O zumbido do poste era o único som que restava na praça. Ela sentou no banco de pedra e o frio subiu pelas coxas nuas, um arrepio que a fez prender a respiração. A luz amarela caía sobre os ombros como um holofote.
Das sombras, ele se moveu. O Estranho caminhou até a borda da claridade, os olhos claros fixos nela, as mãos paradas ao lado do corpo. Ela viu os dedos tremerem.
Nenhum dos dois falou. O zumbido preenchia o espaço entre eles, elétrico e insistente. Ela não desviou o rosto. Inclinou a cabeça para trás, expondo a garganta, a pele pálida sob a luz, e esperou.
Ele deu mais um passo e a sola do sapato raspou na pedra sob a luz amarela.
Ele deu o último passo e a mão direita subiu até o queixo dela. Os dedos ainda tremiam quando seguraram a mandíbula, firmes, e puxaram o rosto para cima. A boca dele cobriu a dela sem hesitação — língua quente, aberta, invadindo. Ela sentiu a saliva escorrer no canto dos lábios, descendo pelo queixo, e não limpou. Gemeu contra a boca dele, os dentes raspando, a língua empurrando de volta.
As mãos dela acharam a barra da camisa escura e puxaram. O tecido subiu, revelando o abdômen tenso, o calor que emanava da pele. Ele ergueu os braços e ela arrancou a camisa, jogando no chão de pedra. A luz amarela do poste banhou o torso nu, os ombros largos, os músculos que se contraíam sob a pele.
Ela desabotoou a calça dele com dedos ágeis, o zíper descendo num raspar metálico que cortou o zumbido do poste. A mão enfiou por dentro do tecido e fechou ao redor do pau — duro, quente, pulsando contra a palma. Ele soltou um som grave, gutural, e a testa encostou na dela.
As mãos dele desceram pelas costas dela e agarraram a barra da saia. O tecido subiu, enrugando, até se amontoar na cintura. As coxas nuas encontraram o ar frio da noite e a pedra gelada do banco. Ele agarrou as coxas com as duas mãos — dedos cravando na carne macia — e puxou. Ela foi arrastada para o colo dele, as pernas se abrindo, a bunda pressionando contra o volume duro que latejava através da calça.
Ela se esfregou devagar, sentindo o comprimento do pau contra a calcinha molhada. O tecido fino era a única barreira. Ele rosnou contra o pescoço dela, os dentes mordendo a pele, e a mão desceu. Os dedos acharam a borda da calcinha e puxaram para o lado. O pau encostou direto na carne molhada.
Ele empurrou de uma vez.
O pau grosso entrou até a base, abrindo a buceta encharcada numa estocada só. Ela gemeu alto — um som que não planejou, arrancado da garganta, ecoando na praça vazia. As costas arquearam contra o banco de pedra fria. A luz amarela do poste banhou o rosto dela, os olhos revirados, a boca aberta.
As coxas se fecharam ao redor dos quadris dele.
Ele começou a bombear — ritmo rápido, brutal, sem pausa. O pau entrava e saía da buceta molhada com força, o saco batendo contra a bunda dela a cada estocada. O som de carne batendo, molhado e repetido, encheu a praça deserta. Fluidos escorriam pelo pau dele, pingando na pedra fria do banco.
Ela cravou as unhas nas costas dele. Arranhou a pele, puxou, agarrou os ombros largos enquanto ele metia mais fundo. A buceta apertou ao redor do pau — espasmos, contrações, o corpo inteiro tenso. Ela gritou. O orgasmo veio em ondas, sacudindo as pernas, fechando os olhos, a boca mordendo o ar.
Ele grunheu alto. Três estocadas finais, com força total, e gozou dentro. Jatos quentes de porra encheram a buceta dela, pulsando contra as paredes apertadas. O pau ainda enterrado, a porra vazando pelas bordas, pingando na pedra do banco sob a luz amarela.
O corpo dele ainda tremia quando o pau amoleceu e escorregou para fora. Devagar, com um som molhado, a carne deixou a buceta ainda pulsando. Ela sentiu o vazio imediato — a ausência do preenchimento, a frieza do ar noturno tocando onde antes havia calor e pressão. A porra quente veio atrás. Escorreu em fios grossos, descendo pela pele sensível, seguindo o caminho das coxas trêmulas. Gotas brancas pingaram na pedra fria do banco, manchando o cinza com a prova do que tinham feito.
Ela deixou a cabeça cair. O rosto encontrou o peito dele — a camisa escura encharcada de suor, o coração batendo rápido sob o tecido. Tum-tum-tum contra a orelha dela. Rítmico. Vivo. Os olhos se fecharam por um instante, o corpo inteiro entregue ao cansaço que vinha depois do auge. As pernas ainda abertas, a buceta ainda latejando, a porra ainda morna escorrendo.
A mão dele subiu até o cabelo dela. Dedos grossos, os mesmos que tinham agarrado com força, agora passavam devagar pelos fios escuros e desgrenhados. Um carinho sem pressa. Sem palavras. Ela não precisava de palavras. O gesto dizia tudo — a fome tinha passado, mas a presença ficava.
Ela abriu os olhos e olhou para cima. A luz amarela do poste ainda zumbia, banhando os dois corpos exaustos, expondo o que restava do ato. O peito dele subia e descia. O dela também. A praça continuava deserta, silenciosa exceto pelo zumbido elétrico e a respiração dos dois.
O peso da rendição desceu sobre ela como alívio. Não havia mais resistência, não havia mais medo. Só o banco de pedra sob as costas, o peito dele sob a cabeça, a porra escorrendo e secando na pele. Ela fechou os olhos. O zumbido do poste continuou, monótono e constante, enquanto a noite os cobria na praça deserta.
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Cléia Fialho

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