TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

domingo, 31 de março de 2019

DANÇA DESCOMPASSADA





Dança do ventre excitante
lábios batom rubro e adocicado
corpo com seiva umectante
no ar bálsamo de pecado.


sábado, 30 de março de 2019

INSTINTO DECIFRADOR




A minha volúpia é que vai te guiar
 Onde as suas mãos devem tocar...
A minha lascívia vai te conduzir

sexta-feira, 29 de março de 2019

A SUA PRESENÇA



Eu era como folha
perdida em meio ao temporal
e a sua presença amo
tornou-se sol a me iluminar

Eu era perdida
um barco à deriva
e a sua presença amor
colorido arco-íris
em terra meus pés pôs a firmar

Eu era cega
noite sem luar
e a sua presença amor
acendeu os brilho das estrelas
e eu pude enxergar

Eu era intranquila
vivia no engano
e a sua presença amor
trouxe-me verdade
e a paixão para eu vivenciar.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 27 de março de 2019

NO CALOR DO NOSSO AMOR



Na profundidade do teu olhar  
encontro um mundo de sensações,  
teus lábios tocam os meus  
e acendem chamas de paixões.  

Quando envolves-me em teus braços,  
sinto o tempo a evaporar,  
nossos corpos em harmonia,  
numa dança a nos embalar.  

Quisera eu, neste instante,  
no refúgio do nosso abrigo,  
fundir meu ser ao teu,  
e no calor do amor, estar contigo.  

Ver o primeiro raio da manhã  
enquanto o desejo se desfaz,  
adormecer em teus braços  
nos lençóis que o amor desfaz. 




  Cléia Fialho

terça-feira, 26 de março de 2019

PRAZERES QUE A MENTE NÃO MEDE



Na penumbra do quarto, teu olhar me chama,
um fio de seda que corta a escuridão,
desafia a lógica, a razão, a calma,
e acende, lenta, a chama da paixão.

A luz é escassa, sobra apenas o toque,
o peso do silêncio, a respiração,
o som suave de um corpo que se desloca,
numa dança antiga, sem explicação.

Teus olhos brilham como brasas vivas,
consumindo o ar, o espaço, o tempo,
enlaçam-me em redes invisíveis,
num laço que prende, mas não o cimento.

Sinto o cheiro de pele quente e salgada,
o aroma doce de frutas maduras,
a promessa secreta e perigosa,
de prazeres que a mente não mede.

Meus dedos buscam a curva da cintura,
tremendo de frio, tremendo de fogo,
encontrando na carne o mapa exato
de um mundo onde só existimos nós dois.

A cama é um mar de lençóis revoltos,
onde afundamos, onde nos perdemos,
onde o tempo se dobra, se desfaz,
e os limites do eu se dissolvem.

Não há palavras, só gemidos baixos,
sussurros que a noite guarda pra si,
o ritmo acelerado do desejo,
que nos consome, que nos transfigura.

Cada toque é uma língua desconhecida,
cada beijo, um juramento profano,
unindo almas em carne e osso,
num ato sagrado e tão humano.

A escuridão não nos esconde, ao contrário,
ela nos revela nus, sem máscaras,
exibindo a verdade crua e bela
de quem se entrega, quem se transforma.

E quando o clímax rompe a barragem,
é como um trovão dentro do peito,
uma explosão de luz branca e cega,
que nos deixa, por um instante, eternos.

Na penumbra, resta o eco do toque,
o rastro de suor, a respiração,
teu olhar ainda me chama, agora
não pela carne, mas pela emoção.

Somos poeira estelar reunida,
num quarto pequeno, vasto universo,
onde o amor não precisa de nome,
nem de lei, nem de verso, nem verso.

Fica aqui, no breu que nos abraça,
onde o prazer é a única lei,
e o silêncio grita mais alto
que qualquer grito de liberdade.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 25 de março de 2019

NO MEL DOS SEUS LÁBIOS



Me embuzio no mel dos seus lábios
 me esvaeço na luminância do seu olhar
 sua doçura coriscá - relampeja - 
o meu viver seu fulgor mitigá
- ameniza - minha alma.

