TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

quarta-feira, 3 de setembro de 2025

CONTRA A PAREDE — DE JOELHOS



PAREDE E SAL

Tu entras e já me empurras contra a parede
O gesso frio arde nas minhas costas
mas o teu corpo quente cola no meu
e eu esqueço onde começo e onde tu acabas.

Tu seguras meus pulsos acima da minha cabeça
e eu não resisto — não quero.
Tu rosas devagar a minha saia branca
e o ar gelado beija o meu centro já molhado.

— "implora", tu dizes
e a tua voz é um chicote de veludo

Eu começo baixo
— "por favor"
Tu apertas mais meus pulsos
— "mais alto"
Eu gemo o teu nome contra o teu pescoço
— "por favor, macho, me come"

Tu entras em mim com os dedos primeiro
devagar, fundo, cruel
e eu arranho a parede com as unhas
enquanto as minhas pernas tremem
e a minha boca não para de pedir.

— "assim", tu dizes
— "assim, minha fera"

E quando tu finalmente me tomas
— contra a parede, com os meus joelhos abertos
e o meu orgulho no chão —
eu já não imploro
eu grito
eu chamo
eu me entrego
porque implorar não é fraqueza
é a forma mais nua de te querer.




  Cléia Fialho

4 comentários:

  1. Profundo poema. Perdonar te hace seguir adelante. Te mando un beso.

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  2. Una pulsione indispensabile, quella del perdono, che dona liberazione e calma, al nostro percorso.
    Buongiorno poetessa

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  3. El perdón es un rocío del alma,
    que libera el corazón y refleja paz.
    Besos, querida.

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  4. Un jardín que utilizaste para reflexionar y que dio como fruto este bellísimo poema.

    Saludos.

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