TOCA DA LEOA
Sensualidade & Erotismo à Flor Da Poesia





sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

QUARTO DE ESPELHOS



As costas dela bateram contra o vidro frio antes que pudesse reagir. O impacto roubou-lhe o ar e o reflexo devolveu-lhe os olhos arregalados, os lábios entreabertos. Ele pressionou o peito largo contra as costas dela, esmagando-lhe os seios contra a superfície gelada do espelho. O choque térmico arrancou-lhe um gemido baixo. Tentou virar o rosto, fugir da própria imagem, mas os dedos dele agarraram-lhe o queixo e mantiveram-na imóvel.

— Olha — a voz grave roçou-lhe o ouvido. — Precisas de te ver.

Os pulsos dela foram içados acima da cabeça, presos contra o vidro por uma só mão. Ele rodou os quadris devagar, o volume duro sob o tecido da calça esfregando-se nas nádegas dela. O corpo dela estremeceu, o abdômen contraiu-se num espasmo involuntário. No reflexo, viu a boca dele curvar-se perto do seu pescoço.

Os dedos dele desceram até à blusa e puxaram o tecido com um gesto brusco. Os botões saltaram, tilintando no chão. O espelho devolveu-lhe os seios nus.

A mão dele desceu pelo ventre dela, os dedos calejados arranhando a pele macia. Agarrou a cintura da calça e puxou para baixo num só movimento, o tecido enrolando-se nos tornozelos. A calcinha seguiu o mesmo caminho, o algodão húmido sendo arrastado pelas coxas. Ela tentou fechar as pernas, instintiva, mas o joelho dele forçou-se entre as dela, abrindo-as.

— Assim não — ele murmurou, virando-a de frente para o espelho.

O reflexo devolveu-lhe o corpo nu, os seios empinados, os mamilos escuros e duros. Ele ajoelhou-se atrás dela, as mãos subindo pelas coxas, os polegares afastando a carne macia. Os dedos encontraram a fenda molhada, deslizando entre os grandes lábios, recolhendo o líquido que já escorria. Ela mordeu o lábio inferior com força, prendendo o gemido.

Ele puxou o tecido da calcinha para o lado, expondo a vulva ao espelho. Dois dedos empurraram a entrada, afundando devagar na vagina apertada. Depois curvou-os para cima, num ritmo lento e implacável. O gemido escapou-lhe, involuntário, as paredes vaginais contraindo-se em espasmos ao redor dos dedos dele.

— Prova.

Os dedos molhados pressionaram os lábios dela, o próprio gosto salgado invadindo-lhe a boca.

Ele dobrou-a pela cintura. O tronco dela bateu na superfície fria da bancada, os seios esmagados contra o vidro. O reflexo devolveu-lhe o rosto a centímetros de si mesma — os olhos castanhos arregalados, os lábios entreabertos, o rubor que descia pelo pescoço. Sentiu a glande quente pressionar a entrada da vagina. Ele não pediu. 

Empurrou o membro inteiro para dentro numa só estocada profunda, o pênis abrindo caminho pela carne apertada. Ela gritou. As paredes vaginais contraíram-se ao redor dele, um espasmo involuntário que a fez arquear as costas. Ele não esperou. Os quadris começaram a bater contra as nádegas dela num ritmo rápido e agressivo, a carne balançando a cada impacto, o som das peles a ecoar no quarto. Ela tentou fechar os olhos. 

— Abre — ele rosnou, a voz grave e sem negociação. — Olha. Os dedos dele cravaram-se nos seus cabelos, puxando a cabeça para trás. A coluna dela arqueou, o pescoço curvou-se, e o pênis afundou até o fundo da vagina. Ela obedeceu. O reflexo mostrou-lhe o pau entrando e saindo, a base reluzente do líquido que escorria pelas coxas dela e lubrificava cada estocada. 

