Cada estocada tua é raio que me parte ao meio
Cada gemido meu é trovão que sacode o teto escuro.
É vertigem, é naufrágio,
é minha carne naufragando em ti.
teu gozo é flor que me colhe
E no pecado profundo da penetração encontro absolvição selvagem.
Somos cena proibida,
filme secreto, estreia de fogo sem aplausos,
Apenas suor e escuridão
e o som úmido de nossas peles colidindo.
Cada estocada é blasfêmia,
cada gozo é eternidade,
É incêndio, é infinito,
é espelho que nos duplica em labirinto de prazer.
Risco e fuga,
constelação e eclipse,
universo inteiro nascendo entre minhas coxas.
É viagem sem volta,
destino certo,
chegada de corpos trêmulos e destruídos.
Cada beijo é ressaca que me afoga,
cada gozo é mergulho profundo no teu abismo.
Minha boca é poesia que se desfaz,
tua chupada é confissão, minha entrega é eternidade.
Tormenta, delírio,
tempestade viva,
banquete e festim de nós.
Não há fim.
Apenas capítulo novo.
Apenas nós.
❦
Cléia Fialho

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