Amei-te além do limite do silêncio,
e permaneci à porta dos dias
esperando teus passos
que nunca tocaram meu chão.
Gritei teu nome ao vento,
mas apenas o eco respondeu
habitanto os corredores vazios
daquilo que sonhamos juntos.
A demora vestiu-se de inverno,
e o relógio cansou de esperar por nós.
As horas perderam a cor,
as promessas ficaram suspensas
como folhas secas em fim de estação.
Agora chega o instante da partida.
Que os caminhos se afastem sem retorno,
que as mãos desaprendam o toque,
que os sorrisos antigos se dissolvam na memória.
Que a esperança adormeça devagar,
que os desejos virem cinzas leves,
que os apertos no peito se escondam
entre as palavras nunca ditas.
Que a saudade se derrame lenta
pelas noites insones,
e o pranto encontre abrigo
na solidão dos travesseiros frios.
Eu te quis com toda a intensidade
que um coração suporta carregar.
Esperei além da própria coragem,
e ainda assim
não vi teu retorno acontecer.
Talvez o amor também se perca,
quando um fica
e o outro demora demais.
Então partirei em silêncio,
recolhendo pedaços de mim
que deixei espalhados em teu caminho.
E se um dia eu apagar tua lembrança,
talvez já não doa ouvir teu nome,
talvez meus olhos não procurem mais
tua sombra entre as multidões.
Mas enquanto o esquecimento não vem,
carregarei essa ausência funda
como quem abraça uma ferida
sem coragem de soltá-la.
Adeus…
que o tempo faça o que meu coração
ainda não conseguiu fazer.

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