Os gemidos saíram-lhe incontroláveis, altos, ecoando nas paredes. Ele agarrou-lhe os quadris com força, os dedos cravados na pele até roxear. Fixou-lhe o corpo para receber as estocadas mais fundas. O suor escorria pelas costas dela, o ânus pulsando no ritmo das investidas. Ele soltou um rosnado grave. 

O pênis pulsou dentro dela, e jatos de sêmen quente explodiram no interior da vagina, enchendo-a. Ela gritou, a vagina e o ânus contraindo-se em espasmos violentos. O sêmen dele escorreu pela fenda molhada, descendo pelas coxas abaixo. O sêmen de Ele escorre pelas coxas dela, enquanto ela ofega, os olhos ainda fixos no reflexo.

O ar ainda estava denso, carregado do cheiro do sexo e do suor que grudava na pele dela. Continuava curvada sobre a bancada fria, os antebraços colados ao mármore, as pernas abertas e trêmulas. O sêmen dele escorria devagar de dentro da vagina, um fio morno e espesso que descia pela parte interna da coxa até gotejar no chão com um som abafado. Os músculos das coxas dela ainda tremiam em espasmos leves, involuntários, como se o corpo se recusasse a largar o prazer que acabara de atravessá-la.

A respiração foi-se estabilizando aos poucos. O peito subia e descia contra a superfície fria, e cada expiração saía mais longa que a anterior. Ele continuava atrás dela, as mãos grandes pousadas nos quadris dela sem apertar, apenas segurando. O calor das palmas contrastava com o arrepio que corria a pele dela.

Ela levantou a cabeça devagar e encarou o reflexo. O espelho devolveu-lhe a imagem sem piedade: os cabelos escuros colados nas têmporas pelo suor, os olhos castanhos ainda vidrados, a boca entreaberta e inchada. As marcas dos dedos dele começavam a roxear nos quadris. 

O líquido leitoso continuava a escorrer pelas coxas, brilhando sob a luz âmbar. Desta vez, não desviou o olhar. Sustentou a própria imagem, os olhos fixos nos olhos refletidos, e algo dentro dela cedeu por completo — não de fraqueza, mas de aceitação.

Ele inclinou-se e beijou-lhe o ombro, os lábios quentes contra a pele salgada. A voz saiu grave, um murmúrio que vibrou contra a nuca dela.

— Agora és essa imagem. Pertences a ela.

Ela não respondeu. Continuou a fitar o reflexo, os olhos castanhos encontrando os próprios olhos, e pela primeira vez não desviou.




  Cléia Fialho

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

LÁBIOS DE FOME



Deleitar-se é um ato de guerra carnal,
mergulhar a língua no calor
até encontrar o ponto exato
onde a respiração se perde.

Saborear a essência do outro
como quem morde a vida em pedaços,
devorar as nuances do toque
até que os ossos estremesçam
sob a pele em chama.

Cavar com a boca cada curva,
beber o suor até a última gota,
encontrar no gemido abafado
a verdade que nenhuma palavra conta.

O instante explode em corpos,
as mãos escrevem em braille
o que o silêncio esconde.

Deleitar-se é rasgar o tempo,
queimar o lençol na cadência
do prazer que nada pede,
que tudo consome.




  Cléia Fialho

terça-feira, 13 de janeiro de 2015

LÍNGUA QUE DESVELA



E assim, devagar, em poesia suada,
meus lábios descem e a língua se entrega,
lambendo o centro molhado do teu mundo,
desvelando o sexo que pulsa e se abre,
onde a ternura mora entre pernas abertas
o desejo é a luz que me guia.

Tua pele arqueia louca sob minha boca,
o gosto de mel e sal se mistura,
enquanto a língua escreve versos profundos,
no clitóris tenso que geme e clama.
Não há ternura sem a fome intensa,
não há poesia que não seja cama e suor.

Devoro o cúmulo doce da tua abertura,
bebo o gozo quente que escorre e me banha,
tua mão puxa meus cabelos com força louca,
o mundo inteiro acaba nessa língua espessa,
onde a ternura é sombra e o desejo único
a luz que me guia, me possui e consome.




