TOCA DA LEOA

Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia

terça-feira, 1 de setembro de 2026

SOMOS CINZA E FAÍSCA



Teu hálito queima o ar que me despe  
A língua traça mapas úmidos na curva do meu quadril.  
Cada suspiro rasga o véu da noite calada.  
E eu gemo teu nome em carne e sal febril.

Tuas mãos são garras que colhem meu mel.  
Açoitam a pele, 
inventam delírios na espinha.  
O suor escorre, 
rio que invade o céu.  
E a cama é um altar onde a carne se avinha.  

Meu colo te chama em ondas de vulcão.  
Teus dentes mordema fruta que ainda não cai.  
Encaixo-me em ti como espada em seu chão.  
E o prazer é um grito.

Selvagem, 
me devoras em cada poro aberto.  
O vento uiva, 
mas é surdo ao nosso enredo.  
Nossos corpos colidem num caos quase certo.  
E o fim é só o começo de outro segredo.

Arranha-me, 
bebe-me até o osso nu.  
Como verso molhado e sem pudor.  
No fim, 
somos cinza e faísca.




  Cléia Fialho

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