onde me perco sem medo de afogar.
O ar fica denso, carregado
de um segredo que não ousamos falar.
Sinto o calor subir pela espinha,
como fogo lento que consome a razão.
Cada toque é uma palavra dita
em língua antiga, de pura emoção.
A respiração se entrelaça à tua,
num ritmo que só nós conhecemos.
Os dedos traçam mapas na pele,
descobrindo mundos sob os tecidos.
A noite desce lenta, um véu de seda,
envolvendo o corpo em sombras suaves.
Não há pressa, apenas a certeza
de que o tempo se dissolve nas mãos.
Não há fronteiras, nem limites,
apenas a curva do teu quadril.
A sedução não é arma, é convite,
é o silêncio que grita mais alto.
Deixo-me levar por essa corrente,
que me arrasta para o abismo doce.
Onde a alma se veste de carne,
e o prazer é o único foco.
Bebo de ti como água da fonte,
sedento por um gole de eternidade.
Neste instante, tudo é possível,
tudo é verdade, toda a verdade.
❦
Cléia Fialho

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