  Cléia Fialho

segunda-feira, 12 de janeiro de 2015

domingo, 11 de janeiro de 2015

O GOZO É A COR QUE TRANSBORDA



A tinta agora é o suor que brilha no escuro,
o pincel é a urgência da tua boca faminta.
Riscamos o silêncio com sussurros agudos,
súplicas de quem já não quer ser salvo,
mas sim consumido pelo calor desse traço.
Somos a moldura que se desfaz,
a própria arte ardendo em chamas.

Nossas pernas se trançam em traços profundos,
o gozo é a cor que transborda a tela,
um mergulho voraz nas tuas curvas macias,
onde minha boca se perde, faminta e nela,
escrevemos o êxtase em suor e gemidos,
uma sinfonia de corpos ardentes, fundidos.




  Cléia Fialho

sábado, 10 de janeiro de 2015

PINCELADAS NA PELE



O toque sutil de dedos
não é sutil,
é fogo que desce
pelo meu pescoço
e pinta por dentro
onde ninguém vê
a não ser eu
gemendo baixo.

Como pincéis em uma tela,
tua mão traça o meu ventre,
desce ao centro
onde eu pulso aberta,
molhada,
onde te chamo
sem palavras,
só com a coxa que se afasta
e a boca que te engole.

Pintando as horas com cores quentes,
não são horas,
são eternidades de gozo
onde a tinta é o suor
e o quadro somos nós,
nu, aberto, lambuzado
de um desejo que não seca,
que escorre e mancha o lençol.

Traços de uma paixão que se expande,
em gemido,
em abertura,
na tua entrada
que me preenche
até eu não saber
onde termino
e onde começa
tua pincelada,
tua fome,
o nosso fogo.




  Cléia Fialho

sexta-feira, 9 de janeiro de 2015

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

COBERTURA À MEIA LUZ



Ela recuou um passo, mas as costas já tocavam o vidro. Frio. A janela sem cortina emoldurava a noite — luzes da cidade recortadas contra seus ombros, sem sombra onde se esconder.

Ele avançou. As palmas abertas encontraram os ombros dela e a prenderam contra a superfície lisa. Os braços bloquearam qualquer saída. O rosto dele estava perto demais — o hálito quente roçando sua testa, o olhar pesado descendo devagar pelo corpo.

Ela prendeu a respiração. As unhas cravaram na cintura dele por cima da camisa, mas não empurraram de verdade. Os lábios se comprimiram.

O polegar dele subiu até seu queixo, deslizou até o lábio inferior, pressionou.

— Vai me olhar.

Os dedos dele fecharam na barra da blusa e puxaram para cima. O tecido subiu pelo tronco, roçou os mamilos já duros, passou pela cabeça e sumiu no chão. A luz da cidade entrou pelas janelas sem cortina e banhou os seios nus — cada curva exposta, sem sombra onde se esconder.

Ela levou as mãos ao peito, os braços cruzando sobre os mamilos. O gesto durou dois segundos. Ele agarrou seus pulsos e os ergueu acima da cabeça, prendendo-os contra o vidro com uma mão só. A palma áspera imobilizava os dois pulsos como uma algema quente.

— Assim não.

A boca dele desceu ao pescoço. Língua e dentes percorreram a lateral tensa, a veia que pulsava, o ponto onde o ombro encontra a garganta. Mordeu aberto, a pressão arrancando um gemido curto. Ela sentiu a marca se formar sob a pele.

Os lábios escorregaram pela clavícula até o topo do seio esquerdo. Ele mordeu a curva superior, a carne macia cedendo entre os dentes, e então a língua achatou sobre o mamilo — quente, lenta, molhada.

Ela entrelaçou os dedos no cabelo escuro e puxou com força. Os quadris arquearam, encontrando a coxa dele entre suas pernas. A pressão arrancou outro som, mais fundo.

A mão livre dele desceu. O polegar encontrou o botão da calça e abriu.

