  
meu suor se mistura ao teu,  
a língua percorre caminhos proibidos,  
e o mundo se dissolve em gemidos roucos,  
em tremores que não conhecem fronteira.  

Sou animal em tua pele,  
sou tempestade em tua boca,  
sou vertigem que te arrasta,  
sou o grito que te invade,  
sou o fogo que não se apaga.  

E quando o último véu cai,  
não há mais nada além da carne exposta,  
do desejo cru,  
da entrega visceral,  
do abismo que nos engole,  
selvagem, arrebatador,  
sem retorno.  




  Cléia Fialho

terça-feira, 14 de dezembro de 2021

segunda-feira, 13 de dezembro de 2021

FÚRIA NA PELE



Cada impacto vira fôlego,
cada movimento risca o ar com fome.
Meu corpo escreve em teu corpo
uma linguagem bruta, sem freio, sem descanso.

Teu gemido rouco me atravessa
como se a noite se partisse em dois.
Eu avanço na maré do instante,
selvagem, inteiro, tomado pela vertigem.

Há força, suor e um incêndio antigo
subindo pela pele sem pedir licença.
E tudo o que sou se desmancha
na urgência do toque,
na febre do encontro,
na violência bela do desejo.

Ficas em mim como marca viva,
como eco quente, como chama acesa,
um poema sem márgenes, sem medida,
feito de pulsação, entrega e presença.




  Cléia Fialho

sábado, 11 de dezembro de 2021

SUSSURROS ESCORREM PELA PELE



O ar pesa, denso, carregado de eletricidade,
onde cada olhar é um toque invisível,
e o silêncio grita o que a boca cala.

Sussurros escorrem pela pele,
como mel quente sobre a noite fria,
desenhando mapas de desejo
nos contornos do corpo que se entrega.

Gemidos incontidos rompem a barreira,
fragmentos de uma alma despida,
ecoando no quarto escuro,
tornando o tempo, lento e pesado.

Não há palavras que bastem,
apenas o ritmo da respiração,
o suor que beija a outra pele,
e o medo doce de perder a razão.

Pedidos obscenos fluem das entrelinhas,
súplicas baixas, quase imperceptíveis,
que transformam o proibido em sagrado,
o profano em altar de carne e luz.

Os dedos traçam fronteiras esquecidas,
explorando zonas de perigo e prazer,
enquanto o mundo lá fora desaparece,
dissolvido na névoa do instante.

Há uma dança antiga, primitiva,
onde a vergonha se rende ao calor,
e cada suspiro é uma promessa
de que esta noite não tem fim.

O silêncio volta, mas agora é diferente,
cheio de ecos, de marcas, de verdade,
enquanto os corpos, exaustos e plenos,
descansam na concha do mesmo abraço.




  Cléia Fialho