TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

sábado, 30 de dezembro de 2023

TEU CORPO EM MIM É MARÉ



Teu corpo é rio
onde entro nua,
vida adentro,
sede adentro,
me perdendo na corrente
pra me achar na tua boca.

Teu corpo é abrigo
de toque morno,
onde me deito,
me derreto e me repito,
hóspede que vira dona
com as chaves na pele.

Teu corpo é medida certa pro meu,
encaixe de desejo,
gosto de fruta mordida,
calor que sobe lento
no fim da noite fria.

Em ti, navego, 
em ti, me rasgo,
em ti, floresço -
mulher inteira,
molhada de ti.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 29 de dezembro de 2023

A DOÇURA FLORESCE




Em jardins de sonhos, a doçura floresce
Onde segredos e mistérios se abraçam
E o sol, os matizes das pétalas aquece
A vida dança e em nuaces se traçam
Sob o sol, as almas se entrelaçam.

E nos ventos, em promessas estremece
O tempo aqui, em suas asas, se esquece
Nos braços da eternidade, se esvoaçam
Nas membranáceas, amores se esgaçam
E nos cânticos do vento que acontece.




  Cléia Fialho

O Experimental Almognose
é uma criação da Poetisa ANA LUCIA S PAIVA

quinta-feira, 28 de dezembro de 2023

VIVER É A ARTE SUBLIME



No passo efêmero do tempo, viva intensamente
Entre risos e suspiros, na jornada presente
Abraçar o sol radiante, beijar a lua serena
Cada segundo é um poema, na vida que amena.

Desbravar caminhos, como rios que fluem livres
Sentir a brisa acariciar, enquanto o coração revive
Colecionar momentos, como estrelas no céu noturno
No espetáculo da existência, somos o eterno retorno.

O amor floresçe, como jardim em primavera
Entregar-se ao êxtase, sem temer a quimera
Na sinfonia dos dias, ser a nota mais intensa
Viver é a arte sublime, quando a alma é imensa!




  Cléia Fialho

quarta-feira, 27 de dezembro de 2023

MINHA PELE É O VERSO DO TEU FOGO




Meu corpo não é casa  
é fogueira que aprendeu  
a dançar sem sair do lugar  
enquanto tuas mãos  
— brasas disfarçadas de vento —  
me desenham inteira  
em cada curva que invento.

Não quero ser abrigo  
quero ser o incêndio  
que te desaba por dentro  
quando teus dedos  
percorrem meu mapa  
de rios e montanhas  
que só tu sabes ler  
com a língua molhada  
de pressa e de calma.

Teu olhar me rasga  
e eu agradeço  
porque todo corte  
me ensina uma nova maneira  
de arder.  
Minha respiração é o fôlego  
que teu peito rouba  
quando minhas coxas  
escrevem no ar  
a palavra que não cabe  
em nenhum dicionário  
mas cabe inteira  
no vão da tua boca.

Sou mulher de fogo manso  
que se acende sozinha  
mas gosta de sentir  
teu sopro avivando  
minha cinza ainda quente.  
Não sou morada  
sou labareda viajante  
que escolheu tuas mãos  
pra descansar um instante  
antes de queimar de novo  
mais alto, mais distante  
mais fundo que o instante.

Teu corpo é o meu espelho  
quando nele me vejo  
tremendo, inteira, nua  
como se o fogo fosse  
a única roupa que me veste  
quando a noite é tua.  
E nesse espelho eu danço  
sem medo de me quebrar  
porque cada estilhaço meu  
é uma fagulha a te procurar.

Deixa queimar.  
Deixa que o tempo  
se derreta em nossa pele  
como cera de vela  
que não sabe se apaga  
ou se acende mais bela.  
Minha voz é o crepitar  
que te chama sem pressa  
te convida, te despe  
te reza, te atravessa  
e no fim do ritual  
— quando a chama já não cabe  
no pequeno círculo do quarto —  
eu ainda sou a brasa  
que te espera, deitada  
sobre os lençóis que ardem  
como se fossem de nada.

Porque arder não é destino  
é escolha.  
E eu escolho  
cada centímetro teu  
como se fosse a última vez  
que o fogo aprende  
a dizer meu nome  
sem precisar de voz.




  Cléia Fialho

terça-feira, 26 de dezembro de 2023

RITUAL DE DESEJO



Cantemos, sim...
mas que seja com o corpo.
Na dança quente que os olhos iniciam,
teu olhar já me despe,
teu toque me inventa.

Tecemos, juntos,
fios de desejo em carne viva —
nenhum receio,
nenhuma pausa entre o querer e o fazer.

Teus dedos percorrem minha pele
como quem conhece a partitura do prazer.
E eu me deixo tocar,
como pétala que o vento não sopra,
mas possui.

Cada passo teu me aproxima do céu
que há entre teus quadris.
Na tua boca, minha fé —
nos teus gemidos, meu hino.

Giramos, sem nomear o tempo,
sem destino, sem culpa —
apenas o agora,
feito mel escorrendo
da flor que abre por ti.

Na dança da vida que nos embriaga,
meus sonhos gozam contigo,
no exato instante
em que teu corpo me chama
e eu respondo
com toda a fome
de quem nasceu para te sentir.





  Cléia Fialho

segunda-feira, 25 de dezembro de 2023

QUANDO O TEU BEIJO ME DESPERTA




Nesse toque leve que desliza pela minha pele,  
sinto o corpo inteiro abrir-se em silêncio.  
Não é pressa, é descoberta.  
Cada dedo teu encontra um lugar  
que eu mesma já tinha esquecido.

O teu beijo não pede licença.  
Ele chega e o tempo simplesmente para.  
Os segundos se diluem no sabor da tua boca,  
e eu fico ali, suspensa,  
sentindo o coração bater mais fundo  
do que nunca.

Na escuridão macia da noite,  
nossos corpos se reconhecem  
sem precisar de palavras.  
Os versos nascem entre a minha respiração  
e o calor da tua pele contra a minha.  
É uma melodia lenta,  
quase secreta,  
que só a gente escuta.

E quando te entrego por completo,  
não há pressa nem medo.  
Só esse amor que transborda  
pelos poros,  
pelos suspiros,  
pelo jeito que a minha alma  
se levanta inteira  
só de sentir que estás aqui.




  Cléia Fialho

domingo, 24 de dezembro de 2023

ME FAZ SÓ TUA




Eu te quero sem roupa de pudor,
sem relógio,
sem amanhã.

Te quero pele,
fôlego,
peso do teu corpo me afundando na cama,
mão que me acha e não me solta mais.

Eu me abro inteira,
mulher acesa, molhada de vontade,
e cada beijo teu me desmancha,
me faz só tua.

Me toma com calma e com fome,
me devora devagar,
que eu sou chama que aprendeu a ficar,
sou febre que não quer passar,

sou tua,
ardendo,
pedindo mais.




  Cléia Fialho

sábado, 23 de dezembro de 2023

A CANETA DA MEMÓRIA



Tempos bons que não voltam mais
Deixo-vos aqui em versos singelos
Como um tributo ao que ficou para trás.

Na poesia da saudade, encontro meus anelos
Assim, com a caneta da memória em punho
Celebro o passado, com lágrimas e risos.

Na paisagem da recordação, sigo em cunho

Enaltecendo os tempos bons, eternos paraísos.




  Cléia Fialho