Ele a girou antes que ela pudesse protestar. As palmas das mãos bateram no vidro frio, os seios nus esmagados contra a superfície transparente — a cidade inteira do outro lado, milhões de luzes pontilhando a escuridão. A janela sem cortina não oferecia esconderijo nenhum. O frio do vidro queimou os mamilos duros, arrancando um arquejo.

As mãos dele agarraram seus quadris. Dedos firmes cravaram na carne, puxando-a para trás enquanto a calça descia até os joelhos num puxão seco. O tecido cedeu, o ar gelado roçou a pele quente das coxas. Ele não esperou. A mão espalmou as costas dela, empurrando o tronco contra o vidro, e a outra guiou o pau — a cabeça roçou a entrada molhada uma vez, duas, e então ele enterrou tudo de uma vez.

Ela gritou. A boceta apertou ao redor da invasão súbita, os músculos internos se contraindo em ondas. Ele gemeu grave, os dentes cerrados, e começou a bombar. Estocadas rápidas, profundas, o quadril batendo na bunda dela com um som seco e repetido. O saco pesado acertava o clitóris a cada impacto — tum-tum-tum — e o choque reverberava pela pélvis, subindo pela espinha.

— Olha pra cidade.

A voz dele veio rouca, o comando soprado na nuca. Ela apertou as pálpebras, a testa colada no vidro, o bafo embaçando a superfície. Os dentes morderam o lábio inferior, prendendo o gemido.

Ele puxou o cabelo dela. A cabeça foi erguida, o pescoço arqueado.

— Eu disse olha.

Os olhos se abriram. A cidade brilhava lá embaixo, indiferente, expondo cada centímetro do corpo dela — os seios esmagados no vidro, os mamilos roçando a superfície fria, a boca aberta soltando um gemido alto e involuntário. 

O som escapou sem permissão, a voz trêmula vibrando contra o vidro. Ela se viu refletida na janela sem cortina: cabelos escuros grudados na testa suada, olhos amendoados vidrados, os lábios comprimidos se abrindo num novo gemido a cada estocada.

A mão direita dele desceu. Os dedos encontraram o clitóris inchado e esfregaram em círculos duros, implacáveis, no ritmo exato das bombadas. O pau entrava e saía, a boceta molhada fazendo um som obsceno de sucção, líquido escorrendo pela coxa interna — suor e sebo misturados, gotejando no chão de mármore da cobertura.

As pernas tremeram. Os joelhos falharam. Ela se sustentou apenas pelo quadril dele, que a empurrava contra o vidro, e pelas palmas espalmadas na superfície fria. O corpo inteiro virou um nó de tensão prestes a estourar.

— Vai gozar — ele rosnou contra sua orelha. — Goza pra cidade ver.

A boceta apertou em espasmos violentos ao redor do pau. Ela gozou com um grito, o som rasgado e alto, os olhos arregalados para as luzes lá fora. O líquido quente escorreu pelos dedos dele, encharcando a mão que ainda esfregava o clitóris em círculos.

Ele enterrou fundo uma última vez. O pau pulsou dentro dela, jorrando esperma em jatos quentes que preencheram a boceta. Gemeu baixo, a testa caindo no ombro dela, os quadris ainda bombeando devagar enquanto se esvaziava. Quando se sacou, o esperma começou a vazar pela fenda.

Esperma escorre pela coxa interna enquanto ela ainda encara a cidade iluminada pelo vidro embaçado.

Ele recuou devagar, o pau ainda úmido roçando a coxa dela ao se afastar. O esperma quente vazou pela boceta inchada, um fio grosso escorrendo pela coxa direita até gotejar no mármore frio. Ela não se moveu. A palma continuava espalmada no vidro, a respiração ainda ofegante, os seios marcados com as impressões da superfície gelada. Olhou o próprio reflexo na janela sem cortina — o corpo nu, as coxas manchadas, os olhos amendoados fixos e sem desvio. Ele tocou seu ombro. Ela não se encolheu.




  Cléia Fialho

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015