Duas da manhã.
A cidade dorme e nós não.
Não há poesia aqui, só boca.
Só tua mão puxando meu cabelo,
minha mão perdendo a educação na tua nuca.
Tu duro.
Eu molhada de vontade.
O lençol já desistiu de nos cobrir.
Não fala bonito, fala sujo.
Me diz o que quer que eu faça com você
como quem dá uma ordem que já vai ser desobedecida
de tão gostosa que é obedecer.
Me manda ficar de quatro
e eu fico.
Me manda não gozar
e eu vou desobedecer só pra te ver perder o controle também.
Me vira de costas pra parede,
me morde a boca,
me marca com os dedos na cintura
que eu quero acordar amanhã com teu mapa na pele.
Sobe em mim.
Me prende com teu peso.
Me deixa sem ar do jeito bom,
do jeito que me faz puxar teu cabelo com mais força.
Quero te sentir fundo,
lento no começo pra me provocar,
fundo depois pra me fazer esquecer meu nome.
Fala no meu ouvido
o que você vai fazer quando não aguentar mais,
que eu já estou quase lá
só de ouvir tua voz rouca.
Me olha.
Não fecha o olho quando goza.
Quero ver tua cara se desfazendo
enquanto eu me desfaço embaixo de você.
E quando acabar,
não sai ainda.
Fica duro dentro de mim mais um pouco,
me deixando cheia, pulsando,
pra eu lembrar a noite inteira
de quem é que me deixa assim.