Teu carinho é brisa mansa
que repousa sobre mim,
feito luz que nunca cansa
de florir meu jardim.

No perfume do teu beijo
vou perdendo a direção,
e no fogo do desejo
bate forte o coração.

Teu afeto me ilumina,
feito sol ao amanhecer,
e em tua presença divina
renasce o meu viver.





  Cléia Fialho

domingo, 24 de março de 2019

SOB A LUZ DO DESEJO




Quero que chegue como uma brisa,  
Olhe em meus olhos e me envolva,  
Quero sentir teu perfume,  
Teu toque firme que me desperta,  
Desenhando em meu corpo trilhas de prazer.  

Quero um beijo que conte segredos,  
Molhado, apaixonado, sem pressa,  
Deixa-me enroscar em teu calor,  
Sentir tua respiração em meu ouvido,  
E os sussurros que nos envolvem.  

Embriagar-me-ei no amor que criamos,  
Pernas entrelaçadas no compasso do desejo,  
Lábios que se encontram, corpos em sinfonia,  
Dentro deste abrigo de quatro paredes,  
Onde apenas nós existimos, plenos, inteiros.  

Faça-me tua amante, tua cúmplice,  
Serei o que teu coração pedir,  
Ardente, atrevida, selvagem, insaciável,  
Mas também, quando quiseres,  
Dengosa, calma, amorosa, amiga.  

Vem para mim, realizar nossos sonhos,  
Onde o amor e desejo se entrelaçam,  
E juntos, criamos um universo,  
Só nosso, sem interrupções,  
Doce, selvagem, eterno.  




  Cléia Fialho

sábado, 23 de março de 2019

OLHARES PROFUNDOS



Olhares super profundos
Sintonia muito íntima
Ardor bem crescente.

Silêncios que se tocam,
respirações que se reconhecem,
o tempo desacelera
no intervalo entre dois corpos.

A proximidade incendeia suave,
não queima — provoca.
É desejo em estado de espera,
latejando na promessa do toque,
na entrega que se anuncia
sem jamais precisar dizer.





  Cléia Fialho

sexta-feira, 22 de março de 2019

quinta-feira, 21 de março de 2019

UM INSTANTE



Partilha de segredos
Dois mundos, enredos
Um instante, duas vidas.

Pele que se desenrola como rio quente,  
Dedos traçando mapas de desejo escondido.  
Sussurros no escuro, bocas famintas,  
Corpos que se entrelaçam, sem pressa ou fim.  

Segredos vertidos em gotas de suor,  
Olhares que devoram, almas nuas.  
Um pulsar ritmado, eco de eternidade,  
Onde o eu se dissolve no teu abraço voraz.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 20 de março de 2019

terça-feira, 19 de março de 2019

VULCÃO NA MINHA BOCA



Teu beijo não é doce -
é sal e brasa e terra molhada
é o gosto de quem sabe
que minha boca é o começo do mundo

Prazer que não quer mais e mais:
quer tudo, quer o fundo
quer a língua que desce
onde a boca não alcança

Me agita como o vento
antes da tempestade
me excita como o relâmpago
que não pede permissão para rasgar o céu

Perco a respiração
não por falta de ar -
por excesso de ti
porque teu hálito ocupa meus pulmões
e teu gosto é mais oxigênio que o ar

Quero que esse doce prazer não tenha fim
mas não é doce -
é amargo como a madrugada
quando teu beijo se torna lembrança
e eu ainda mastigo teu nome

Quero um beijo com ardor -
mas ardor não basta
quero que tua boca queime
até minha pele lembrar
o que é ser descoberta por dentro

Quero beijo com emoção -
não essa emoção mansa
mas a que treme nas coxas
a que molha o silêncio
enquanto tua língua desenha
mapas que só teu dente conhece

