Sou eu,
quem veste esta carne estranha,
que vibra, que arde, que sonha,
sem pedir permissão à razão.
Sou eu,
mesmo quando a mente divaga,
e a lógica, por vezes, se apaga
nas sombras do coração.
Este enigma que me habita,
me inquieta e me limita,
tem o gosto do eterno porquê...
Mas é meu. E sigo com ele,
mesmo sem entender o que é.
Não sou máquina nem decreto,
nem esboço de um projeto
de um deus feito em manual.
Sou caos, sou verbo imperfeito,
sou pergunta, sou defeito,
mas sou vivo, afinal.
E se não há consenso entre os dois —
o corpo que pulsa sem freio
e a mente que pede sossego —
eu danço neste meio
sem regra, sem apego,
tentando fazer meu próprio sinal.
Porque mesmo entre abismos e contradições,
entre choques, vontades, prisões…
sou eu — com todas as minhas versões —
quem responde por mim.
Sou eu, no fim.
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