TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

TUA BOCA ENCONTRA A MINHA



Chegas enfim, depois de tanto tempo ausente,  
e o ar muda de peso quando teus passos tocam o chão.  
A casa inteira parece menor,  
como se o mundo se recolhesse  
para abrir espaço ao que vem entre nós.  

Nem a porta termina de se fechar  
e já sinto o impacto da tua presença  
como um choque quente, inevitável.  

Há meses guardados na pele,  
há saudade comprimida no peito,  
há um desejo antiga, viva, urgente,  
que reconhece em ti o seu querer verdadeiro.  

Eu me aproximo sem medir o gesto,  
atraída por essa força que não sabe ser mansa.  
Tua boca encontra a minha  
com a pressa de quem atravessou a distância inteira  
para cair de novo no centro do desejo.  
E tudo ao redor perde a nitidez,  
perde o contorno,  
perde a razão de existir.  

Teu corpo se impõe como chama aberta,  
e o meu responde com a mesma intensidade,  
como se cada parte de mim  
já estivesse esperando por esse instante  
desde muito antes do tempo.  
Há calor demais na respiração,  
há vertigem demais no toque,  
há uma urgência sem nome  
correndo sob a pele.  

Sinto a noite ficar estreita,  
sinto o silêncio se desfazer em pulsações,  
sinto a entrega crescendo  
como maré que não pede licença.  
Teu peso, tua força, tua presença  
se misturam ao meu impulso  
numa dança bruta, magnética, selvagem.  

Tudo em mim arde quando te encontro.  
Tudo em ti parece feito  
para acender o que eu escondo.  
E nesse reencontro sem defesa,  
sem medida, sem demora,  
o desejo deixa de ser promessa  
e vira incêndio.  




  Cléia Fialho

quinta-feira, 8 de setembro de 2022

quarta-feira, 7 de setembro de 2022

ECOS DE UMA NOITE



Arrasta os teus dentes pelo meu pescoço,
deixa a tua marca onde o sangue pulsa forte.
Quero o peso do teu peito esmagando o meu,
o calor sufocante da tua respiração presa.
Somos o avesso de qualquer pudor.

Tua mão espalma e prende meu quadril no chão,
enquanto você dita a velocidade desse caos.
Cada movimento teu é um golpe certeiro,
uma invasão que me arranca o juízo e o ar,
fazendo o quarto inteiro girar no escuro.

Retenho a tua essência como quem devora um segredo,
aperto minhas pernas para aprisionar o teu rastro.
Tatuo na minha pele os teus espasmos caóticos,
ainda sentindo a tua vibração me partir ao meio.

Corta a distância, meu delírio, desaba no meu peito,
a madrugada é vasta, mas a matéria se consome rápido.
Engole a minha saliva, rasga-me por inteiro,
porque minha carne tem pressa 
— e a noite nos assiste, despida.

Não há trégua na nossa urgência.
Colidimos até que o cansaço vire delírio,
líquidos misturados, respiração falha,
consagrando o altar da nossa carne
até que o amanhecer nos encontre em ruínas.




  Cléia Fialho

terça-feira, 6 de setembro de 2022

DOCE SIGILO



Há entre nós uma atmosfera
 sedutora e cálida
 que em sua magia é válida.

 
Nossos prelúdios versos e poesias
 nos atiçam a cada dia
 os corações sedutores
 são tentados e tentadores.

 Que de maneira incorrigível
 talvez nem faça-se invisível
 aos olhos de muitas gente
 todo o desejo que se sente.

 que só nós dois sabemos
 pois dessa forma queremos
 em doce sigilo manter
 a fonte inesgotável de nosso prazer.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 5 de setembro de 2022

URGÊNCIA DO TEU TOQUE



Tuas mãos dominam minhas curvas,
erguem meu ventre sem pedir licença.
Meu corpo se entrega inteiro,
ardendo na urgência do teu toque.

Invades cada espaço do meu querer,
fazendo estremecer aquilo que escondo.
Minha voz se desfaz em suspiros,
meu peito se abre em febre e vertigem.

Regresso ao incêndio da tua boca,
onde a sede jamais encontra repouso.
Roubo o teu fôlego em beijos demorados,
adoço o desejo até perder a razão.

Minha boca percorre tua pele sem destino,
como quem decifra um território proibido.
Gravo em ti o calor da minha passagem,
assinando teu corpo com lembranças vivas.

Entre respirações partidas,
nos consumimos sem medida,
ferozes, intensos, inevitáveis,
como duas chamas que recusam o fim.

E quando penso que o fogo enfim descansa,
te encontro outra vez em minha pele,
porque há desejos que nunca adormecem,
apenas esperam a próxima tempestade.




  Cléia Fialho

domingo, 4 de setembro de 2022

A NOITE PROMETE!



Beijos com sabor de amora
 Olhar que juras arremete
 Acende a fogueira lá fora
 Porque essa noite promete!

 Aproxima-se a aurora
 Corpos que estão quentes
 Entoam sensual e sonora
 Canto lírico incandescente.




  Cléia Fialho

sábado, 3 de setembro de 2022

SOMOS COMO FERAS PARA AMAR




  (SO) Sóbrios de amor
  (MOS) Mostramos nossos medos

  (CO) Contigo livre ao vento
  (MO) Morvimentos de desejos

  (FE) Felizes no abraço
  (RAS) Rasgos de paixões

  (PA) Palavras que nos aquecem
  (RA) Razões se fazem canções

  (A) Almas que suspiram
  (MAR) Marés de emoções.




  Cléia Fialho

O Experimental Pluribus
é uma criação do Poeta Alexandre Costa

sexta-feira, 2 de setembro de 2022

CORRENTEZAS DE RIO...



Deságua tão doce
 Correntezas de rio...
 Meu cio
 Leve me sinto

 Flanando em quimera
 Meu corpo quisera
 Profano pecado
 Conjugado sagrado
 Meus versos pequenos
 Soltos serenos.

 Extravasam minh'alma
 Epopeia que acalma
 Os desejos e beijos
 Dos seus lábios nos meus
 Manjares de um Deus.

 Eloquência grave
 Melodia suave
 Versejando minha pele
 Porejando expele
 Correntezas de rio...
 Meu cio...




  Cléia Fialho