Em teus braços, o silêncio que procurava
se desmancha em fio quente, quase chão.
Tua presença não aperta: envolve
como o mar que não pede licença para entrar.
Meu amor por ti é um rio sem nome
que não nasce, não morre — apenas corre
para dentro do meu peito,
onde a água aprendeu a ser permanente.
Amor, és menos a razão
e mais o acaso que insiste em florir.
Acordo porque o dia ainda tem tua cor,
e o instante seguinte me espera
como um beijo suspenso no ar.
Não há preço no que não se troca:
teu sorriso não guia, ele desvia
a noite de seu curso escuro,
e a ternura chega sem aviso,
feito brisa que não pede destino.
Ao teu lado, o tempo desafina
— perde o compasso, ganha outro ritmo.
Cada minuto é uma fruta aberta,
e eu mordo o agora
como quem nunca teve fome.
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