Ardente e molhada — entrego-me não, atiro-me
como faca que rasga o ar em direção à carne,
como sede que não encontra água e bebe fogo.
A dança dos corpos não é sintonia — é duelo,
é combate de mandíbulas, coxas que se enlaçam
como serpentes no cio, respirações que se roubam,
gemidos que se esganam na garganta aberta.
A paixão não nos envolve: nos trespassa,
nos abre ao meio, nos despeja nas curvas
do desejo como corpos em queda livre,
onde o profundo não é abismo — é útero,
é palpitação de músculo molhado,
é língua que explora cada dobra,
cada vulcão adormecido que desperta.
Tuas mãos são garras, meus dentes são marcas,
teu hálito queima minha nuca,
meus seios roçam teu peito como brasas.
O ritmo não é suave — é estampido,
é cavalo selvagem despencando no vale,
é espasmo que sacode a espinha,
encurva os dedos, arranca nomes de deuses
que não existem — só existe este instante,
este corpo colado ao teu, suor escorrendo,
respiração ofegante, prazer que não pergunta,
só toma, só preenche, só enterra a fome
até que reste apenas carne vibrante,
latejante, úmida — e viva.
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