Nos campos abertos, o vento desliza pela pele,
sinto que arde, o fogo que não se esconde.
Pilcha apertada que incomoda,
quer liberdade, quer calor, quer entrega.
olhar que desafia, que prende, que convida.
No mate amargo, o gosto do desejo,
no chimarrão, o calor que incendeia a língua.
Cavalo que galopa, corpo que se solta,
movimento selvagem, suor que escorre,
mãos que não temem tocar, que exploram,
toques que desarrumam a calmaria da noite.
Nas festas, corpos se enlaçam,
dança que é pretexto para proximidade,
a música bate no peito, bate na pele,
o fogo queima mais forte quando ninguém vê.
No galpão, o silêncio é cúmplice,
o lenço no pescoço pode esconder o sorriso,
mas o desejo escapa no tremor das mãos,
na pressa dos corpos que querem mais.
Sou gaúcha de fibra e pele,
tradição que arde no sangue,
alma aberta, pronta para a luta,
e para a entrega que não se pede, só se vive.
❦
Cléia Fialho


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