TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

sábado, 11 de junho de 2022

HISTÓRIA SINGELA



Gemidos esparsos, incontidos nas gargantas
Segredos sussurrados, anseios que nos encantam
No eco da paixão, nossas almas se entrelaçam.

Nas noites de silêncio, em amor nos consumimos
Desejos proibidos, em suspiros nos perdemos
Dois corações em chamas, em versos nos rendemos.

Assim, na penumbra, nosso amor se revela
Em cada gemido, a promessa que nos cela
Um segredo profundo, nossa história singela.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 10 de junho de 2022

LIVRO É UMA PAIXÃO



Livro é uma paixão
que me envolve
Nas páginas
um mundo se revela

Nas histórias
meu coração se dissolve
Nas letras
minh'alma voa e se sela.

Cada capítulo
é porto e viagem
Onde os sonhos
aprendem a florescer
A imaginação
desenha a paisagem
Que só a leitura
nos faz conhecer.

Entre versos
e narrativas encantadas
Coleciono emoções
em cada estação
São sementes
de ideias cultivadas
Que fazem crescer
o jardim da inspiração.

Quando fecho
o livro ao anoitecer
Levo comigo
o que pude aprender
Pois quem lê
jamais deixa de viver
Mil vidas belas
em um só amanhecer. 





  Cléia Fialho

quinta-feira, 9 de junho de 2022

EM SEUS BRAÇOS



O meu corpo dança
Em seus braços
 Bailando ao som
Do toque de suas mãos
 Meu corpo move-se
 Ao sugar dos seus beijos
 Converte-se em plenos desejos.

O meu corpo dança
Em seus braços
Bailando ao som
Do toque de suas mãos
Meu corpo move-se
Ao sugar dos seus beijos
Converte-se em plenos desejos.

E a noite desliza
Em febris compassos
No ardor que percorre
A seda dos nossos laços
Minha pele acende-se
No calor do teu ensejo
Entregando-se inteira
À vertigem do desejo.

Teu olhar me envolve
Em silenciosa chama
E o tempo se perde
Quando teu peito me chama
Meu suspiro desfalece
Na doçura do teu abraço
Enquanto a paixão floresce
No calor do teu cansaço.





  Cléia Fialho

quarta-feira, 8 de junho de 2022

PERTENCEMOS UM AO OUTRO



Quero matar sua fome de paixão
 Em minha libido quente e selvagem
 Saciar sua sede de desejos
 Em minhas fontes de prazeres.

 Molhar seus gemidos com meus beijos
 Secar o suor do seu corpo
 Em minha carne trêmula
 Realizar as vontades da sua língua...

 Entrelaçada nas minhas coxas
 Selar o seu sexo com o meu
 Escrevendo com orvalhos extraídos
 Dos nossos poros fumegantes que
 "Pertencemos um ao outro".




  Cléia Fialho

terça-feira, 7 de junho de 2022

TURBILHÃO DE DESEJOS



Entre as suas fantasias e as minhas
 Há um turbilhão de desejos
 Uma louca vontade de transferir
 Tudo isto para a nossa realidade...

 Você sente meu cheiro de mulher carente
 Eu absorvo seu tesão emitente
 Sonhos lascivos de noites quentes
 Onde o amor se compraz
 Em nossos corpos suados...

 Carregados de volúpias
 Sobrecarregados 
de alucinantes fetiches
 Ousadias desmedidas
 Escondidas e vividas...

 No silêncio dos nossos versos
 Que aguardam um dia derramar
 As lavas desse vulcão incandescente
 Dentro um do outro.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 6 de junho de 2022

SELVAGEM E VORAZ



Eu me rendo aos teus passos no silêncio da noite,
me ajoelho onde o desejo pulsa feroz,
degusto o sabor guardado no tempo, no espaço,
minhas mãos desvendam a tua pele, tremendo,
teu corpo se entrega em suspiros ásperos,
a garganta queima, a respiração se perde.

Desfeito teus vestígios, botão por botão,
minha boca incendeia o caminho do teu pescoço,
a pele arde sob o toque voraz,
teu ventre, firme e convidativo, se oferece,
elevo a barra da tua saia, revelo segredos molhados,
escamas de paixão escorrem entre meus dedos.

No compasso selvagem da carne e do fogo,
beijo teu corpo como quem se afoga em mar revolto,
cada curva, um convite ao devorar,
cada gemido, um grito de posse e entrega,
teu suor mistura-se ao meu,
cru e urgente, o desejo rasga a noite.

