TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

quarta-feira, 29 de dezembro de 2021

O BECO DA MÁ FAMA


 
 Danielly perdeu o último ônibus para casa.
 O dia no trabalho não foi puxado e não querendo gastar em táxi, resolveu caminhar.
 Ao invés de ir por ruas mais seguras e bem iluminadas, resolveu cortar caminho pelo beco, apesar da "má fama" dele, isso lhe pouparia uns 20 minutos, e como nasceu e cresceu naquele lugar, não temeu muito!.
 Parou em frente à viela, olhou bem, notou que estava tudo tranquilo e seguiu...

Mal deu os primeiros passos e de sobressalto apareceram 3 homens à sua frente!
 Droga, mas que susto! Estava meio escuro, mas ela os podia ver e conhecia aqueles rapazes bonitos e sarados (de um "oi" aqui outro ali...).
 Eles a convidaram para ir á casa deles (ao lado) mas ela recusou dizendo que já estava tarde.
 Um deles aproximou-se e cheirou seus cabelos. Danielly sentiu o medo invadir-lhe o corpo, mas tentou manter-se calma.

 Tentou argumentar e quando viu estava completamente cercada pelos três homens grandões e fortes.
 Queria gritar mas não conseguia (ou não queria...!) Era um turbilhão de sentimentos e emoções inexplicáveis.
 Pois eles a estavam deixando acoada, mas de maneira muito sutil e envolvente.
 Teve a sensação de estar envolta à um polvo... eram mãos que a tocavam por todas as partes do corpo, que mesmo trêmulo, correspondia àquelas invasões.
 O silêncio foi quebrado por palavras obscenas, ela não reconhecia qual deles falava, apenas ouvia:
 - Sempre quis pegar essa vadia gostosa!
 - Essa safada já está toda molhadinha!
 - Vou comer todinha essa putinha!
 Sentiu suas roupas serem arrancadas aos poucos, um beijava-lhe a boca, outro já sugava-lhe os seios entumecidos, enquanto o outro... conduzia-lhe a cabeça em direção ao seu membro tremendamente rijo.

 Esquecendo-se que estava na rua, de pé e completamente nua, Danielly entregou-se à loucura desvairada, aos desejos daqueles três predadores que lhe atacavam ferozmente, porém com uma tamanha destreza, ora brutal, ora sensual!
 E ela dividia suas mãos e sua boca entre dois membros, enquanto de outra boca saia e entrava uma língua afiada de dentro de sua vulva quente.
 Danielly que estava em pé com a bunda empinada, deu um grito de dor e tesão ao sentir sua carne dilacerada por uma penetração forte e profunda.

E ela continuava chupando aqueles dois membros duros que só estavam à espera da sua vez, para desfrutar da sua fenda suculenta...
 Eles a conduziram para dentro do pátio da casa deles e a troca foi feita.
 Ela sentiu outro membro invadir suas entranhas tão eroticamente bárbaro como o primeiro.
 E ela obedeceu ao comando daquele que acabara de possuí-la dizendo:

 - Toma! Lambe todinho o seu gozo aqui...
 Só restava um que ainda não a havia comido...
 Foi quando ele deitou-se no chão da área ali mesmo e puxou-a para cima dele, fazendo-a cavalgar como uma potranca!
 Outro veio por trás e tentou penetrá-la, mas ela temendo não aguentar empurrou-lhe...
 Em meio à tantas ameaças sensuais, muitos beijos molhados, mordidas em seu pescoço, puxões de cabelos... ela acabou aos poucos cedendo.

Afinal eram "três" que queriam e iriam devorá-la de "todas" as maneiras possíveis e imagináveis.
 Foi a sensação mais prazerosa que Danielly já havia sentido. Ser penetrada por dois falos estupidamente duros, latejantes... que incessantemente saiam e entravam inteiramente na frente e atrás... enquanto seus gritos de dor e prazer eram engasgados por outro pênis que truculentava sua boca...
 Assim ela foi a barganha deles por horas...
 Foi a permuta deles noite à dentro...

