TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

O DOCE SUSSURRO DA SUBMISSÃO - 2


Ato - 2 

Ele não a tocou de imediato.
E foi justamente isso que a fez arder.

A distância entre os dois tornou-se um espaço carregado, elétrico.

Ele a observava como quem contempla algo que já lhe pertence, mas que escolhe saborear com calma. Cada segundo prolongado era um comando silencioso, e ela sentia o corpo responder antes mesmo da mente.

— Tire as luvas — disse ele, num tom baixo, quase íntimo demais para ser ordem… e ainda assim impossível de ignorar.

Ela obedeceu.
O som da seda deslizando pelos dedos pareceu alto demais naquele recinto fechado. Quando suas mãos ficaram nuas, sentiu-se também despida de defesas invisíveis.

Ele aproximou-se apenas o suficiente para que ela sentisse o calor do corpo dele, sem o conforto do contato. Inclinou-se, e sua respiração roçou-lhe o pescoço, lenta, consciente.

— A submissão — murmurou — começa quando você aceita ser vista por inteiro.

Ela estremeceu. Não por medo.

Mas por verdade.

Ele ergueu-lhe o queixo com um único dedo, obrigando-a a sustentar o olhar. Não havia pressa, nem brutalidade. Apenas domínio tranquilo, aquele que não precisa provar força.

— Aqui — continuou — você não pertence ao salão, nem às máscaras, nem aos olhares curiosos. Pertence à sensação de se permitir.

Ela sentiu o peso doce dessas palavras pousarem dentro de si. Não como imposição, mas como reconhecimento de algo que sempre esteve ali, à espera de permissão para florescer.

Quando ele finalmente a tocou, foi mínimo: a mão firme na cintura, guiando-a para mais perto. O gesto não buscava o corpo — buscava a rendição. E ela veio, natural, inevitável.

Encostou a testa no peito dele, em silêncio.
Esse pequeno gesto foi seu ajoelhar invisível.

Ao longe, a música recomeçou, mais lenta, mais grave. O baile seguia. A luxúria pulsava nos salões, nos olhares escondidos, nos corpos que se roçavam sob máscaras douradas.

Mas ali, naquele espaço fechado, a verdadeira sedução não estava no excesso — estava no controle.
No prazer contido.
Na escolha consciente de se entregar.

Ele inclinou-se novamente, agora junto ao ouvido dela:

— Esta noite, você aprende que a submissão não é fraqueza…
— …é confiança elevada ao desejo.

Ela fechou os olhos.
E sorriu.

Porque, enfim, compreendia:
não estava sendo tomada.
Estava sendo acolhida pelo próprio abismo que sempre quis explorar.

Ele a envolveu num abraço lento, profundo, onde o mundo parecia suspenso. Nenhum gesto a mais era necessário. O baile, as máscaras, o luxo — tudo se dissolvia naquele instante de rendição consciente.

Do lado de fora, a música cessou por um breve momento.
Como se o próprio palácio soubesse:
ali, a verdadeira luxúria não gritava — sussurrava.





  Cléia Fialho




Gratidão pelo convite.
É sempre um prazer!

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

O DOCE SUSSURRO DA SUBMISSÃO - 1


Ato - I

O convite chegou em papel espesso, perfumado de mistério. Nenhuma assinatura. Apenas a data, o local — um palácio antigo à beira de um lago negro como veludo — e uma única instrução escrita em caligrafia firme:

Venha mascarada. Confie em mim.

Ela sabia que era dele. Sempre soube.
Desde o instante em que aprendera a reconhecer, no próprio corpo, aquele arrepio manso que não pedia defesa, mas entrega.

Na noite marcada, o palácio ardia em luzes âmbar. Candelabros multiplicavam sombras nas paredes douradas, e a música — lenta, quase indecente — serpenteava entre colunas de mármore. Homens e mulheres ocultavam os rostos sob máscaras ricamente adornadas, como se ali todos pudessem ser quem realmente eram, livres do peso dos nomes.

Ela entrou vestida de seda escura, decote contido, mas perigoso. A máscara lhe cobria os olhos, e isso a tornava ainda mais vulnerável… e mais desejável.

Sentiu-o antes de vê-lo.

A presença dele não precisava de rosto. Era comando silencioso. Quando sua mão tocou a curva nua de suas costas, ela estremeceu — não por surpresa, mas por reconhecimento.

— Finalmente — murmurou ele, junto ao seu ouvido. A voz era baixa, segura, irrecusável.

Ele não perguntou se ela queria dançar. Apenas a conduziu.
E ela foi.

No centro do salão, giravam lentamente, como se o mundo tivesse diminuído o ritmo apenas para eles. Cada passo guiado por ele era um lembrete: ali, naquela noite, ela não precisava decidir. Bastava sentir. Bastava obedecer ao fluxo invisível que a puxava para dentro de si mesma.

A submissão não lhe era humilhação.
Era repouso.

Quando ele deslizou os dedos até seu pulso, apertando-o de leve, o gesto foi suficiente para que ela compreendesse: não era posse — era pacto. Um acordo silencioso entre desejo e confiança.

