TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

sábado, 3 de junho de 2023

A DONA DA FLOR MAIS LINDA




Quero teu rosto guardado no meu verso,
não em poema preso, em desejo solto,
quero tua pele de açucena acesa,
escrita em letras garrafais no meu corpo.

Quero tua boca com muito gosto,
traçar teu nome onde ninguém vê,
quero ser dona da flor dos prados,
e te colher inteira pra mim.

Quero versos perfumados de outono,
soltos nos teus ombros, nos teus ais,
quero pássaros com ciúme da gente,
quando minha pena te desperta e cai.

Quero versos ritmados na tua nuca,
suspiros que se abrem quando toco,
quero o estro inteiro entre meus lábios,
e me perder no teu gosto louco.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 2 de junho de 2023

OÁSIS NA TUA BOCA




Deixa teu gosto suave na minha boca,
me toca como quem já sabe o segredo,
quero teu céu inteiro na minha língua,
esse prazer que gira leve como ave.

Desperta em mim o cálice e o mel,
em beijos que ascendem sem pressa,
desalinha meus sentidos todos,
quando tua mão acha o caminho.

Quero desbravar tua alma nua,
em viagem sem mapa, só pele e poro,
para além da miragem, teu corpo,
me fazendo oásis que não tem fim.

E que o tempo não te arranque de mim,
nessa ânsia minha que é tempestade,
me prende, me bebe, me inunda,
que eu quero ser tua eternidade.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 1 de junho de 2023

ENTRE MEUS QUADRIL, O RITUAL DO FOGO




Não peço permissão ao desejo –  
ele me habita como rio que desconhece a foz.  
Meu corpo não é tela, é labareda,  
é língua que lambe o ar antes do beijo.

Sou a curva que desaprendeu a espera.  
No colo, o peso do mundo se dissolve  
quando minhas coxas abrem o compasso  
de uma dança que só a pele conhece.

Meus dedos escrevem no dorso do outro  
um alfabeto que nenhum dicionário ousa.  
Cada arranhão é vírgula,  
cada mordida, ponto-final que recomeça.

Respiração ofegante é minha rima preferida –  
sem métrica, sem pudor, sem freio.  
Meu suor é estrofe líquida,  
meu gemido, refrão que não se repete  
porque cada vez é a primeira.

Deslizo como maré que invade a areia  
sem aviso, sem roteiro, sem piedade.  
E quando o corpo do outro me encontra,  
eu não sou mais mulher –  
sou território, sou fenda, sou abismo,  
sou a mão que guia o naufrágio.

Meu prazer não tem nome, tem gosto,  
tem cheiro de aurora entre os lençóis,  
tem pressa de ser lento,  
tem medo de acabar –  
e acaba, sim, mas deixa o eco  
tremendo dentro do osso.

Sou poesia ereta,  
verso que pulsa onde a luz não alcança.  
Não me leia com os olhos –  
me leia com a ponta dos dedos,  
com a língua trêmula,  
com a entrega de quem sabe  
que o êxtase também é literatura.

E quando eu arder por inteiro,  
não apague o incêndio.  
Escreva com ele.  
Me escreva com ele.  
Sempre.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 31 de maio de 2023

CONTINUA EM MIM




Continua, meu doce,
não para agora.

Cada suspiro teu
me leva um passo além de mim,
onde as palavras já não alcançam,
só o corpo entende.

O tempo se desfaz
quando tua boca me encontra,
o mundo vira bruma
e só existe o teu cheiro na minha pele.

Eu, mulher inteira,
me abro em silêncio,
força mansa e faminta
que te quer sem pressa e sem fim.

Tua mão desvenda meu segredo,
teu olhar escreve em mim,
e eu danço nesse teu ritmo ousado,
gemendo baixo o teu nome.

Me encontra de novo,
mais fundo, mais perto,
nesse universo que é só nosso,
onde meu coração bate em ti.

Continua,
me ama assim,
nesse espaço sutil entre um beijo e outro,
onde o infinito cabe na nossa cama.




  Cléia Fialho

terça-feira, 30 de maio de 2023

NO JARDIM QUENTE DO MEU CORPO



No jardim do meu coração  
floresce um desejo vermelho  
como rosa que se abre sob o sol.  

Teu sorriso aquece mais do que a alma…  
ele desce pela minha pele  
e faz os seios arderem de vontade.  

Tua voz é melodia  
que vibra entre as minhas coxas,  
acalma e, ao mesmo tempo,  
acende o fogo lento  
que já escorre por dentro.  

Em teus olhos vejo um universo  
onde me perco nua,  
sem pressa,  
sem pudor,  
só o corpo inteiro oferecido  
ao teu olhar faminto.  

Teu toque é brisa de verão  
que sobe pelas costas,  
desce pela barriga  
e se demora no lugar  
onde eu mais tremo.  

Contigo encontrei meu terreno eterno:  
a cama, a pele, o suor,  
o gemido baixo  
que vira canção  
quando nossas almas  
e nossos corpos  
dançam juntos.  

Ao longo dos dias,  
das noites,  
dos anos sem fim…  
eu te quero assim:  
dentro de mim,  
molhada de amor e de prazer,  
até o último raiar  
do nosso desejo.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 29 de maio de 2023

INSTANTE QUENTE




Continua, instante pleno,  
sem promessas ao vento…  
teu silêncio suave desliza  
pela minha pele nua  
e me abraça por dentro,  
lento,  
como se já me conhecesse inteira.

Como o mar se prende à areia  
eu me agarro ao teu corpo,  
na dança quente dos dias  
que passam entre as nossas coxas.  
Os ecos da minha alma se estendem  
e viram gemidos baixos,  
canção molhada de desejo.

Cada respirar teu  
é um sopro sutil  
que me faz tremer o ventre.  
Neste espaço só nosso  
o tempo fica pequeno,  
infantil,  
e celebra o simples prazer  
de sentir tua boca  
na curva do meu seio.

Na luz que se filtra entre nós  
nossos corpos se encontram  
sem pressa,  
sem medo.  
Teus dedos desenham caminhos  
na minha pele quente  
e eu me abro toda,  
como flor que espera a chuva.

Continuemos assim,  
sem pressas,  
vivendo no compasso  
do prazer verdadeiro.  
Tua paz é o meu porto…  
mas também o meu fogo.  
Neste eterno desvio ligeiro  
eu me entrego,  
molhada,  
e te guardo dentro de mim  
como quem guarda o sol  
dentro da noite.




  Cléia Fialho

domingo, 28 de maio de 2023

NOITE ADENTRO EM NÓS DOIS




Noite adentro e o quarto em brasa,
instinto solto, pele em orgia,
eu te queria louca e inteira,
me comias com os olhos, eu ardia.

Mordisquei teus beijos devagar,
teu corpo lasso se abriu pra mim,
deixei minhas marcas em sussurro,
te amei sem pressa até o fim.

Teu corpo langue no meu colo,
teus cabelos soltos entre meus dedos,
nossa pele marcada de desejo,
sem dor, só amor nos segredos.

Revisito as cenas daquela noite,
palavras ditas baixo, gemidos de paixão,
foi devassidão consentida e gostosa,
dois corpos em mesma devoção.

Deixaste saudade na minha boca,
foste meu rei e eu tua rainha,
nos amamos até o gozo nos levar,
e amanhecemos ainda sozinhos na mesma linha.




  Cléia Fialho

sábado, 27 de maio de 2023