 Sentindo-se um objeto sexual... usada e abusada... virada do avesso por aqueles animais...
 Todos estes sentimentos fizeram com que Danielly daquele momento em diante...
 Não se preocupasse mais em perder o último ônibus.
 Nem fizesse questão de gastar em táxi e muito menos andar pelas ruas mais seguras e iluminadas...
 Agora ela queria mesmo só entrar no beco da "má fama", pois lá ela conhecera o verdadeiro endereço do prazer!




  Cléia Fialho

terça-feira, 28 de dezembro de 2021

TORNADO DA LUXÚRIA



A luxúria é vento furioso,
um redemoinho que arrasta tudo,
corpos girando em vertigem,
gemidos que se tornam tempestade.

Cada toque é sopro selvagem,
cada beijo, vendaval que rasga,
e não há abrigo possível,
pois o tornado da carne devora sem clemência.

Somos fragmentos no ar,
somos febre em rotação,
somos o caos que se multiplica
até que o mundo se dissolva em prazer.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 27 de dezembro de 2021

À VERTIGEM DA TUA APROXIMIDADE



Há algo feroz na sua presença,
algo que me chama para perto
e me deixa sem linguagem.
Teu calor me atravessa como um comando,
e eu me entrego
à vertigem da tua proximidade,
à precisão do teu desejo,
ao incêndio que se abre
quando teu corpo encontra o meu.

Desço a boca pelo teu pescoço
como quem segue uma corrente elétrica.
Sinto teu ventre suportar sob a mão,
sinto o teu fôlego mudando de ritmo,
sinto o instante inteiro se inclinar
para dentro desse excesso
que nos toma por completo.

Ajoelho-me diante da tua presença
como quem confirma um rito antigo.
Há em ti uma força que me chama
e me desmonta suavemente,
sem ruído, sem defesa, sem retorno.

Teu silêncio pesa sobre a pele
como uma ordem suave e absoluta.
E eu te provo aos poucos,
como se a saudade tivesse aprendido
o caminho exato da tua boca,
o mapa quente da tua respiração,
a febre escondida no teu jeito de ficar.

Teu gemido me atravessa
como se a noite abrisse uma fenda de fogo.
Teu corpo responde ao meu impulso
com uma tensão que vibra no ar,
e tudo ao redor perde forma,
perde nome,
perde medida.

Arraste os dedos por sua roupa
como quem desfaz um feitiço.
Cada botão cai com a delicadeza
de uma promessa realizada.
E quando a tua pele começa a aparecer
diante da minha fome,
o mundo se estreita,
o corredor desaparece,
e só resta esse claro
que cresce entre nós.

Te levo comigo para esse lugar sem volta
onde a vontade vira febre,
onde a pele vira fala,
onde cada gesto é um abalo
e cada silêncio, uma ameaça de mais.
E assim ficou,
entre o impulso e a rendição,
entre o toque e o delírio,
entre a chama e o que ela consome.




  Cléia Fialho

domingo, 26 de dezembro de 2021

A CHAMA DO DESEJO



A chama do desejo  
Arde entre os corpos,  
Desperta os segredos,  
E os sonhos mais loucos...

Palavras sussurradas,  
Como brisa no ouvido,  
Desnudam os anseios,  
Deixando-nos perdidos.

Teus dedos, um mapa,  
Exploram sem pressa,  
Deslizam pela pele,  
Em danças de promessa.

Cada toque, um eco,  
Um convite ao pecado,  
E o tempo se dissolve  
No prazer desenfreado.

Teus olhos, um convite,  
Um universo profundo,  
E ao me perder neles,  
Descubro outro mundo.

A noite se espraia,  
Entre gemidos e risos,  
E a paixão se revela  
Nos nossos improvisos.