— Esta noite, você é minha — disse ele, não como ameaça, mas como promessa.

Ela baixou a cabeça. Um gesto mínimo. Definitivo.

O salão parecia respirar com eles. Olhares curiosos, invejosos, famintos. Mas nada os tocava. A luxúria ali não era vulgar — era densa, quase sagrada. Um excesso elegante, um pecado vestido de ouro.


Ele a levou para um salão menor, afastado, onde cortinas pesadas filtravam a luz e o silêncio era espesso. Retirou-lhe a máscara com delicadeza cerimoniosa, como quem desvela um segredo antigo.

— Confia? — perguntou.

Ela não respondeu com palavras. Apenas fechou os olhos.

E foi nesse gesto simples que se entregou inteira — não ao corpo dele, mas ao domínio que ele exercia com calma, respeito e desejo contido. Um domínio que não exigia, apenas chamava.

Lá fora, o baile continuava.
Mas para ela, o mundo já havia se rendido.

E naquela rendição suave, encontrou não a perda de si,
mas a mais intensa forma de liberdade e luxúria.


(continua...)





  Cléia Fialho



domingo, 15 de fevereiro de 2026

OS SUSSURROS DESENHAM ECOS



Onde a entrega se transforma em labareda,  
E o desejo arde em cada suspensão,  
Teu corpo, um poema com versos de pele,  
Deslizando para a imensidão do nosso clímax.  

Os sussurros desenham ecos na penumbra,  
Lábios se encontram como chamas,  
E na tempestade de corpos entrelaçados,  
A paixão se revela, crua e visceral,  

Completos na dança de um ritmo proibido,  
Cada toque, um novo mundo de possibilidades.




  Cléia Fialho

sábado, 14 de fevereiro de 2026

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

TAÇA DOS MEUS LÁBIOS



Como escorrem das cachoeiras...
corrente de águas que se despenha
assim quero contemplar
provar... e me deliciar
no teu sumo... excelso cúmulo

Jorrando latente... cálido e ardente
na taça dos meus lábios
com a língua adjuntos sábios
lambendo... sorvendo...
sugando... bebendo...

Enquanto assisto você
se contorcendo... gritando
e gemendo nesta louca volúpia!




  Cléia Fialho

Linda interação do Amigo Poeta A.S.

Ahhh!... 
As tuas palavras são um fogo ardente
que escorre sobre a pele
acende o desejo,
e deixa que os lábios sintam
o sabor excelso escorrendo
cálido e ardente,
saciando o tesão na mais louca volúpia...


 GRATIDÃO

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

ANJO DOMINADOR



Sugo a sua boca
 lambo a sua língua
 sorvo os seus lábios
 toque-me levemente o corpo
 com a força de um rochedo

 Permito aflorar-me
 com requinte meus quadros
 sou sua obra-prima
 sua musa inspiradora

 És meu senhor
 anjo dominador
 assumo atitude servil
 olha-me com avidez
 sou o chão que pisas
 sou o mundo aos seus pés...




  Cléia Fialho

Linda interação do Amigo Poeta DUICE

Aos meus pés,
devoto da minha carne
que silencia a tua boca.
Sou o Senhor do teu prazer,
subjugando as tuas emoções.
Trabalho e musa,
prostituta e leoa,
servo diante de mim.

 GRATIDÃO 

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

NAS COLINAS VERDES




Nas colinas verdes, encontrei teu olhar,
como um perfume suave a me enebriar.
Teus olhos brilhavam, serenos no ar,
guiaram meus passos a um doce lugar.

O vento soprava, me fez perceber
que os teus lábios vinham prometer
carícias leves, puro bem-querer,
no campo aberto, a gente foi viver.

Teu toque era flor, na luz do alvorecer,
trouxe à minha alma novo renascer.
Entre os aromas, dançamos canções,
somente existiam ali corações.

E a lua, ao sumir, calada sorria,
vendo o amor surgir com sua magia.
Tão sereno e calmo foi esse momento,
corpos dançaram ao som do pensamento.

Mas o vento soprou com outro argumento:
que amar é doçura e, às vezes, lamento.
Nos vales do sonho, belos, eternos,
também se caminha por trilhos modernos.





  Cléia Fialho

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

O ESPAÇO ENTRE MINHAS COXAS

 



Há quanto tempo eu esperava  
alguém que se encaixasse assim…  
que preenchesse o espaço entre minhas coxas  
exatamente do jeito que um dia imaginei.

Eu te dei o calor do meu corpo em chama,  
a prata do suor que escorre entre nós.  
Te dei as noites pra desenhar no teu peito  
o mapa úmido da minha boca.

Você e eu.  
Vou dizer baixinho,  
contra a tua orelha,  
enquanto te empuro mais fundo:

Nessas frases tem o gemido de nós dois.  
Não deixamos o agora pra depois.  
Quando te sinto dentro,  
eu fico completo por onde eu for.




  Cléia Fialho