Teu hálito queima o ar que me despe
A língua traça mapas úmidos na curva do meu quadril.
Cada suspiro rasga o véu da noite calada.
E eu gemo teu nome em carne e sal febril.
Tuas mãos são garras que colhem meu mel.
Açoitam a pele,
inventam delírios na espinha.
O suor escorre,
rio que invade o céu.
E a cama é um altar onde a carne se avinha.
Meu colo te chama em ondas de vulcão.
Teus dentes mordema fruta que ainda não cai.
Encaixo-me em ti como espada em seu chão.
E o prazer é um grito.
Selvagem,
me devoras em cada poro aberto.
O vento uiva,
mas é surdo ao nosso enredo.
Nossos corpos colidem num caos quase certo.
E o fim é só o começo de outro segredo.
Arranha-me,
bebe-me até o osso nu.
Como verso molhado e sem pudor.
No fim,
somos cinza e faísca.
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