Quero um beijo de fazer amor
como só você sabe -
não com jeito especial
mas com a fome de quem
não come há dias
e encontra minha boca aberta
como única refeição

Seu beijo gostoso de homem fogoso
mas não é gosto - é fome
não é fogo - é incêndio
que começa onde meus lábios se abrem
e termina onde minhas pernas se fecham
em volta de ti

Queima por dentro
mas queima por fora também
queima onde teus dedos seguram meu queixo
queima onde tua barba arranha
queima onde tua respiração
é o único vento que conheço

Quero um beijo que me faça explodir
não como vulcão - pior:
como terra que espera a lava
como fruta que espera o dente
como mulher que espera
ser comida inteira

Em erupção não é só minha boca
é cada poro, cada pelo
cada curva que teu beijo ignora
e que depois encontra
quando tua língua desce
e tua boca se torna
a maior de todas as bocas

O sabor do teu beijo não tem comparação -
porque não é sabor:
é memória que arde
é futuro que já aconteceu
é o instante em que tua boca
encontrou a minha
e as duas esqueceram
que existem outras bocas
no mundo

Me deixa trêmula
não de pura emoção -
de puro medo
que esse beijo acabe
e eu volte a ser
a mulher que não sabia
que um beijo pode ser
maior que a boca
mais fundo que a garganta
mais eterno que o amor.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 18 de março de 2019

domingo, 17 de março de 2019

TEU CORPO NA MINHA MADRUGADA



Doce amado, não apenas penso:
te chamo em cada veia aberta
te invento em cada sombra que se move
na cama que ainda guarda teu vazio.

Povoas não só sonhos -
invades o suor dos meus lençóis
tua boca desce por minha espinha
como um rio que não pede licença.

A noite não traz teu rosto:
traz tuas mãos onde não estão
traz teu peito colado às minhas costas
traz o peso que me falta quando acordo.

Deito-me e és tu quem me deita
teu corpo sobre o meu - não lembras?
pesado, quente, dono de cada curva
teu beijo não é lembrança: é ferida.

Molhado e quente como a língua
que desenhou meus ossos
enlouqueço quando fecho os olhos
e ainda sinto teu gosto na minha nuca.

O fogo não arde por dentro
arde onde me tocaste
arde onde ainda não tocas
devora não a alma - devora o instante
em que fui tua e tu foste minha.

Adormeço enroscada em ti
mesmo que sejas apenas
o eco do teu cheiro no travesseiro
o ritmo não é do coração -
é o que resta do teu quadril contra o meu.

Dorme comigo!
Não como promessa - como ordem
que tua mão encontre meu sexo no escuro
que tua boca saiba onde me doeu
quando te foste e eu fiquei.

A noite é o repicar dos amantes
mas eu sou o sino que ainda vibra
o som que te chama pelo nome
enquanto me toco pensando
que és tu quem me toca.

Sabes que mesmo ausente
és mais presente que meu próprio corpo
quando arqueio e chamo
e tu respondes de dentro de mim.

Eu te amarei não amanhã
mas agora - nesta hora em que a cama
é o único altar onde te sacrifico
onde te crucifico em cada gemido.

Te levarei às estrelas
não nos sonhos - nas coxas abertas
no céu que se forma entre meus dedos
e tuas mãos invisíveis guiando.

Roubaremos as cores da manhã
mas primeiro roubaremos a noite
o escuro onde teus olhos me vigiam
onde tua boca me come sem pressa.

Pintaremos nossas vidas
com o leite e o mel dos nossos corpos
com o sal que escorre das minhas costas
e o doce amargo do teu desejo.

A noite me traz teu rosto
mas não apenas rosto:
traz o que tu nunca me deste
e eu nunca pedi -
o silêncio onde teu nome
é a única palavra que sei gritar.

Mais que nunca...
não me fizeste falta
quando tinhas corpo
agora que és fantasma
és mais carne que a carne.

Dorme comigo!
Não no sonho - no meu corpo
que ainda se abre como noite
para que entres
e nunca mais saias.




  Cléia Fialho