Sou tempestade que desaba em ti,
vento que invade, que rouba, que prende,
meus lábios traçam mapas na tua geografia ardente,
minhas mãos escavam até o centro da tua essência,
onde a chama nunca se apaga,
onde o êxtase é brutal e completo.

Entre sussurros e gritos, nos perdemos,
corpos entrelaçados em dança sem regras,
o mundo reduzido ao toque, ao sabor, à pele,
teu corpo me domina, me enlouquece,
e eu me entrego, selvagem e voraz,
ao prazer que nos consome, sem limites.

No silêncio que sobra depois do fogo,
resta apenas a respiração ofegante,
os corpos suados, a alma nua,
o eco de um desejo que não conhece fim,
e a promessa de um recomeço,
no instante em que nossos corpos se buscarem de novo.




  Cléia Fialho

domingo, 5 de junho de 2022

RIO QUE EU BEBO E REAQUEÇO



Eu cavalgo o teu peito, eu mordo o teu queixo,  
eu chupo o teu ombro, eu arranho o teu flanco,  
teu gozo é um rio que eu bebo e reaqueço,  
e o meu é um vulcão que se espalha em branco.  

Depois, no chão, com os dedos ainda presos,  
eu sinto o teu coração bater na minha nuca,  
e o cheiro da pele – sal e avesso –  
me diz que o inferno também se chupa.  

Teu nome é uma faca, teu corpo é uma cela,  
mas eu abro a porta e entro pelada,  
eu sou a tua puta, a tua sentinela,  
e a noite inteira é uma só braçada.  

Não me solta, não me esquece, não me limpa,  
que eu quero o teu suor na minha saliva,  
quero a tua mão na minha nuca, em cinza,  
e a tua boca – ainda viva, ainda viva.

Escorrego de joelhos no ladrilho frio,  
raspo o queixo na curva da tua coxa,  
e a casa range – não é telha, não é cio,  
é a fome que desaba e te desaprova.  

Lambejo o sal que te escorre do osso,  
o teu gemido é um galho que estala,  
eu mordo a prega, eu lambo o destroço,  
e o teu quadril gira – cobra que não se cala.  

Rebento cada botão com os dentes,  
rasgo a costura com a unha trêmula,  
teu peito é dois punhos quentes,  
eu chupo o suor, eu arranho a gema.  

Desço a língua pelo mapa do ventre,  
traço rios onde o pulso acelera,  
teu umbigo é um olho que me entre,  
e a saia sobe – vela que se altera.  

Enfio a cara no teu vale molhado,  
cheiro o musgo, o breu, a ferrugem,  
teu cheiro é um grito atravessado,  
e eu bebo o tremor, eu como a espuma,  
eu vou fundo – até o osso ser barro,  
até o teu grito rachar o ar,  
e o chão sumir no nosso desabarro.  

Teu dorso arqueia, teu calcanhar me prende,  
eu mordo o lábio que te desabrocha,  
o quarto incendeia, o tempo se rende,  
e cada gole é uma faca que me soca.  

Sangro de desejo, cuspo teu nome,  
enrolo a língua no teu eixo duro,  
tu me puxas pelos cabelos – fome,  
eu gemo baixo, eu rasgo o escuro.  

Agora de quatro, agora de costas,  
o lençol vira espuma, vira lama,  
teu dedo entra – seta grossa,  
e eu ardo inteira, eu ardo em chama.  

Não para, não para, não para o ritmo,  
o suor escorre, o grito se embola,  
teu beijo desce, teu beijo é um abismo,  
e a cama range como uma proa.  




  Cléia Fialho

sexta-feira, 3 de junho de 2022

UMA HISTÓRIA QUE PERDURA




Façamos um incêndio com as chamas desse momento
Emaranhado de instantes, risos com embasamento
Fulgor desse fogo, nossos sonhos encontram sustento.
 
Cada centelha é lembrança, nos olhares trocados
Nossas vidas enlaçadas, feito ramos amarrados
No calor, nossos medos e dúvidas são dissipados.
 
Labaredas dançam ao vento, como bailes que traçam
Caminhos em noites escuras, jamais nos embaçam
E a chama queima, na eternidade nos abraçam.
 
Que esse incêndio seja amor, que o tempo não esvazia
Que o calor aqueça almas, em perfeita sincronia
E que, nas cinzas, floresçam as memórias de alegria.
 
Damos as mãos e celebremos a chama que arrebatam
Tecendo os fios da vida com laços que jamais desatam
Uma história que perdura, recordações que se retratam.




  Cléia Fialho