E assim, entre sussurros,  
Nos entregamos, sem fim,  
Na dança dos corpos,  
Eu sou você, e você é eu... enfim.




  Cléia Fialho

sábado, 25 de dezembro de 2021

NUVENS DE TINTA



Nuvens de tinta 
dançam no mar
Peixes voam em 
cardumes de vento
O sol derrete 
em tons de luar
E a lua cintila 
num céu turbulento.

O tempo escorre
em relógios de areia líquida
Sonhos navegam
em barcos de pensamento
As estrelas sussurram
segredos à noite despida
E o silêncio pulsa
no coração do momento.

Entre brumas de sentidos
a realidade se dissolve
Versos nascem
do caos e do encanto
E a alma, livre,
no infinito se envolve
Tecendo poesia
no sopro do espanto.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 24 de dezembro de 2021

TRONO DA LUXÚRIA



A luxúria ergue seu trono em nossos corpos,
feito de gemidos, suor e vertigem.
Cada gesto é coroação,
cada beijo, decreto selvagem.

Sentados no poder da carne,
reinamos sobre o caos da noite,
onde não há súditos nem fronteiras,
apenas a febre que nos governa.

O trono da luxúria é eterno,
feito de fogo e entrega,
e nele somos reis e escravos,
devorados pelo próprio desejo.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 23 de dezembro de 2021

INVADE O MEU ABISMO




Não te concedo a trégua do repouso,
Pois trago a fome antiga engasgada;
De bruços mudo o rumo da jogada,
Erguendo as ancas num desejo ousado.

Contra o colchão empurro o corpo aceso,
Em ti cravando os dentes com crueza;
Invade o meu abismo, ó meu vício,
E verte em mim a tua correnteza.

Que o teu dilúvio quente me incendeie
E afogue a lucidez que nos restava,
Num espasmo cego que o lençol enleie.

Deixa teu selo estrito em minha pele,
Pois nesta noite a carne se consagra
No gozo eterno que me inunda as entranhas.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 22 de dezembro de 2021

ESPASMO QUE ARREBENTA



Retorno à tua boca com a garganta em brasa,
minha língua invade a tua como serpente faminta,
sugo teu fôlego como quem rouba um segredo doce,
mordo teus lábios até sentir o gosto ferroso do desejo.

Deslizo pelo teu pescoço com dentes impacientes,
marco tua clavícula com o carimbo úmido da minha boca,
minhas unhas riscam teu peito como raios sobre a pele,
tatuo teu corpo com beijos que ninguém apagará.

Percorro cada relevo teu, faminta, insaciável,
lambo o suor salgado que escorre entre teus músculos,
mordisco o teu ventre trêmulo, arrastando a língua,
desço mais, subo mais, te transformo em mapa profanado.

Tua mão me agarra com força de comando bruto,
ergue meus quadris como oferenda entregue ao altar,
sinto teus dedos cravarem-se na minha carne trêmula,
e eu me abro inteira, molhada, pronta para o teu assalto.

Entras em mim fundo, sem medo, sem hesitação,
rasgas meu silêncio com uma estocada rouca e certeira,
meu corpo arqueia, engole tua fúria centímetro a centímetro,
e eu grito o teu nome como quem invoca uma tempestade.

Me arremessas contra o colchão com fome antiga,
teus quadris batem nos meus num compasso selvagem,
os lençóis se enroscam nos nossos corpos suados,
e a cama range o hino cru do nosso desatino.

Me fazes gemer como bicho preso no cio,
gemidos que sobem pela garganta em ondas quentes,
imploro por mais, arranho tuas costas até sangrar,
e tu ris rouco no meu ouvido, sabendo que sou tua ruína.

Somos fera e fera, carne e carne, incêndio e incêndio,
gozamos juntos num espasmo que arrebenta o mundo,
e ainda ofegantes, com a pele em fogo e a alma tremendo,
já sinto de novo essa sede antiga, essa fome nova.




  Cléia Fialho