TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

terça-feira, 16 de agosto de 2022

ONDE O AMOR SE GUARDA



Em tons dourados, o céu se despede
Desce a noite, suave e mansa
A luz se esconde, e o tempo cede
Ao mistério que a lua alcança.

Nas sombras dançam lembranças
De amores que o dia já quis
E em silêncio, em nós descansa.

Doce murmúrio que invade a mente
Revela segredos entre a brisa e o céu
Um toque leve e persistente
Que nos desperta num sutil véu.

Na vastidão que a alma veste
Um olhar procura abrigo
Ecoa o amor que ainda reste.

Assim vai o tempo e o sonho que passa
Ciclos que a vida tece e embala
Leva consigo, volta e enlaça
Onde o amor se guarda e se cala.




  Cléia Fialho

O Experimental Canzoneto MDSL 
é uma criação da Poetisa Margareth D S Leite

segunda-feira, 15 de agosto de 2022

O TEMPO NÃO ESQUECE



Em versos eternos
os poetas que se foram
Na vasta biblioteca do tempo
eles decoram.
 
As suas almas fluem
belos rios de saudade
A história da poesia
com a sua tenra verdade.
 
No silêncio das páginas
os seus versos ecoam
Nas letras, os seus sonhos
e paixões ressoam.
 
Como suspiros suaves
em noites de luar
Um eterno, infindável,
singelo e belo versar.
 
Guiando poetas que
aqui ainda permanecem
Em busca da poesia
que o tempo não esquece.




  Cléia Fialho

domingo, 14 de agosto de 2022

BUSCA INCESSANTE



Cada movimento, um sussurro que se torna grito,
uma palavra ecoando no silêncio cúmplice.
O corpo responde em notas graves e agudas,
melodia que se forma, intensa, sem disfarce.

Em cada pulsação, um verso se desnuda,
a pele em confluência, um poema em carne viva.
O ar que falta, a busca incessante, muda,
a linguagem secreta que nos cativa.

No toque, a métrica se desfaz em ardor,
a cadência se entrega à paixão que inflama.
E no suspiro final, em suave tremor,
a história se completa, a alma que proclama.

Deixo em ti a marca, um traço indelével,
o registro íntimo do encontro que perdura.
Um eco a vibrar, um sentimento crível,
gravado no silêncio, na noite mais escura.

E no amanhecer, o reflexo discreto,
do rastro que deixei, na fragilidade tua.
Um poema singelo, puro e reto,
na memória que guarda, a doce nuance nua.




  Cléia Fialho

sábado, 13 de agosto de 2022

GEOGRAFIA DE ESPASMOS



Teu corpo é o único destino que me importa,
uma geografia de espasmos e pele em brasa.
Sem aviso, rompo a tua pele com minhas unhas,
escrevendo a fome de mil anos em cada centímetro.
É visceral, um atrito que incendeia a alma,
não há mais ar, apenas o gosto de nós.

Estocadas que não pedem licença, que invadem, 
que tomam, que usurpam cada espaço. 
Nossos fluidos, suor e desespero, 
misturam-se em um ritual que cega a razão. 
Sou presa e predadora nesse emaranhado de membros, 
onde o grito é o único idioma permitido.

Foder até o esquecimento de quem somos,
até que os ossos tremam de exaustão.
Não há romantismo, há o choque da besta,
a entrega absoluta ao abismo que nos consome.

Tu és o caos que eu preciso,
o delírio que me vicia,
neste eterno vício de te ter, 
de te rasgar, 
de te possuir.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 12 de agosto de 2022

PACTO DO DELÍRIO



Meus dedos cravam na tua espinha como garras,
desenhando o mapa da tua submissão.
Não há espaço para o sutil:
é o choque bruto dos nossos corpos,
o suor que colapsa e cola a nossa pele.

Eu me arqueio, caçadora e caça,
enquanto minha boca morde a tua nuca
e prende o teu fôlego no limite do espasmo.
Somos dois bichos famintos no escuro,
devorando a própria carne até que não reste
nada além do rastro do nosso incêndio.

Meu quadril dita uma dança selvagem,
te puxando para o meu abismo úmido,
onde tu te perde, te afoga e te reinventa.
É o pacto do delírio,
selado no compasso violento do nosso prazer.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 11 de agosto de 2022

DOSE DE PRAZER



Comanda-me com teu toque firme, 
Penetra-me sem hesitação,
Sentindo-te profundamente,
Faz meu corpo tremer de prazer.

Tua paixão me domina,
Teu ritmo me conduz ao êase,
Teu calor queima minha alma,
E eu me perco em ti.

Teus lábios exploram meu corpo,
Tua língua traça um caminho ardente,
Cada toque é um desejo realizado,
E eu me rendo ao teu comando.

Tuas mãos me seguram força,
Teu corpo se une ao meu com intensidade,
Nossas almas se encontram no êxtase,
E eu me perco em ti novamente.

Teu gosto é a minha perdição,
Cada beijo é um passo mais perto do paraíso,
Teu toque é um afrodisíaco
E eu me afogo em teu amor.

Tua paixão é meu combustível,
Teu corpo é meu refúgio,
Nesta dança ardente,
Eu me torno tua.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 10 de agosto de 2022

MÁGICOS DA LINGUAGEM




Certos sonhos fluem na pena do poeta
Em versos que buscam a alma revelar
Nas rimas que tecem com arte certa
As palavras dançam no ar a brilhar
 
No silêncio da noite ou sob o sol
O poeta retrata o mundo em sua mão
Com métricas, ritmos, um dom crisol
Ele escreve o amor, a vida, a solidão
 
Nas letras que traça, a sua voz ressoa
Expressando sentimentos em cada linha
As palavras são inspirações, sua escolha
 
Numa busca incessante por luz e vinha
Poetas, os magos da linguagem e da mente
Trazem à vida o que é oculto, latente.




  Cléia Fialho

terça-feira, 9 de agosto de 2022

OS DEDOS TRAÇAM MAPAS



Teus olhos são poços profundos,
onde me perco sem medo de afogar.
O ar fica denso, carregado
de um segredo que não ousamos falar.

Sinto o calor subir pela espinha,
como fogo lento que consome a razão.
Cada toque é uma palavra dita
em língua antiga, de pura emoção.

A respiração se entrelaça à tua,
num ritmo que só nós conhecemos.
Os dedos traçam mapas na pele,
descobrindo mundos sob os tecidos.

A noite desce lenta, um véu de seda,
envolvendo o corpo em sombras suaves.
Não há pressa, apenas a certeza
de que o tempo se dissolve nas mãos.

Não há fronteiras, nem limites,
apenas a curva do teu quadril.
A sedução não é arma, é convite,
é o silêncio que grita mais alto.

Deixo-me levar por essa corrente,
que me arrasta para o abismo doce.
Onde a alma se veste de carne,
e o prazer é o único foco.

Bebo de ti como água da fonte,
sedento por um gole de eternidade.
Neste instante, tudo é possível,
tudo é verdade, toda a verdade.




  Cléia Fialho